Tire suas dúvidas sobre cimento queimado

O visual contemporâneo, o toque rústico e o preço convidativo vêm conquistando adeptos desse tipo de revestimento. Mas trincas são inevitáveis, o efeito manchado faz parte do pacote... e não é raro surgirem problemas. Saiba o que esperar e como se prevenir para não criar falsas expectativas - as perguntas mais comuns sobre o tema estão respondidas a seguir.

Por Por Bruno Versolato Atualizado em 14 dez 2016, 13h00 - Publicado em 2 Maio 2010, 14h04
Quando as rachaduras são causadas por problemas estruturais ou no contrapiso...

 

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Por que as casas antigas tinham o famoso vermelhão em ótimo estado e hoje em dia é difícil acertar ao fazer o cimento queimado?

 

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No passado, esse acabamento era muito utilizado nas construções do interior. A questão é que antes as casas tinham estrutura mais robusta, os pisos eram feitos por pedreiros habilidosos, que dominavam a técnica e dispunham de tempo para esperar a cura do cimento, diz o arquiteto paulista Gustavo Calazans. E se aparecia uma trinca ou outra ninguém notava. Fazia parte do efeito rústico, brinca o engenheiro paulista Marcos Penteado. Hoje em dia, com outros prazos e sistemas construtivos, erros e má execução não são raros. Cimento queimado é como bolo feito em casa: cada um tem uma receita, mas nunca sai igual ao da confeitaria, prossegue Gustavo, explicando que uma série de variáveis pode influir no resultado final. Os problemas mais comuns são trincas (causadas pela umidade insuficiente da massa ou por movimentações na estrutura da moradia), manchas (adotar areia fina, clara e lavada na mistura favorece um resultado mais homogêneo) e porosidade (contra isso, o ideal é alisar a massa com desempenadeira até desaparecerem as bolinhas de ar presentes na massa).

O que esperar deste revestimento?

 

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Pequenas trincas são comuns. Não tem alternativa. Mesmo que muito benfeito, cimento queimado sempre apresenta uma trinquinha. Faz parte do processo artesanal, do charme. Se você não aprecia isso, não faça em sua casa, diz o arquiteto paulista Flávio Butti, sócio de Alice Martins. Para ele, o ponto-chave é a informação: não dá para adotar esse tipo de acabamento esperando um resultado homogêneo. Isso diz respeito também à coloração. Afinal, o efeito levemente manchado é outra característica natural, resultante da diferença de concentração do pigmento na massa.

O que costuma dar errado e gerar trincas?

 

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Primeiro, é preciso diferenciar trincas de rachaduras, fala Flávio. Trincas finas, assimétricas e espalhadas pelo piso de maneira relativamente uniforme são comuns, causadas pelo movimento de expansão e retração do cimento queimado que é mais intenso do que o do contrapiso. A queima é feita com cimento quase puro, e, quanto mais cimento, maior o coeficiente de retração, explica Marcos Penteado. O contrapiso contrai menos, acrescenta. Algo bem diferente são as rachaduras grandes, parecidas com as de parede. Muitos fatores influenciam na qualidade final do revestimento monolítico, mas a principal é a cura, explica Gilberto Cavani, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). A cura do cimento é o processo de secagem da massa. Quanto mais lenta, menor o risco de aparecerem trincas e rachaduras. A massa do cimento sempre contrai depois de seca. Quando isso acontece de maneira muito rápida, aparecem as rachaduras. Uma saída caseira é saturar o ar do ambiente com um umidificador doméstico. Na hora de queimar o piso, feche tudo portas e janelas e ligue o umidificador por dois ou três dias. Assim, o ar ficará saturado de partículas de água e a secagem será mais lenta, diz Gilberto. Outra saída, de acordo com o engenheiro Rubens Curti, da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), é aplicar resinas com base acrílica, que retardam a cura do cimento, por cima da massa ainda úmida.

O contrapiso é um ponto crítico?

 

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É fundamental que o contrapiso esteja limpo, desengordurado e sem pó. Se houver trincas ou partes soltas, recomenda-se verificar a integridade de todo o resto com a ajuda de uma ponteira de aço. O cuidado se justifica: essa base tem como função nivelar, dar declividade ao piso e regularizá-lo. Em andares muito altos de prédios, onde naturalmente a estrutura se movimenta, o contrapiso pode apresentar pequenas trincas e isso se reflete no piso. Nesse caso, desaconselho o cimento queimado, afirma Rubens Curti.

E as juntas, como usá-las?

 

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O ideal, para atenuar as trincas, é utilizar juntas de dilatação em intervalos de até 1 m. Prefira os modelos de plástico ou de metal, pois a madeira se deteriora, juntando bactérias e fungos. Outra vantagem das juntas de dilatação: em caso de erro na execução, é possível recortar a área em que aparecem as rachaduras e refazer o piso só nesse trecho. Também vale desenhar o piso com faixas de cerâmica, ladrilhos hidráulicos, pedras, que permitem fazer o mesmo tipo de reparo. “Fica charmoso. Mas nunca será igual ao restante, alerta Flávio Butti.

É inevitável surgirem manchas?

 

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Para o desespero dos perfeccionistas, elas são comuns no cimento queimado e costumam ficar mais visíveis com o passar do tempo. No antigo vermelhão, cera em pasta e esfregão uniformizavam o tom. Mas, com tantas cores no mercado, é difícil manter a tonalidade irretocável. Empregue areia fina, clara e lavada na mistura para um resultado mais homogêneo, mesmo no caso de massas coloridas. Para evitar manchas de bebidas ou óleo, aplique duas demãos de verniz à base de água logo após a cura antes do uso do piso.

O cimento precisa de acabamento?

 

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O piso deve ser selado. Cimento queimado é muito poroso. Água, gordura, tudo isso pode infiltrar, gerar manchas e até fazê-lo soltar do contrapiso, afirma Gustavo Calazans. Em seguida, vale aplicar resina para impermeabilizar. Só escolha cuidadosamente o tipo para não ter um piso com aspecto plastificado ou um revestimento indevidamente protegido e, no caso de cimento colorido, adote um produto com filtro contra raios ultravioleta.

E as misturas semiprontas?

 

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Há no mercado quem ofereça o preparado em diversas cores e indique mão de obra qualificada para a colocação. Em geral, essas empresas vendem o cimento polimérico, que tem um aditivo para maior elasticidade e aderência do cimentado. A NS Brazil, de São Paulo, oferece ainda o Tecnocimento Classic, de textura menos porosa e que dispensa juntas. O material leva fibras sintéticas e pó de limestone (mais fino que o mármore) entre os ingredientes. A aplicação é parecida com a de textura para parede, ou massa corrida, comenta Gustavo, que, em nome da praticidade, prefere os kits prontos às receitas caseiras.

Receita de especialista

 

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Receita fornecida pelo engenheiro Marcos Penteado

– Limpe o contrapiso. Com adesivo acrílico do tipo Bianco (Vedacit/ Otto Baumgart), fixe as juntas de dilatação (4 mm) nessa base.

– Com o contrapiso quase seco, passe uma demão de adesivo e aguarde 20 minutos. No mesmo dia, aplique, com brocha, a massa de cimento queimado (uma parte de cimento em pó, duas de pó de mármore, cerca de duas partes de água e uma parte de Bianco. Adicione o pigmento Pó Xadrez, da Lanxess, até chegar à cor desejada a massa deve ter consistência homogênea e pastosa). Espere algumas horas para secar.

– Coloque a massa até alcançar a altura das juntas de dilatação.

– Nivele com régua ou desempenadeira de madeira. Use a desempenadeira de aço para corrigir as imperfeições essa é a chamada queima do cimento. Aguarde três dias. Depois, lixe para eliminar as saliências. Aguarde outros sete dias para a cura da massa. Por fim, aplique resina ou verniz e espere mais um dia.

Quem vende*

 

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Dalle Piagge. Cimento polimérico (3 mm), em 60 cores. De R$ 23 a R$ 29 por m2. Indica aplicar resina acrílica 611, incolor e fosca.

NS Brazil. Tecnocimento Street (3 mm), em oito tons (a partir de R$ 45 o m²), que vai bem em exteriores. Também vende o Tecnocimento Classic (2 mm), em 16 cores, que dispensa as juntas. A partir de R$ 55 o m². Ambos incluem o impermeabilizante.

Ladrilar. Cimento polimérico (3 mm), em 32 cores. De R$ 22 a R$ 31 o m². Exige juntas de dilatação a cada 1,20 x 1,20 m e resina à base de água (ambas à parte).

* Exceto onde indicado, o preço do material varia conforme a cor, e é necessário adotar juntas de dilatação e aplicar resina protetora à parte. A mão de obra indicada pelos fabricantes cobra entre R$ 25 e R$ 35 por m².

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