Centro: região de contrastes

As diferenças estão evidentes nas edificações, no desenvolvimento urbano, nas atividades econômicas e, também, no perfil dos moradores

Por Da redação Atualizado em 14 dez 2016, 11h12 - Publicado em 26 jan 2007, 17h16

No chamado Centro Histórico, estão alguns do mais importantes pontos turísticos: o Mercado Público, a ponte Hercílio Luz, museus, igrejas e teatros. Essencialmente comercial, é uma área com vida intensa apenas nos horários e dias úteis. “Apesar da rede de infra-estrutura instalada e farto equipamento urbano, falta estruturação do transporte coletivo, o que gera um grande adensamento de veículos e espanta os moradores para outros bairros”, afirma Olavo Kucker, diretor de Meio Ambiente do Sinduscon da Grande Florianópolis.

Já a Beira-Mar Norte, oficialmente a avenida Rubens de Arruda Ramos, apresenta outra realidade com prédios residenciais que valem pequenas fortunas. Nessa porção nobre de Florianópolis, de acesso às universidades e aos bairros das regiões leste e norte da ilha, a valorização imobiliária chega a 20% entre a planta e a entrega do imóvel. “É o que há de melhor na cidade: apartamentos de alto padrão para um público formado, inclusive, por estrangeiros”, explica Rubens Araújo, gerente comercial da imobiliária Carmela, uma das mais tradicionais da cidade.

O Centro marca o início da história de Florianópolis. Foi ali que, em 1675, o bandeirante paulista Francisco Dias Velho deu início ao povoamento da então chamada Vila de Nossa Senhora do Desterro. Navios mercantes passaram a ancorar na ilha e a população não tardou a crescer. Milhares de açorianos desembarcaram na região, fixando moradia no entorno. Somente com a inauguração da Ponte Hercílio Luz, em 1926, o bairro desenvolveu-se em sua totalidade, já que, até então, o acesso se dava apenas por mar. Desativada desde 1991, a ponte é hoje o principal cartão postal de Florianópolis e passa por reformas. O crescimento da população exigiu grandes obras de infra-estrutura, como a construção das pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos, inauguradas em 1975 e 1990, respectivamente, e o aterro da Baía Sul, afastando o mar do prédio do Mercado Público. Nesta nova área foram erguidos um centro de convenções, terminais urbanos e um elevado, de acesso ao Sul da Ilha.

Positivos

Localização central

Comércio forte e diversificado

Bela vista da orla

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Negativos

Fluxo rápido e intenso de veículos

Congestionamentos

Poucas áreas de lazer

Transformação radical

Zilma Bittencourt, de 70 anos, sempre morou no bairro e lembra com saudades da infância na rua Bocaiúva, quando tinha a praia como quintal de casa. “Era uma maravilha. Papai tinha um barco e nos levava para passear”, conta.¿ Casada, mudou-se há três décadas para onde é hoje a Avenida Beira-Mar, e acompanhou a transformação da região. “O trânsito era terrível, intenso. Demorava 20 minutos para conseguir sair com o carro daqui”, diz dona Zilma. Com a construção da avenida, sobre um aterro de quase 40 metros de praia, as vias marginais facilitaram a vida dos moradores. O fluxo de veículos, porém, é cada vez mais intenso. “Já aprendi a conviver com o barulho. Eu adoro a paisagem e adoro viver aqui. Não me acostumaria em outro lugar”, sintetiza.

O Centro tem em torno de 42 mil moradores e uma população flutuante que triplica nos dias comerciais. São os trabalhadores das lojas, hotéis e restaurantes estabelecidos na região. Quem mora na área mais popular do Centro beneficia-se com alugueis mais baratos. A maioria é de casais sem filhos, jovens solteiros ou estudantes, que precisam estar próximos ao trabalho e às faculdades. A falta de segurança, principalmente à noite, quando o comércio fecha, e os congestionamentos espantam quem prioriza qualidade de vida. Já na outra ponta do bairro, nas imediações da Avenida Beira-Mar Norte, a qualidade de vida é o grande atrativo. A proximidade com o mar, a facilidade de acesso, o shopping e os diversos colégios da região, atraem famílias de maior poder aquisitivo, inclusive de estrangeiros. ¿

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