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Crônica: da teoria à prática

Depois de 20 anos editando uma revista de arquitetura, chegou a minha vez de reformar

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Dia desses, limpando papéis durante a organização da mudança, deparei com o resultado de um teste vocacional feito lá atrás, na adolescência. O documento apontava arquitetura como sugestão de carreira, mas acabei optando por artes gráficas. Eu me interessei por revistas, e foi tão forte o envolvimento com elas que dediquei toda minha trajetória profissional a esse veículo de comunicação. Se a arquitetura sumiu da minha vida? Não, continuou sem ser convidada: casei com um arquiteto e trabalhei como diretora de arte de ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO nos últimos 20 anos.

Por que guardei esse papel? Descobri o motivo após meu desligamento de A&C, quando compramos um apartamento usado que precisava de reforma. Durante anos falei disso na teoria ao editar matérias para orientar o leitor e só agora passei por essa experiência.

Começamos com o projeto, feito pelo Marcio, meu marido. Até chegar ao resultado ideal para nós, tivemos fervorosas discussões. Descobri ser uma cliente muito chata, porém resolvemos tudo acompanhados de um café bem tirado ou uma taça de vinho. O casamento sobreviveu.

Com os desenhos e o orçamento detalhados, mão de obra contratada, planilha de gastos montada e um cronograma básico, iniciamos a obra. Foi quando o sonho virou pesadelo. Essa fase é rica em imagens não atraentes – demolição, retirada de entulho, paredes sem revestimento e a sensação de que nada dará certo. Tem também o capítulo “Mão de Obra”, no qual tudo pode acontecer. Mesmo com uma organização virginiana, ora o apartamento parecia um deserto à espera de material, ora estava lotado de sotaques acentuados contando histórias alegres da terra natal. Divertidíssimo!

Agora, tudo já passou. Estamos morando na casa nova, e posso afirmar que um dos momentos mais importantes e prazerosos numa reforma é participar do projeto de arquitetura. Ali, definem-se todos os elementos que irão compor o local onde se pretende viver nos próximos anos. Por isso, deixo aqui um conselho. Segure a ansiedade e faça um projeto bacana antes de começar a obra. A partir do momento em que as necessidades estão claras, fica mais fácil tomar decisões que se encaixam no bolso. E digo mais: é uma delícia pesquisar na internet sobre metais ou interruptores, conhecer novos acabamentos e, ainda, ir pessoalmente às lojas para olhar e sentir a textura de certo material. Adorei essa parte.

O que eu fiz com o resultado do teste vocacional? Guardei de novo, é lógico! Não importa mais como elas entraram – só sei que a arquitetura e as revistas sempre farão parte da minha história.

*Marize Sciessere é designer gráfica. Além de colaborar com as revistas ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO e CASA CLAUDIA (Editora Abril), dedica-se à gravura em metal.

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