Casa em São Paulo é cheia de patamares e possui um lindo jardim

Contrariando a vocação da cidade onde está fincada, esta residência paulistana foi erguida sem pressa. A geometria precisa, finalizada com acabamentos nobres, resulta em cenários tranquilos e elegantes, recheados de arte

Por Por Deborah Apsan (visual) e Lara Muniz (texto) | Projeto Pascali/Semerdjian Arquitetura | Fotos Cacá Bratke Atualizado em 20 dez 2016, 17h56 - Publicado em 2 set 2014, 22h27

Da prancheta à mudança, passaram-se quase três anos. O ritmo cadenciado seguiu o compasso do morador, que inaugurava outra fase de vida com o fim de um relacionamento. Assim como a nova rotina, a casa começaria do zero. A decisão de construí-la abria muitas possibilidades, a exemplo da desejada garagem subterrânea e da piscina em formato de raia. “O terreno, livre, era uma folha vazia. Prato cheio para quem, como eu, gosta de trabalhar à moda antiga, com régua paralela, papel e lápis. Estudamos a melhor maneira de implantar a construção, escolhemos os materiais e cuidamos de cada detalhe, da fundação às arandelas”, lembra Domingos Pascali, autor do projeto e sócio do escritório paulista Pascali/Semerdjian Arquitetura.

O planejamento para evitar problemas com a umidade se fez essencial, já que o lote está numa região da cidade conhecida pelo lençol freático raso e parte da morada ficaria no subsolo. “Contamos com a consultoria de um engenheiro especializado para criar uma laje de subpressão, espécie de berço enterrado a 7 m de profundidade que isola a base da casa”, detalha o arquiteto. Cheia de patamares intermediários, a obra usa com maestria as diferenças de altura de pé-direito e encaixe de ambientes para formar um delicado jogo de liberdade e aconchego. A começar pela sala – ampla e aberta para a varanda –, que guarda um segredo sob a área reservada à lareira: a rampa da garagem. “Elevamos o pavimento para a passagem dos veículos, mas, logo adiante, já era possível fazer um rebaixo, que se revelou um canto acolhedor para o estar”, observa Domingos.

A alvenaria pintada de branco funciona como pano de fundo para destacar a coleção de arte do morador e se prolonga até o lado externo, fazendo a integração do interior ao jardim. Lá fora, além dos vasos com pés de romã, o paisagismo de Renata Tilli dedicou espaço a esculturas. “As peças foram posicionadas de forma que permanecessem leves em meio ao verde”, conta Renata. Quem vê o conjunto tem a impressão de que a casa convida a uma pausa. Diante de sua equilibrada estrutura, dos altos e baixos sem sobressaltos, o desejo é se entregar à contemplação das plantas, do acervo e dos reflexos azuis da água no teto claro da sala. Sem pressa. Como a vida deveria ser.

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