Paulo Mendes da Rocha apostou em cores vivas nesta casa de praia

Projeto de Paulo Mendes da Rocha nos anos 80, a casa teve suas cores fortes retocadas ao longo dos anos.

Por Reportagem: Denise Gustavsen Design: Marize Sciessere Fotos: Leonardo Finotti Ilustração: Fabio Flaks Atualizado em 19 jan 2017, 13h43 - Publicado em 4 nov 2011, 15h44

Da liberdade poética aliada ao pensamento cartesiano surgiu o projeto desta casa de praia no Guarujá, litoral sul de São Paulo, assinada por Paulo Mendes da Rocha. Concebida na década de 80 para um casal e seus cinco filhos, ainda guarda intacto o tom contemporâneo do desenho. Entre o imaginário sagaz do arquiteto renomado e a lógica estrutural que orienta a construção, sobressaem justamente os detalhes vindos de devaneios alegres, como as portas e portinholas tingidas de matizes fortes nos dois lados, descritas em verso e prosa pelo criador – “são típicas da roça”, graceja ele. Diante da fantasia solta, o arquiteto, vencedor em 2006 do Prêmio Pritzker (honraria máxima da arquitetura mundial), imaginou um “bunker” fechado por muxarabiês na ala íntima dos filhos, onde beliches sustentados por correntes de metal emprestam certo ar náutico à morada. A caixa d’água, posicionada na cobertura como se fosse a vela em riste de um barco, só evidencia essa inspiração um tanto lúdica. “A graça da casa vem da indizível interpretação da arte popular”, filosofa Paulo. De fato, além do layout prosaico das portas, a grande cobertura de concreto pousa sobre os pilares externos sem tocar as paredes internas, numa concepção que se assemelha à de algumas construções populares. Graças a esses vãos e às aberturas generosas, por onde corre ventilação constante em todas as direções, esta é uma casa que respira. Por tais espaços, a luz natural também se esgueira pelos ambientes e garante bem-estar.

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