Escultura móvel no Rio Tietê busca a reflexão sobre a poluição

Eduardo Srur inaugura a intervenção "Pintado", a fim de discutir qualidade das águas e mobilidade urbana na cidade

Por Evelyn Nogueira Atualizado em 17 fev 2020, 15h51 - Publicado em 12 set 2019, 17h03
Reprodução/Casa.com.br

Sempre criativo e necessário, Eduardo Srur ataca novamente. A partir da próxima segunda-feira (16), o Rio Tietê recebe uma exposição itinerante assinada pelo artista. “Pintado” é uma escultura com mais de 30 metros de comprimento, que navegará toda a extensão do Rio Tietê e busca alertar a sociedade sobre a degradação das águas.

O Pintado é uma espécie que vivia na região, antes das águas serem contaminadas. A intervenção urbana com o peixe de água doce é promovida durante a semana do dia 22 de setembro – o dia do Rio Tietê.

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Segundo Srur, a exposição simboliza o fenômeno da Piracema – subida do peixe, em tupi –, quando o mesmo nada contra a correnteza para perpetuar a espécie. “O rio Tietê nasce a 20 km no Oceano Atlântico, mas corre para o interior e foi fundamental para os índios e bandeirantes, assim como na formação da própria cidade de São Paulo. O ‘Pintado’ nos lembrará das cores e formas perdidas do verdadeiro Tietê e também de um futuro com mais oxigênio. Por isso, sua enorme boca aberta querendo respirar”, diz o artista.

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Durante a montagem da obra, Srur e os trabalhadores do desassoreamento do rio descobriram que uma espécie de peixe parecida com o Pintado ainda habita no Tietê. “Quando mostraram a foto do peixe, tive um misto de tristeza e esperança; de ver a luta pela vida e a força da natureza em qualquer circunstância. Nós paulistanos, somos iguais a este peixe”.

A obra ficará em exposição no Rio Tietê até o dia 30 de setembro. Uma programação complementar foi preparada pelo artista. No dia 19, Eduardo e a Fundação SOS Mata Atlântica promovem a apresentação dos dados do Rio Tietê e os indicadores da mancha de poluição, na ponte das Bandeiras.

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No dia 22 de setembro, Srur navegará junto com a obra, para provocar a reflexão sobre a mobilidade dentro do rio. “O Rio Tietê é navegável e isso traria integração com o cotidiano da cidade. Desconfio que o Pintado chegará antes no seu destino que milhares de motoristas presos no trânsito das marginais”, completa.

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