Designer italiano Enzo Mari morre aos 88 anos

Um dos nomes mais importantes do design italiano e do mundo deixa um legado extenso com produtos para marcas como Driade, Artemide e Zanotta

Por Nádia Simonelli Atualizado em 19 out 2020, 10h21 - Publicado em 19 out 2020, 10h19
Ramak Fazel/dezeen

Hoje o dia amanheceu mais triste no universo do design. O designer e escritor italiano Enzo Mari faleceu, em Milão, aos 88 anos. Ele estava internado no hospital San Raffaele.

Durante 60 anos de carreira, Mari criou produtos para marcas como Artemide, Alessi, Danese, Driade e Zanotta, que ficarão marcados para sempre na história do design italiano. Tanto que, no último dia 17 de outubro, foi inaugurada na Triennale Milano uma grande retrospectiva da obra do designer.

Exposição Enzo Mari com curadoria de Hans Ulrich Obrist com Francesca Giacomelli, na Trienalle Milano reprodução/dezeen

Nascido em Novara, em 1932, Mari estudou na Accademia di Belle Arti di Brera, em Milão, entre 1952 e 1956. Seus primeiros trabalhos incluem uma série de colaborações para a, então, recém-criada marca italiana Danese, onde criou vasos, porta-lápis, calendários e o quebra-cabeça infantil 16 Animals. A bandeja Putrella, feita a partir de uma viga industrial curvada, também esta entre suas principais criações para a Danese.

Enzo Mari desenhou o jogo 16 Animals para Danese reprodução/dezeen

Entre os anos 60 e 70, Mari se dedicou a desenhar inúmeras peças de mobiliário para as grandes marcas italianas, como a cadeira Delfina, projetada para a Driade, em 1974. A peça ganhou o prêmio de design industrial Compasso d’Oro, em 1979. Outros destaques são a cadeira Elisa e a cadeira Box, ambas para a Driade, Tonietta para a Zaotta e Squeezer para a Alessi.

Delfina Chair para a Driade reprodução/Archiproducts

Além de se dedicar a projetos de móveis e objetos, Mari também escreveu muitos livros ao longo de sua carreira. Na década de 60, ele publicou um livro de pinturas chamado The Apple and the Butterfly, em que contava a história de uma lagarta. Já nos anos 70, o designer publicou um guia para fazer seus próprios móveis com madeira e prego, chamado de Autoprogettazione.

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Mari desenhou o calendário perpétuo de parede para Danese reprodução/dezeen

Tamanha relevância da produção de Mari resultou em uma grande exposição na Triennale Milano, com curadoria de Hans Ulrich Obrist e Francesca Giacomelli, que apresenta cerca de 250 de seus projetos.

“Durante sua vida, ele criou uma série de obras extraordinárias – feitas de papel, madeira, vidro, cerâmica, ferro e aço – que se movem livremente entre as esferas da arte, design, arquitetura e design gráfico, e agora estão em coleções, museus e lares em todo o mundo “, escreveu Boeri no catálogo da exposição.

O arquivo de Mari será doado à cidade de Milão. No entanto, o designer estabeleceu como condição para sua doação que ela não fosse exibida por 40 anos, o que significa que a retrospectiva atual pode ser a última oportunidade para ver alguns dos objetos.

“Não é surpreendente, portanto, que em uma entrevista recente, Mari expressou sua firme intenção de doar toda a sua coleção de obras para a cidade de Milão, com a condição de que ninguém tivesse acesso aos seus arquivos por pelo menos 40 anos”, escreveu Stefano Boeri, presidente da Trienalle no catálogo da exposição.

“Ele justifica isso afirmando que, de acordo com suas previsões mais otimistas, levará 40 anos até que uma nova geração que não está ‘estragada como a geração de hoje’ seja capaz de fazer uso dela informado, retomando o controle do profundo significado das coisas “, continuou ele.

A exposição foi inaugurada no último sábado, dia 17, e segue até o dia 18 de abril de 2021.

 

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