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Casa em terreno inclinado ganha leveza com estrutura de madeira

No topo de Ilhabela, esta casa flutua sobre a mata. O dono, que está morando nos EUA, não vê a hora de voltar. E pretende fazer isso de um jeito especial: velejando

Bons ventos! Assim o empresário Paulo Ferreira se despede no e-mail que escreveu contando sua longa história com essa ilha no litoral paulista. Há quatro meses ele vive em São Francisco, nos Estados Unidos, onde decidiu passar um período sabático de pelo menos um ano. “Sinto muitas saudades da minha casa, de Ilhabela e dos passeios de barco. A Califórnia é linda, mas não dá para comparar. A água aqui é muito fria e não tem nossa mata rodeando as praias, sem falar no vento gelado do Pacífico”, conta. Bem mais amena, a brisa do Atlântico é convidada de honra do seu refúgio brasileiro, erguido depois de uma verdadeira travessia – emocional e de envolvimento com o lugar –, iniciada há mais de 20 anos. “Sempre curti o litoral norte. Eu me decidi por Ilhabela quando visitei a casa do meu sócio e encontrei um terreno no mesmo condomínio”, relembra.

Para conseguir fazer uma oferta pelo lote, Paulo se lançou numa investigação até localizar o dono, um alemão que voltara ao seu país sem deixar muitas pistas. Se a busca deu trabalho, a negociação nem tanto: a transação foi fechada rapidamente. Três anos depois, em 2009, começava a obra. Por que a lacuna? Antes de pensar no projeto, o empresário alugou um endereço na ilha e passou a frequentá-la todos os fins de semana. Como quem procura um norte, ficava horas olhando o terreno e imaginando como seria o seu canto. Esse amadurecimento enriqueceu o diálogo com a arquiteta Flavia Cancian, indicada por amigos. “O processo dele foi todo muito cuidadoso. A mim, ele fez apenas dois pedidos: que previsse quatro quartos e deixasse o mar à vista em todos os ambientes. Todo o resto discutimos juntos”, diz ela. Um ponto importante era o impacto ambiental da construção. Paulo desejava uma casa de madeira, e Flavia apresentou-o ao trabalho do engenheiro Hélio Olga, da Ita Construtora, com quem realizou, neste projeto, sua primeira parceria. Pré-fabricada, delgada e envidraçada, a estrutura de cumaru está ancorada numa sólida base de concreto, fórmula encontrada para posicionar a morada no terreno rochoso e inclinado. O empresário também fez questão de investir em equipamentos de aquecimento solar e tratamento de água. “Não há sistema de esgoto na região”, comenta, apontando para um problema crônico, comum em tantas outras praias do nosso litoral. Em dia com sua contribuição para preservar o meio ambiente, Paulo, que trabalha com tecnologia, pensa em se estabelecer na ilha – para isso, já deixou preparada toda uma infraestrutura de comunicação. “Tenho um escritório com uma vista fantástica e o canto dos pássaros. Quando bater o estresse, é só descer para um mergulho”, imagina. Sorte que o exílio voluntário tem data para terminar, e o planejamento da volta já está em curso. “Estou aprimorando meus conhecimentos para ir velejando”, fala.

 

Desafio estrutural

Normalmente, ilhas impõem dificuldades ao projeto de fundações, que precisa driblar o terreno rochoso. Aqui, o alicerce da casa se resume a um muro de contenção, dois pilares e uma laje, que trava o conjunto.

 

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1 – Força na base: do térreo para baixo, a estrutura é de concreto. Dois tubulões principais descem a 1,55 m de profundidade. Ao longo do muro de contenção, tubulões menores chegam a 60 cm. Nas escavações, sempre que se batia numa pedra, reestudava-se o conjunto e realizavam-se as adaptações necessárias.

2 – A piscina ajuda: em balanço (sem apoios), ela passa a impressão de exigir mais da estrutura. Ao contrário: como num jogo de força e equilíbrio, essa situação, calculada no projeto, faz com que seu peso ajude a ancorar a casa, que está apoiada na outra extremidade.

3 – Leveza no topo: o paliteiro de cumaru (Ita Construtora) sustenta o piso superior e a cobertura. “A modulação das duas linhas de pilares sugeriu a organização dos espaços”, diz a arquiteta. Fornecidas já na medida, as peças deram origem a um esqueleto, montado em trinta dias.

 

Área: 642 m²; Colaboradores do projeto: Luciana Bacin, MarIa Cristina S. Martini, Rafael Frajndiich, Tatiana Antonelli,Tiago Kuniyoshi, Tiago Oakley; Construção: Casemiro Lorena e Antonoo Ponchoc; Fundações: ApoIo Assessoria e Projetos de Fundações; Estrutura de concreto: Eduardo DuPrat / Benedictis Engenharia; Estrutura de madeira: Ita Construtora; Instalações: Pessoa & Zamaro; Luminotécnica: Reka Iluminação

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