O comprador de imóvel busca acolhimento, não apenas uma casa

Por por Karina Yamamoto Atualizado em 20 dez 2016, 22h34 - Publicado em 11 set 2007, 22h17
salão do imóvel

“O consumidor não compra uma casa, compra acolhimento” – a citação do publicitário Luiz Lara, um dos sócios da agência de publicidade LewLara, resume os anseios dos compradores de imóveis. O profissional esteve na manhã de hoje (11/09) na sede do Secovi palestrando aos vencedores do Prêmio Master Imobiliário 2007. (Quer conhecer outras tendências do morar? Veja esta reportagem!)

O resultado da premiação mostra os rumos desse mercado, que se encontra em momento privilegiado com a estabilidade econômica e abertura de capital. Os empreendimentos premiados, os conceitos de marketing do setor e as inovações tecnológicas apontam os desejos do consumidor. “O consumidor não compra mais um endereço, ele compra um sonho, um conceito de proteção social”, discursou Luiz Lara. “Além do terreno bem escolhido, da construção de qualidade e do atendimento impecável, o mercado imobiliário precisa se reinventar e apresentar conceitos e novas ferramentas de mídia e relacionamento.”

Para o publicitário, as escolhas de imóvel são emocionais. “As pessoas encontram argumentos racionais para justificar a compra do imóvel, mas a decisão é emocional”, disse Lara. O publicitário citou uma pesquisa cuja pergunta era: O que deixa o brasileiro feliz? A casa própria era o segundo item com 67%, perdendo apenas para a saúde que detinha 83% da preferência. “A casa própria ganha na preferência em relação ao casamento feliz, que tem 44%”, apontou Luiz Lara. “Bem, talvez sem casa própria seja mais difícil ter um casamento feliz…”, brincou o publicitário.

A divulgação dos vencedores do Prêmio Master Imobiliário 2007, que se seguiu à palestra do sócio da agência de publicidade, apontou também caminhos que esse mercado tem trilhado para atender aos anseios dos consumidores. Veja abaixo algumas características comuns aos vencedores:

Confira galeria de imagens dos empreendimentos vencedores, clicando aqui.

– Criação de novos bairros ou áreas urbanas

Os moradores buscam segurança e conforto. E o mercado imobiliário tem respondido à altura. “Tem se firmado como tendência projetos em grandes áreas, uma formulação que nos permite atender aos anseios dos consumidores”, disse ao Casa.com.br, o presidente do júri, Luiz Carlos Pereira de Almeida. Um exemplo extremo dessa tendência é o Villa Flora, da Rossi Residencial S/A, em Sumaré, no interior de São Paulo. O empreendimento, iniciado há oito anos, é hoje um bairro consolidado com 31 condomínios concluídos. “Único no Brasil, o Villa Flora é modelo de preservação ambiental”, considerou o júri.

Em alguns casos, o empreendimento traz nova vida a uma área degradada ou pouco valorizada, como o Resort Tamboré (da MPD – KC, vencedor na categoria empreendimento), que mudou o cenário do entorno do empreendimento. Na capital capixaba, o Victoria Bay (da Rossi Residencial S/A, vencedor na categoria profissional comercialização) se voltou para uma área na orla de Vitória que estava esquecida pelo mercado imobiliário e “resgatou a região com um produto qualificado e uma estratégia de comercialização sofisticada”, segundo palavras dos jurados. Também se destacam o Arquitetura de Morar (da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, vencedor na categoria profissional marketing), que está se propondo a requalificar uma área esquecida no Jardim Sul e o Central Park Mooca (da Cyrela Brazil Reality, vencedor na categoria profissional comercialização) que está mudando a paisagem da zona leste paulistana.

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Aparecem também iniciativas de recuperar áreas centrais e degradadas, como o Quartier Carioca (CHL Desenvolvimento Imobiliário, vencedor na categoria profissional marketing). “O mercado está mais que ávido por locais em que os seus compradores precisem se deslocar menos, que tenham boa infra-estrutura, mas é muito difícil por conta da falta de vontade política do Poder Público que cria obstáculos intransponíveis”, alfineta Luiz Carlos.

– Lazer no quintal de casa

Um dos premiados na categoria empreendimentos, o Resort Tamboré, da MPD – KC, é o modelo dos empreendimentos chamados de condomínio-clube. Por comodidade e segurança, os moradores têm um verdadeiro clube dentro do empreendimento que ocupa 35 mil m² em Tamboré. Segundo o júri, o projeto é “inovador na sua área de influência”, uma vez que foi implantado numa região de “difícil ocupação”, ainda na opinião da comissão julgadora.

Também trazem esse conceito o vencedor brasiliense na categoria residencial SQB – Super Quadra Brasília, da JCGontijo Engenharia S/A , o vencedor carioca na categoria marketing Quartier Carioca, da CHL Desenvolvimento Imobiliário, o vencedor baiano na categoria marketing Barraporto, da Agra Empreendimentos S/A e ARC Engenharia Ltda, o vencedor capixaba da categoria marketing Victoria Bay, da Rossi Residencial S/A, o vencedor paulistano na categoria comercialização Central Park Mooca, da Cyrela Brazil Realty, Lúcio Engenharia, MAC e Eugenio Publicidade.

– Escritório perto de casa

O exemplo dessa tendência que temos visto em São Paulo foi representada no prêmio por um empreendimento gaúcho, o Alphaville Gramado Empreendimentos Imobiliários, em que a empresa paulista levou o conceito de desenvolver um novo complexo urbanístico até a região de Gramado no Rio Grande do Sul. Segundo o júri, esse empreendimento, vencedor da categoria empreendimento, se destacou pela “busca de adequação às necessidades de um público específico”.

– Diminuir gastos do condomínio

Essa tem sido mais uma constante preocupação dos empreendedores do mercado imobiliário: criar produtos que tenham no seu DNA estratégias que assegurem economia de consumo de água e energia, além da escolha de materiais que peçam pouca manutenção no decorrer do tempo. Na categoria profissional inovação tecnológica, venceu a Techem do Brasil com sua experiência no desenvolvimento de um sistema de medição individual de água e gás. Segundo a empresa, o sistema gerou economia média de 55% de água e de 42% no consumo de gás. Os jurados elogiam: ” o medidor individual, possível de instalar tanto em prédios prontos quanto em construção, permitirá que os condomínios resolvam o problema de rateio das contas”.

– Produtos para outros bolsos

Com o aquecimento e a expansão do mercado imobiliário, as classes média e média baixa têm encontrado mais produtos que atendam sua exigência e caibam no seu bolso. Há cerca de cinco anos, o mercado estava completamente voltado para o produto de alto padrão. Vencedor na categoria profissional marketing, o Smile, seu espaço bem pensado, da Patrimônio Construções e Empreendimentos Imobiliários, em São Paulo é um exemplo dessa nova fatia de mercado que engorda a olhos vistos (Confira reportagem sobre o assunto da revista Arquitetura & Construção, clicando aqui). “Pensando bem na ocupação do espaço, dirigido a um público de classe média e média baixa, os apartamentos combinam acabamento de qualidade com diversas opções de plantas arquitetura elegante e muita área de lazer. Tudo isso a preços compatíveis com a realidade do consumidor do produto”, elogiam os jurados.

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