Mirandópolis: Casas pertinho do metrô

A avenida Jabaquara divide o bairro da Saúde de sua vizinha Mirandópolis. Aqui, o zoneamento garante a permanência de vilas e sobradinhos geminados, bem conservados pelos moradores

Por Da redação Atualizado em 20 dez 2016, 22h02 - Publicado em 4 dez 2006, 13h39
Um título para uma foto sem titulo

No início dos anos 2000, o mercado imobiliário tentou alavancar a construção de edifícios de alto padrão na região. “Mas o zoneamento e o perfil tradicional dos moradores limitam os investimentos”, constata Sérgio Ros, da construtora Tarjab, para quem Mirandópolis conserva a nobreza de regiões estritamente residenciais. Entre as avenidas José Maria Whitaker e Bandeirantes, só é permitido construir casas. Bem servido de metrô – há quatro estações, Santa Cruz, Saúde, Praça da Árvore e São Judas – ele também com hospitais, escolas e o shopping Santa Cruz na vizinhança. Se o acesso for de carro, as avenidas 23 maio e a Ricardo Jafet facilitam o dia-a-dia dos moradores. A primeira seção do bondinho, que fazia parada na bucólica Praça da Árvore, ainda vive na memória dos moradores antigos de Saúde e Mirandópolis. Hoje, mais de sessenta anos depois, o cenário é bem diferente. As ruas de terra e as árvores floridas deram lugar ao comércio e à estação do metrô Praça da Árvore. Do passado, só o Bazar Odete, a Casa Anita e a Casa Zilá permanecem para contar histórias. A paulistana Oliadyr Goldoni Sciessere, conhecida como Dona Fia, reside na rua Doutor Samuel Porto há mais de cinqüenta anos e conta causos que parecem roteiro de filme. “Todos os domingos, uma pessoa ficava na porta de uma farmácia escrevendo cartas para os retirantes. Desde 1940, a rua Carneiro da Cunha tornou-se um reduto nordestino, com saídas de ônibus para lá”, lembra Dona Fia. Sob a fachada de “turísticos”, esses veículos funcionavam como rodoviárias clandestinas, fechadas em setembro de 2006 pela sub-prefeitura de Vila Mariana, que fiscaliza os estabelecimentos irregulares na região.

Positivos

Transporte em abundância

Área estritamente residencial

Proximidade de comércio, hospitais e escolas

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Negativos

Poluição visual nas avenidas

Furtos e roubos de carros

“A história da minha vida está escrita neste bairro”

Filha de alfaiate, a costureira Nazareth Pinatti mora em Mirandópolis desde que nasceu, em 1942. “Lembro-me do sapatinho que comprei na Casa Real. Até hoje faço compras lá.” Aos 6 anos, Nazareth foi fotografada na esquina da sua casa. “O bar continua igual”, compara. Os amigos e os irmãos Geraldo e Djamir Pinatti vivem no mesmo bairro e o filho, Luiz Guilherme Carvalho dos Santos, de 22 anos, cresceu com muita liberdade. “Ele andou de bicicleta e de skate à vontade”, lembra.

A agitação da avenida Jabaquara contrasta com o ritmo de vida na região. O respeito entre as pessoas e a preservação do entorno são atitudes inerentes aos moradores, que se organizam em torno da Sociedade Defenda Mirandópolis. Eles participam ativamente da saúde do bairro, com campanhas para incentivar a coleta seletiva de lixo e evitar a proliferação dos pombos. E zelam por praças, segurança e equipamentos públicos. Aos sábados, a praça da Igreja Santa Rita de Cássia é cenário de uma feira de artesanato, com expositores da própria comunidade.

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