Casa na serra ostenta telhado curvo, amparado por treliças metálicas

Esta casa na serra fluminense assume a influência de um nome consagrado de nossa arquitetura: Sergio Bernardes, com quem o autor do projeto, trabalhou e aprendeu muito

Por Por Simone Raitzik / Projeto Rodrigo Simão / Fotos André Nazareth Atualizado em 19 jan 2017, 14h05 - Publicado em 4 out 2014, 19h21

 

Nos livros do pai, entusiasta do modernismo, o jovem Rodrigo Simão, de Petrópolis, RJ, conheceu a obra de Sergio Bernardes (1919-2002). Anos mais tarde, no início da carreira de arquiteto, teve o privilégio de trabalhar no escritório dessa figura já tão familiar. “Ficava fascinado com a clareza e a funcionalidade de seus sistemas construtivos, muito simples e inteligentes. O contato com ele foi uma experiência transformadora. Adorava quando Sergio repetia que é preciso inventar a vida como um incentivo para ousar. Assim é a arquitetura em que acredito”, explica Rodrigo, que pôde colocar a filosofia em prática no projeto da própria casa. Como não poderia deixar de ser, a estrutura mista (parte metálica, parte de concreto aparente), envidraçada e apoiada numa base de pedra rende homenagem ao mestre – mais precisamente, à residência que ele ergueu nos anos 50, nesta mesma região, para a arquiteta e paisagista autodidata Lota de Macedo Soares (1910-1967), uma das autoras do Aterro do Flamengo. A construção nasceu há seis anos com 168 m², sob medida para Rodrigo e sua mulher, a artista plástica Katharina Welper, na época grávida da primeira filha, Angelina. Aos poucos, a morada foi crescendo para os lados sem descaracterizar o formato escultural do telhado curvo, sustentado por treliças metálicas. “Com a chegada da Aurora, agora com 4 anos, expandimos mais as fronteiras. Fizemos a sauna, cercada de um generoso deck, e o anexo para as meninas brincarem. Sempre usamos materiais brutos e reaproveitados, dispensando revestimentos sem função”, revela ele, que também desenhou a maioria dos móveis, produzidos com peças de demolição, e planejou os espaços de modo a integrar a rotina doméstica à paisagem. “A estética aqui é básica, como o estilo de vida que cultivamos”, arremata.

 

Pavilhão transparente

Pilares de aço-carbono, preenchidos com vergalhões de ferro e concreto, deram origem a colunas delgadas, escondidas nas esquadrias. Com isso e as vigas metálicas, que permitem vãos largos, o projeto obteve o máximo de espaços abertos.

planta

Área: 266 m²; Construção: Rodrigo Simão; Cálculo Estrutural: Álvaro Moraes e Ricardo Barelli; Estrutura metálica: Serralheria Marcondes.

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