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Sobrado com ateliê, solário e ampla cozinha

Dois arquitetos aproveitaram espaços como cantos, passagens e até a lavanderia para estender os ambientes internos.

As conversas da dupla com o cliente começaram tímidas, sem prever gestos mais ousados, e giravam em torno da reforma de uma velha construção localizada num bairro nobre de São Paulo. Mas o plano foi abandonado diante das vantagens de demolir e encarar uma obra a partir do zero. Abaixo, você pode ver as fotos por trás dessa treliça

“Numa reforma grande, nós estimamos os gastos, porém – desconhecendo estruturas, fundações e instalações – só descobrimos a situação real ao quebrar as paredes”, argumenta o arquiteto paulista Cristiano Kato, que trabalha em parceria com o sócio, Alan Chu. Os custos foram um argumento importante, mas os ganhos que um novo projeto traria convenceram de vez o proprietário do imóvel a encarar a empreitada completa, em 2005. “Daria para obter uma insolação melhor, conexão entre os espaços e ainda criar um solário, uma ampla cozinha e um ateliê”, continua Cristiano, referindo-se às qualidades arquitetônicas e também aos ambientes pensados na medida exata para os hábitos do cliente: ioga, gastronomia e pintura. Traçados os rumos, as linhas do sobrado surgiram sem dificuldades: 270 m² de área, o máximo permitido no lote de igual medida. Do estudo inicial até a versão definitiva, houve poucas alterações. Apenas a lavanderia passou do térreo para o subsolo, a fim de liberar espaço e obedecer aos recuos previstos na legislação.

O grande risco para uma casa concisa – ocupar excessivamente o solo e assumir uma forma pesada, pouco transparente – foi inteligentemente contornado. Leveza e fluidez viriam a ser, justamente, importantes atributos da moradia dotada de pátios repletos de verde, painéis envidraçados e espelho-d’água. Uma construtora indicada pelos arquitetos se encarregou da obra. Eles também acompanharam os serviços durante os 12 meses de trabalho – período em que o cliente viajou bastante e deixou a supervisão por conta da dupla. “Ficamos satisfeitos porque hoje o proprietário diz que não há um único espaço sem uso na construção”, conta Cristiano. O morador, por sua vez, completa: “A casa é relativamente pequena, mas muito articulada. Abro o painel no meu quarto e vejo a sala e o jardim. Olho para o outro lado e enxergo o escritório. É muito bom conciliar momentos de aconchego com a sensação de uma perspectiva maior”.

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