Sotaque da terra

Gerson Castelo Branco, vencedor na categoria Projeto Arquitetônico, encontrou soluções originais na construção de sua casa numa serra a 350 km de Fortaleza. Aproveitou materiais da região, valorizou técnicas artesanais e explorou a iluminação e a ventilação natural

Por Redação Atualizado em 21 dez 2016, 00h27 - Publicado em 2 nov 2006, 19h40
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Arquiteto: Gerson Castelo Branco

Localização: serra a 350 km de Fortaleza

Por que é ecológica: materiais da região, técnicas artesanais, iluminação e ventilação natural.

Com troncos de carnaúba, Gerson estruturou toda a construção. O telhado, no formato de asa-delta, foi a primeira parte a ser feita. Recebeu forro de talos de babaçu e cobertura de telhas Onduline, feita de papelão reciclado.

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Ar e luz bem aproveitadosA natureza participa da casa em todos os sentidos. Não só com o aproveitamento da vegetação nativa, a exemplo da palmeira de babaçu, mas com a valorização de outros recursos, como ar e luz. Na área social, no segundo piso, a construção utiliza a ventilação cruzada. Ali Gerson projetou portas pivotantes de vidro, varandas e vãos entre junto à cobertura. Isso também facilita a entrada da luz do sol.

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“As andanças pela Cordilheira dos Andes, durante um tempo, mudou meu jeito de olhar a vida. De volta ao Brasil, optei por morar numa aldeia de pescadores onde ensaiei os primeiros passos em direção a uma arquitetura artesanal, batizada por mim de Paraqueira Brasileira. É um novo estilo de construir que resgata as raízes culturais do país por meio do uso dos materiais que estão mais à mão. Essa proposta tomou corpo com a construção dessa casa, perto de Fortaleza, no alto de uma serra, lugar onde eu havia avistado dois arco-íris paralelos antes de comprar o terreno. Dizem que onde tem arco-íris, tem ouro. Lendas à parte, tomei isso como um bom sinal. A casa fluiu como se conversasse com o meio ambiente. Os recursos para fazer a obra estavam todos ali. Os talos de babaçu – em abundância na região – foram usados como divisórias, forros e fechamentos de teto. Aproveitei madeiras de demolição, encontradas nas redondezas, para fazer o piso. As pedras achadas no caminho formaram as paredes e a carnaúba entrou nos vigamentos. Como sou um artesão por excelência, o processo construtivo foi artesanal: pedras cortadas manualmente e carpintaria trabalhada com ferramentas tradicionais. A casa nasceu assim: de cima para baixo – a partir do telhado – com pé direito de 12 m para abrigar os três pavimentos, integrados por uma escada. O terceiro piso ficou reservado às camarinhas, como chamo os quartos de dormir, e à suíte com acesso ao mirante. No segundo, fiz o estar, e cantos para leitura. A casa ficou funcional, totalmente incorporada à natureza.” – Gerson.

Na suíte, o dossel fica pendurado no madeiramento da cobertura por cabos de ... As camarinhas – nome dado por Gerson aos quartos – trazwm para a casa um p... Todas as madeiras usadas na casa dispensam tratamento. Segundo Gerson, o cupi...

Dicas de como utilizar o babaçuOs talos devem ser retirados da palmeira na lua minguante. Recomenda-se armazená-los em lugar coberto para evitar contato com chuva e o conseqüente mofo. Para montar os painéis, os talos são fixados uns aos outros com pregos. O produto tem uma película protetora natural que dispensa tratamento contra o ataque de insetos.

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