Casa de condomínio segue as linhas irregulares do terreno

Entre planos inclinados e diagonais, esta casa segue o contorno irregular do terreno que ocupa. O arquiteto Leonardo Shieh tem mestrado em arquitetura pelo MIT

Por Por Deborah Apsan (visual) e Joana L. Baracuhy (texto) | Projeto Shieh Arquitetos Associados | Fotos Victor Affaro Atualizado em 20 dez 2016, 17h51 - Publicado em 22 Maio 2013, 19h27
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Vá lá que arquiteto e proprietário descrevam o processo de elaboração desta casa em São Paulo como corriqueiro. Mas certamente existe algo de extraordinário nos envolvidos – e que talvez explique o caráter incomum do resultado. “Eu disse a um amigo, arquiteto aposentado, que sonhava fazer minha casa com o Paulo Mendes da Rocha. Dias depois ele me ligou indicando um profissional que considerava digno de substituí-lo”, conta Felipe, empresário do setor náutico. “Quando surgiu o Leo, com sua cara de garoto, não imaginei que se tratasse de um prodígio”, continua, relatando a primeira reunião que tiveram, focada na viabilidade do lote com formato e topografa complicados. Só duas semanas depois, ocasião em que Leonardo Shieh voltou com uma maquete, é que o então futuro cliente notou a consistência das ideias do interlocutor. “Tentei remeter à angulosidade do terreno não só na planta (ou seja, na horizontal) como também nas alturas (na vertical)”, conceitua o profissional. Mestre em arquitetura pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), com passagem pelo Rafael Viñoly Architects, escritório com sede em Nova York, Leo aprendeu a ousar e a lidar com aspectos intrincados em projetos de grande escala. De volta ao Brasil em 2006, se associou ao pai e, junto dele, fez valer um princípio apenas aparentemente banal nesta obra: delimitou uma moradia que seguisse exatamente o perímetro do lote, respeitados os recuos obrigatórios. A engenhosidade da solução logo foi percebida por Felipe. “Ele é arquiteto formado, gosta do assunto e deu ótimas contribuições”, explica Leonardo a respeito do cliente igualmente raro. Sim, porque apenas alguém que aprecia belas formas e leva a vida de modo pouco convencional poderia habitar esta casa de escassas linhas ortogonais. “Felipe planejou a construção para viver com a mulher e a filha. Ninguém queria garagem fechada, piscina, churrasqueira, a típica moradia da classe média alta paulistana”, fala o arquiteto. Melhor para ambos. Do papel, as diagonais e os planos inclinados passaram para a alvenaria, apoiada em pilares e vigas de aço – sugestão do proprietário, familiarizado com o material usado na execução de barcos. Até hoje ele duvida que a casa suscite curiosidade: “Não sei disso, não. O fato é que os espaços ficaram muito agradáveis e vivemos bem aqui”, conclui.

 

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Os vários níveis da casa tiram partido do relevo acidentado do lugar: no platô junto à rua do condomínio ergueu-se a suíte principal. O declive (4) acomodou a sala de TV, sobre a qual ficam sala (3), quartos (2) e a cobertura ajardinada (1).

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