Reforma de ap de 97 m² explora a marcenaria como elemento multifuncional
Marcenaria foi pensada para distribuir o layout, estabelecer relações entre os ambientes e propiciar novas possibilidades de uso dos espaços
Foi pensando em otimizar o espaço e contribuir para uma percepção de maior amplitude que a arquiteta Duda Senna conduziu a reforma deste apartamento de 97 m², em Pinheiros, São Paulo, projetado para um casal.
A intervenção eliminou algumas divisões originais e revelou uma configuração em que sala de TV e jantar, além da cozinha e área gourmet, se relacionam diretamente, enquanto a marcenaria desempenha diferentes papéis ao longo da morada – desde a organização do hall à criação do home office.
O primeiro contato com o apartamento acontece pelo hall de entrada, que surpreende com o rosa nas paredes e porta em um tom desenvolvido especialmente para se alinhar com a laca presente na marcenaria e entregar continuidade. Armários com puxadores internos preservaram as superfícies com a redução da interferência visual da ferragem. Ademais, a marcenaria também incorpora nichos para objetos decorativos e áreas de apoio para bolsas, blusas, chapéus e outros itens de uso cotidiano dos moradores.
A intervenção mais significativa da planta aparece justamente nessa área de conexão. A parede que originalmente separava a sala de um dos quartos foi demolida para receber uma grande marcenaria multifuncional. Na concepção de Duda, a peça atua como painel para a TV, estante, apoio para a bancada de trabalho, armário embutido e ainda mimetiza a porta de acesso ao escritório. Na outra face, a mesma estrutura incorpora uma cristaleira e a lateral da geladeira.
Originalmente destinado para um dos dormitórios, o banheiro social foi reformulado e ganhou uma configuração com características de lavabo. A bancada com cuba de embutir com deck, bica e acionamento posicionados na saia da cuba esculpida foi uma solução que concentrou os elementos hidráulicos em uma leitura contemporânea e clean.
Na sala de TV, o sofá ocupa praticamente toda a extensão disponível e divide espaço com uma poltrona, ampliando o número de assentos.
No layout da sala de jantar, a mesa, com suas cadeiras de assento estofado vermelho, se alinha com o quadro acima do aparador em uma teoria conhecida como ‘ponto vermelho na decoração’ ou ‘vermelho inesperado’. De acordo com Duda, a proposição sugere que o uso de elementos com nuances da cor entrega um ponto focal para o ambiente, além da personalidade por meio do contraste e o visual marcante. A estratégia pode aparecer em objetos, almofadas, vasos, livros, luminárias, quadros ou peças de mobiliário.
Passando para a cozinha, a marcenaria se destaca pela convergência dos acabamentos Carvalho Malva, da Duratex, a laca rosa e a extensão do branco ripado onde estão a torre quente e a geladeira que advém da cristaleira. Os cantos arredondados despontam tanto nos móveis, quanto na bancada da pia e na península com cooktop de indução e banquetas para refeições rápidas. Para manter a unidade, a estética do porcelanato escolhidos para as paredes e frontão foi reproduzida no granilite usado nas bancadas.
Compacto e eficiente, o espaço gourmet surge como uma extensão da cozinha tanto pela linearidade, como pelo conceito dos materiais. A pequena cuba de apoio que serve a churrasqueira apresenta um ‘pulo do gato’: inserida na península da cozinha, um tampo foi inserido para que ela seja acessada apenas quando for conveniente.
A suíte do casal aproveita o corredor de acesso como closet. O ambiente conta com paredes rosas e a cabeceira estofada foi posicionada na parede da janela para acompanhar a posição central da cama, entregar uma composição mais simétrica e favorecer a circulação.
O outro quarto, com apenas 7 m², foi pensado para abrigar um home office que pode ser convertido em quarto de hóspedes quando necessário. Por aqui, mais uma vez a marcenaria se revelou essencial para inserção da cama sob medida, os armários de correr e a bancada de trabalho.





