Ohtake, Angela Roldão, SuperLimão e Grupo SP contam como foi a seleção das paletas

Você já navegou pela seleção de 33 acabamentos que acompanham as paletas de cada profissional na galeria de fotos. Agora, vai descobrir como cada um dos escritórios selecionou suas cores abaixo.

Por Por Danilo Costa, Deborah Apsan, Edson G. Medeiros e Piero Rossini (assistente) Fotos: Carlos Piratininga Atualizado em 14 dez 2016, 12h31 - Publicado em 8 jul 2010, 14h36

Até o final do século 19, a tonalidade dos materiais definia o visual cromático da arquitetura, especialmente nas fachadas. Hoje, o tema ganhou relevância quando a tecnologia passou a oferecer novos materiais para colorir as construções. “São inúmeras as maneiras de pensar e abordar a cor”, afirma o arquiteto e estudioso da área João Carlos de Oliveira César, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). A diferença entre adotar um revestimento ou preferir que um material como o concreto dê o tom na construção é comentada pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas no livro Colours (editado pela suíça Birkhäuser): “Há as cores que fazem parte de um material ou substância, que não podem ser alteradas, e as artificiais, que são aplicadas e mudam a aparência das coisas”. Cada arquiteto tem seu jeito de colorir os espaços. Mas é possível identificar quatro grandes grupos no uso da cor. Um deles elege a paleta da natureza. Outro aposta na associação inusitada de tons para obter efeitos cenográficos. Há o que se identifique com o modernismo, que retira cor dos próprios elementos construtivos. Por fim, tem-se o que adota a livre associação de matizes, em uma inquieta busca por inovação.

Conheça cada um dos grupos:

Ângela Roldão: ligação com a natureza

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Nesta era tecnológica, há um movimento na arquitetura que busca a integração com a paisagem para trazer aconchego e reforçar a ideia da casa como casulo. Ele elege materiais naturais, como madeira e palha. “São trabalhos mais formais, com tom sobre tom e nuances do marrom ao verde”, fala a consultora de cores Fernanda Dall’orto, de São Paulo. “Arrisca-se menos, mas é esse tipo de obra que melhor ransmite a sensação de calor ao espaço”, completa. Assim é a linha da arquiteta mineira Ângela Roldão, que usou granito e angelimpedra para levar conforto ao corredor deste apartamento em Belo Horizonte. “A arquitetura precisa de poucos elementos, tem de ser silenciosa e simples. Quem a faz atrevida é o jogo de sombra e luz”, diz Ângela.

SuperLimão e os efeitos cenográficos

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Quando a arquitetura e a cenografia caminham juntas, as cores podem surgir de materiais inusitados. Já pensou em ter em casa um forro de espuma plástica roxa ou uma mangueira translúcida no lugar de calha? Essas são as técnicas para quem quer dar um visual lúdico as àreas. Os profissionais que seguem essa linha (intencionalmente ou não) têm coragem de adotar nuances chocantes, como fúcsia e berinjela, e de mesclar tons. “Numa reforma, aproveitamos o que há no espaço e montamos nossa paleta a partir daí”, diz o engenheiro Lula Gouveia, do SuperLimão Studio, de São Paulo. Neste quarto de criança, o grupo criou nichos divertidos (20 x 20 x 39 cm) que também são degraus da escada do tipo santos dumont.

Grupo SP: na trilha do Modernismo

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Esse movimento, que evidencia as formas e os recursos construtivos, tem na Escola Paulista um momento de concretização dos seus ideais no Brasil. Liderada na década de 50 pelo arquiteto Vilanova Artigas (1915-1985), ela influenciou gerações, como a de Alvaro Puntoni, que capitaneia o escritório Grupo SP. “A cor advém do próprio material e precisa ter uma função no projeto”, explica o profissional, autor do projeto desta moradia na zona oeste de São Paulo. Inteira modular, ela foi concebida em função dos blocos de concreto (40 x 20 cm) mantidos à vista. Na paleta dos modernistas, aparecem os cinzas, e o branco costuma ser o carro-chefe, acompanhado de poucas nuances, em geral das cores primárias.

Ruy Ohtake e a livre associação

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Mescle cores intensas, novos materiais e formas desiguais. Esse é o tom de quem persegue a inovação. “A cor pode vir dos recursos aplicados ou dos materiais”, explica o professor João Carlos. Da arquitetura espanhola, ele cita o Museu Guggenheim de Bilbao, projeto do americano Frank O. Gehry com painéis de titânio. No Brasil, temos o arquiteto paulista Ruy Ohtake. “Ele está sempre atrás de materiais diferentes, como fez com o hotel Unique, coberto de placas de cobre pré-oxidadas”, fala João. Ruy criou esta casa multicolorida em São Paulo. “Gosto do que é instigante. As pessoas podem aprovar ou não, só não podem passar indiferentes”, diz ele. “A cidade está cinza demais. Cor é entusiasmo”, completa.

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