Frank Lloyd Wright e sua casa no campo

Este lugar resume a eterna busca do arquiteto americano: a integração entre natureza e arquitetura

Por Por Marianne Wenzel | Fotos Alan Weintraub/Arcaid Atualizado em 20 dez 2016, 20h24 - Publicado em 18 jun 2009, 00h43

Uma casa e sua colina: as terras de Spring Green, Wisconsin, marcaram a trajetória do arquiteto americano Frank Lloyd Wright (1867-1959). Ali ele passou a infância e ergueu Taliesin, a fazenda onde recomeçou a vida aos 45 anos com a segunda mulher. Cinco décadas depois de sua morte, o lugar resume a busca de toda uma carreira: a integração entre natureza e arquitetura. 

Quando a vida familiar naquela primavera de 1909 conspirou contra a liberdade, não tive escolha a não ser partir para um exílio voluntário rumo ao desconhecido. Quem escreve é Frank Lloyd Wright (1867-1959). O trecho, retirado de sua autobiografia, aponta o momento exato em que começa a história de Taliesin. Mas o caminho até as colinas de Wisconsin não correu em linha reta.

Depois de deixar a mulher e os sete filhos em Chicago, Wright passou um ano na Europa com Mamah Borthwick, que também saiu de casa e abriu mão do casamento e das duas crianças para acompanhar seu amor (uma versão romanceada dessa história está no livro Arquitetura de um Sonho, de Nancy Horan, lançado ano passado no Brasil pela Rocco). Na volta, Wright buscou refúgio da sociedade escandalizada nas mesmas terras que acolheram seus avós, galeses emigrados no século anterior. “Ele precisava romper com padrões sociais, ao mesmo tempo que queria continuar se libertando das tradições da arte e da arquitetura europeias”, situa o arquiteto paulista Mauro Munhoz, que visitou Taliesin e as principais obras de Frank Lloyd Wright nos Estados Unidos. “Este projeto mostra sua busca por uma arquitetura que converse de maneira singular com o território. Isso é ainda mais interessante do que as formas que ele encontrou”, afirma.

Antes de construir, Wright percorreu a região e observou como a pedra brotava do solo. Encontrou pedreiras estratificadas, e entendeu-as como uma sugestão: cortado em filetes, o limestone compõe paredes e pavimenta terraços e pátios da casa, que abraça a colina logo abaixo de seu topo. “O uso de materiais locais e a implantação para que os ambientes captem mais sol no inverno e menos no verão são aspectos muito atuais do projeto”, diz Keiran Murphy, pesquisador da Taliesin Preservation, que administra o complexo.

A construção, no entanto, não é a mesma de 1911. Em 1914, um incêndio criminoso reduziu parte do lugar a cinzas e matou Mamah, seus dois filhos e mais quatro pessoas. Obstinado, Wright reconstruiu a casa, atacada mais uma vez pelas chamas em 1925. Com a quarta mulher, Olgivanna Hinzenburg, encontrou forças para refazer Taliesin pela segunda vez e montar ali uma escola de arquitetura. E até o fim de sua vida, em 1959, continuou empreendendo mudanças, como um artista que nunca considera pronta a maior obra de sua carreira. “Mudar é a essência da arquitetura orgânica de Wright”, observa Murphy. “Mas há uma explicação mais pé-no-chão para tantas modificações. Ele era um homem inquieto, que queria ver suas ideias realizadas logo. Há lugar melhor para testá-las do que em sua própria casa?”

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