Casa no Paraná faz bom uso do wood frame: a madeira dura até um século

Esta casa em São José dos Pinhais, PR, faz bom uso do wood frame, método construtivo ágil e limpo, que dá destaque ao elemento natural

Por Por Lara Muniz | Foto Patricia Lion Atualizado em 14 dez 2016, 11h33 - Publicado em 15 jan 2015, 19h30

Em países como a Finlândia e a Austrália, a alvenaria convencional é coisa ultrapassada. Seu lugar vem sendo ocupado por sistemas que utilizam a madeira como o principal componente. “Com o wood frame, o trabalho se torna mais rápido e seguro. As matérias-primas são renováveis, há pouquíssimo desperdício de material, e a durabilidade do conjunto alcança um século”, detalha o arquiteto Bernardo Richter, autor deste projeto em parceria com Fernando Caldeira de Lacerda e Pedro Amin Tavares, seus sócios no escritório curitibano Arquea Arquitetos. A estrutura basicamente se compõe de peças de pínus autoclavado e chapas de aglomerado feitas de OSB. “Os painéis são produzidos sob medida na fábrica e montados sobre a fundação já no canteiro”, explica o também arquiteto Pedro Moreira, coordenador técnico da Tecverde e responsável pela obra. O custo final equivale ao de uma construção comum, mas as despesas com projeto e material são compensadas com o prazo curto e a menor necessidade de trabalhadores. Há, no entanto, algumas dificuldades: no Brasil, poucas empresas oferecem o serviço, o que pode dificultar o acesso em locais afastados dos grandes centros, e ainda são raros os bancos que asseguram e financiam uma obra desse tipo.

O maior tempo dedicado ao projeto é compensado com a agilidade da obra. Além disso, a madeira se mostra um material renovável, versátil e abundante no Brasil”. Bernardo Richter, arquiteto.

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COMPARADO A UMA CONSTRUÇÃO DE ALVENARIA CONVENCIONAL, O WOOD FRAME GARANTE:

– Uso de água 90% menor

– Produção de resíduos 85% inferior

– Obra entregue em um terço do tempo, mesmo com 30% a menos de operários

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Montagem passo a passo: são três etapas principais. Na primeira, define-se o tipo de fundação com base na sondagem do terreno. Em seguida, ergue-se a estrutura. Por fim, um guindaste põe as paredes prontas no lugar.

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Esqueleto do madeira. Como o terreno plano permitia, a fundação do tipo radier suporta as três estruturas que formam a casa. Mais à esq. fica a parte de estar; ao centro, a de serviços; e, à dir., distribuem-se os cômodos da área íntima. Estão todos ligados à sala de jantar, volume central com fechamento de vidro – solução que deixa clara a intenção de conectar a morada ao verde em volta.

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Por dentro das paredes. Autoportantes, elas embutem as tubulações de gás e as redes elétrica e hidráulica. O fechamento permite a livre escolha de revestimentos, tanto por dentro quanto por fora. Entenda as camadas: no miolo vão a estrutura de pínus autoclavado (1), o isolamento termoacústico (2) e as placas de OSB (3). Por fora da construção há uma membrana hidrófuga (4), uma placa cimentícia (5) e o acabamento escolhido (6). Pelo lado de dentro entram apenas gesso acartonado (7) e o revestimento eleito (8).

 

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