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Entrevista: Arthur Casas e seu jeito de projetar

O arquiteto paulistano fala dos projetos que o surpreendem e da sua preocupação com sustentabilidade

O jeito de ser da metrópole influenciou seu estilo cosmopolita, seu gosto pelo modernismo e seu apreço pela arquitetura de traços limpos – esta, um contraste com o dia-a-dia caótico que se desenvolve entre uma Marginal e outra. A edição de fevereiro de 2009 da revista Arquitetura & Construção trouxe um dos grandes projetos do arquiteto.

Em um bate-papo no elegante escritório que comanda no Pacaembu, bairro da zona oeste (a outra sede fica em Nova York, onde decidiu atuar há 10 anos), Arthur fala do que diferencia um projeto bom de uma proposta simplesmente correta e de sua facilidade para observar o entorno, detalhe que permite a plena interação entre as obras que assina e o cenário onde estão inseridas.

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Arquitetura & Construção – Você já reverenciou São Paulo como uma influência no seu jeito de projetar. De que maneira isso ocorre?

Arthur Casas – Sempre fui um observador bastante atento e tive o privilégio de crescer na época áurea da arquitetura paulistana. Treinei meu olhar com obras de nomes de peso, gente como o Artigas, o Rino Levi. Se você for um bom observador, São Paulo oferece uma enorme riqueza de informações. Ela dá mais liberdade ao arquiteto, não é uma cidade como Nova York ou Paris, onde a experimentação é menor. Infelizmente, temos poucos projetos públicos realmente bons.

 

Arquitetura & Construção O que torna um projeto bom?

Arthur – Sua capacidade de surpreender.

 

Arquitetura & Construção E quando um projeto surpreende?

Arthur – Quando tem um “algo a mais”, aquele detalhe que o diferencia. E quando falo em detalhe, não me refiro a invencionices. Mas veja bem, não há nada errado em ser meramente correto; o bom só se destaca porque existe o correto, e este é necessário. Uma cidade não pode nem consegue ser feita apenas de projetos bons.

 

Arquitetura & Construção – Dê um exemplo de bom projeto.

Arthur – O Museu de Arte Moderna de Nova York , principalmente depois da reforma comandada pelo japonês Yoshio Taniguchi. Ele é adequado à cidade, ao entorno, ao público e não tenta competir com o acervo.

 

Arquitetura & Construção– E como você aplica esses conceitos em seus trabalhos?

Arthur – Inicio sempre pela busca de uma identidade. Uma proposta precisa se afinar com o que existe ao redor e dialogar com o público que vai receber. O arquiteto deve entender o propósito da construção, não ignorar o que há em volta e o perfil das pessoas que vão utilizá-la. Quando desenhei a loja do Alexandre Herchcovitch em Tóquio, pesquisei o estilo de vida dos japoneses e soube que eles adoram “descobrir” lugares escondidos, que não há necessidade de utilizar aquelas enormes vitrines que temos no Brasil, por exemplo. Daí surgiu a ideia de um caixote fechado com brises, que só deixa entrever o que há lá dentro. Depois dessa etapa de identificação, busco os materiais mais adequados, penso em cores e acabamentos.

 

Arquitetura & Construção E a sustentabilidade, é uma preocupação sua?

Arthur – Ela se tornou uma preocupação há uns cinco ou seis anos. Essa é uma questão relativamente nova para o mundo todo. Mas precisa ser levada muito a sério, e não apenas no que diz respeito a materiais. Não adianta escolher madeira certificada se você não leva em conta o transporte até lá, o impacto que a obra vai causar na região, o desperdício de material que pode ocorrer por falta de mão-de-obra treinada. Toda arquitetura agride a natureza de alguma forma, mas, do meu jeito, tento não atrapalhar a paisagem.

 

Arquitetura & Construção Você se definiria como um arquiteto contemporâneo?

Arthur – Minha arquitetura é bastante contemporânea, mas valorizo uma linguagem que exprima o momento que estamos vivendo. Se hoje se fala em sustentabilidade e economia de mão-de-obra, meus projetos têm de refletir essa vertente. Não se trata apenas da forma.

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