Depois de dois anos alugando uma casa na região, a jovem família carioca – fã da atmosfera de vila de pescadores da praia de Manguinhos – começou a procurar um imóvel ali para comprar. “A vista é linda e tínhamos uma relação afetiva com o lugar, mais isolado e tranquilo. Não há muitos turistas e o movimento é só dos moradores locais”, conta a proprietária. Quando souberam que a construção vizinha estava à venda, não perderam tempo: fecharam negócio imediatamente. “Encontramos algo com potencial e ótimo espaço, apesar do jeito urbano e dos interiores escuros”, conta ela. “A reforma era inevitável e sabíamos o que resgatar: o encanto e a leveza do estilo típico do balneário de Búzios”, diz. O arquiteto Mauro Cid foi convocado e, em poucos meses, conseguiu trazer novos ares a este canto delicioso da costa fuminense. “Mexemos especialmente nas esquadrias e nos revestimentos internos, mantendo a planta original. Mas a diferença foi enorme”, afrma ele.
André Nazareth
A fachada de tijolinhos maciços ganhou tinta acrílica branca acetinada (Toque de Seda, da Suvinil).
Voltada para o anexo de hóspedes, a porta de entrada (1,40 x 2,20 m) deixa à mostra a sala e a varanda. Piso revestido com Tecnocimento Classic e resina Proseal (NS Brazil).
Quando os painéis (uma janela fxa de 1,20 m e quatro folhas de correr de 1,35 x 1,75 m, da Marcenaria Maia) se abrem, a área externa e a sala de estar se tornam um ambiente único. A piscina antiga foi renovada com uma borda de pedra são tomé (Bellas Pedras).
Criado para sombrear a varanda e proteger a fachada, o pergolado emprega toras rústicas de eucalipto (de 15 e 5 cm de diâmetro, da Poleto Madeiras), protegidas com stain incolor (serviço do empreiteiro Epitácio Santana). Deck de cumaru parafusado em barrotes.
Na sala de jantar, a parede de tijolinhos foi montada 15 cm à frente da alvenaria existente. “Assim, escondemos os pilares metálicos estruturais que haviam ali”, explica Mauro. Os tijolos de 20 x 10 x 5 cm, fornecidos também pela Bellas Pedras, receberam tinta igual à usada nas paredes externas.
O terreno com 12 m de frente e 60 m de comprimento (718 m2) defniu a confguração da casa, dividida em dois pavimentos e com estar, cozinha e varanda voltados para a praia. “Confortável e privativa, a suíte do casal ocupa todo o segundo piso”, conta Mauro. Área: 280 m2. Ano do projeto de reforma e conclusão da obra: 2012. Projeto: Mauro Cid. Construção: Cid Leme. Construção Civil. Empreiteiro: Epitácio Santana. Paisagismo: Cristina Isnard.
Nos fundos, onde havia um depósito, foi criado um anexo independente para hóspedes com 55 m2, dois quartos e uma varandinha com pergolado de eucalipto. “os tijolinhos e as esquadrias de madeira pintados foram repetidos, assim há unidade e harmonia estética em todo o conjunto”, acrescenta ele.
Cobertura rústica. Toras de eucalipto (15 cm) chumbadas na alvenaria do anexo desenham uma estrutura leve (5,20 x 4,70 m, com 2,10 m de altura) que se apoia também nos pilaresforrados com tijolos maciços. Sobre essa base, bastou espaçar (10 cm) as varas de 5 cm da mesma madeira (pregadas nas inferiores) e cobrir tudo com vidro laminado (8 mm).
Uma parede solta (1,80 x 1,90 m) de alvenaria impede a visão da cozinha para quem entra na casa. “Ficaria pesada se fosse até o alto”, diz Mauro. “O teto irregular, revestido com lambri, foi mantido, porque é uma característica da arquitetura local”, explica.
Na suíte do casal, o piso antigo de lajotas cerâmicas ganhou uma demão de tinta epóxi branca (Wandepoxy, cor 9002, da Coral). Superclaro e arejado, o ambiente pedia um toque de aconchego, proporcionado pela textura dos tijolos maciços aplicados na parede atrás da cama.
Piso e bancada (2,40 x 0,60 m e 12 cm de espessura) foram cobertos com tecnocimento branco no banheiro da suíte. Detalhe curioso, os espelhos pendentes fcam presos no teto, diante da janela basculante (2 x 0,60 m). Tudo para garantir farta luz natural e vista do jardim.
Composto de tijolos maciços assentados sobre um contrapiso, o tapete (3,50 x 2,50 m) defne uma base rígida para a mesa. Com uma paisagem estonteante, o lugar é ponto de encontro para a família nos fns de tarde à beira-mar.
Se na parte de baixo o grande desafo foi clarear a estrutura original da casa, resgatando as típicas esquadrias azuis e adicionando muito branco aos revestimentos, no segundo pavimento esse mesmo tom relaxante prevaleceu. “Pensamos em refetir e valorizar o tom do mar. Tive que pintar todos os dormentes das esquadrias para que eles não pesassem no visual”, afrma Mauro. Esse clima gostoso e relaxado era exatamente o que os proprietários buscavam. Desde que a moradia fcou pronta, há poucos meses, eles marcam ponto ali todos os fns de semana, completamente encantados com o resultado. “É impressionante o quanto nos sentimos bem aqui. Um divertido programa em família é fazer o standup paddle [remar de pé sobre uma prancha grande] até a praia ao lado e, na volta, tomar uma caipirinha no jardim, cheio de palmeiras e árvores. Nesse momento vem aquela certeza de que toda a empreitada e o investimento valeram muito a pena”, completa a proprietária.