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Arquitetura para a arte: um bate-papo sobre o Whitney Museum of American Art

A arquiteta Elizabetta Trezzani, do escritório do italiano Renzo Piano, fala sobre o projeto do Whitney Museum of American Art na entrevista abaixo.

No último mês de maio foi inaugurada em Nova York a nova sede do Whitney Museum of American Art. Com projeto concebido pelo escritório de Renzo Piano, arquiteto responsável pelo Centre Pompidou de Paris, este edifício de 8 andares abriga a coleção de arte contemporânea destinada a artistas norte-americanos, além de possuir um auditório, terraços e uma estrutura de vidro e aço monumental, que se conecta com a cidade. A obra custou cerca de 42 milhões de dólares, tem 20.000 m² e promete mudar também o direcionamento do museu com o seu público. Em entrevista exclusiva a arquiteta Elizabetta Trezzani, parceira do escritório de Piano há 17 anos e uma das responsáveis pela obra, fala sobre suas impressões do projeto e suas principais características arquitetônicas.

O que foi mais interessante em poder projetar um edifício como esse?

Foi muito importante resgatar a história do Whitney, desde sua fundação, em 1930. Eles estavam instalados no Breuer Building, no centro de Manhattan, que é hermético, cheio de complicações, o oposto deste novo e este prédio foi pedido depois que eles perceberam que precisavam de um outro tipo de espaço. Eles queriam uma proposta completamente diferente, que fosse aberto e se conectasse tanto no interior como com o exterior.

Existiu algum requisito específico a pedido do Whitney?

Várias coisas que eles não tinham antes, como um auditório e mais circulação. No Breuer Building eles ficavam em um espaço completamente dividido, onde galeria e escritório não se conversavam e acabamos com isso aqui, colocando – os no mesmo patamar. O prédio está organizado de uma forma simples, com um core central, com os elevadores e um corredor pequeno que liga os lados norte e sul. O edifício tem bastante conexão com o exterior, com janelas de vidros e terraços, que vão contra a ideia de museus e galeria restritos. Temos uma enorme janela de vidro que dá para o Hudson River e terraços sobre o High Line Park, que garantem uma relação enorme com a cidade. A ideia é ter um diálogo contínuo entre o museu e o que está do lado de fora. Um museu não precisa ser fechado e no Whitney, mesmo quando dentro, você sente o que acontece lá fora. E especialmente no térreo, onde criamos uma galeria aberta, que será gratuita.

O prédio está localizado em uma região que foi revitalizada nos últimos anos e atualmente é fervilhante. A escolha foi proposital?

Eles estavam olhando pela cidade, viram uma série de terrenos e a cidade queria algum espaço por ali e o terreno tinha mesmo muito potencial, com o rio Hudson de um lado e o High Line do outro lado, coisas que nos inspiraram muito na hora de criar. Quisemos fazer alguma coisa que realmente remetesse ao que está ao redor, por isso usamos o aço, que vem do High Line e o vidro que remete ao rio e dá uma visão panorâmica da ilha.

Qual foi o maior desafio que vocês tiveram até colocar o prédio em pé?

Começamos o projeto em 2007, e a maior dificuldade foi a fachada. Como ela é muito grande e tem uma proporção quase de um para um, nos foi difícil encontrar mão de obra que a instalasse do jeito que queríamos e com cuidado.

O edifício é todo assimétrico, você poderia falar um pouco sobre isso?

Em volta do Whitney temos muitos prédios pequenos e o formato com a fachada inclinada e os terraços em diferentes níveis foi criado propositalmente para minimizar a sombra gerada ao redor.

O que você acha que as pessoas que trabalham no Whitney irão aprender com este novo prédio?

Eles irão aprender a desafiar o próprio prédio, que é muito flexível e tem inúmeras possibilidades de utilização. Onde tudo está junto e acontece ao mesmo tempo, com todos trabalhando juntos para tirarem o maior proveito daquilo que ele oferece. Tem um andar inteiro sem colunas e é todo conectado, livre e pode desde obras monumentais a performances.

 

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