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Bangalô encravado na costeira serve de refúgio para advogado em Ilha Bela

Os mais de 30 anos de convivência de um frequentador com Ilhabela culminaram num amplo bangalô, que resgata o modo de vida simples porém exuberante do litoral paulista

Custou um pouco para o arquiteto Marcos Figueiredo apontar para esta reportagem sua contribuição no projeto da casa encomendada pelo pai. A cabeça do carioca radicado em São Paulo desde 2006, época dessa empreitada familiar, seguia vagando pelo passado cheio de histórias que cercam o assunto. Não é pouco lastro, é verdade. Mas, aos poucos, as qualidades do projeto ganharam corpo durante a entrevista.

Quando convidou o filho a pensar com ele o refúgio de praia, o advogado Samuel Mac Dowell de Figueiredo deixou aflorar toda sua tarimba em construir (só em Ilhabela, esta é a terceira morada), o interesse por arquitetura (ele aprendeu sozinho a pilotar um tradicional software de projeto) e o ambicioso plano que envolve outra de suas paixões, a música. Era bastante, de fato, para Marcos conciliar.

Com a participação da equipe do escritório paulista Vázquez + Junqueira Arquitetos Associados, que acolheu o jovem profissional para a tarefa (e do qual, depois, ele se tornaria sócio), os caminhos se delinearam. O ponto de partida foi definir que o bangalô caiçara ocuparia a ponta do lote, um trecho relativamente plano, sem mata fechada e com ampla vista para o mar. Com o intuito de se inserir entre as enormes rochas, a construção seria dividida em blocos, todas com telhado de quatro águas, conectados por lajes e pergolados. “A funcionalidade e o visual da casa de praia anterior me agradavam muito e ditaram bastante ao novo desenho, que esmiuçamos por um ano”, conta Samuel. Em meio aos 24 meses de obra, o passado retornou com ainda mais força – o adorado refúgio que fora vendido estava sendo demolido, e partes dele permaneciam disponíveis num depósito. Pai e filho, então, arremataram vidros, portas e janelas e os aproveitaram na obra.

Tudo pronto, o equilíbrio parece ter sido alcançado. Se algumas escolhas sugerem certa nostalgia, o resultado aponta para o novo, já que o proprietário casou outra vez e desfruta com prazer do espaço confortável e informal, feito de madeira e tijolos. Daqui, Samuel batalha pela realização da grande vocação que enxergou para o lugar: no terreno, também ergueu um teatro e espera aprovar e captar recursos para a obra do Centro Cultural Baía dos Vermelhos, de incentivo às artes, que leva a assinatura do filho e dos sócios dele. Desta vez, sem olhar para o que passou, apenas mirando o que virá.

 

Respeito à natureza

Além de driblar as rochas, a casa se postou suavementeno solo, dispensando aterros e cortes.

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Cobertura light. Nada de telhados, que obstruiriam a visão para o mar: as passagens entre os blocos privativos ganharam lajes e pergolados, devidamente aproveitados como ambientes. Neste, funcionam a cozinha e a sala de almoço.

Verso discreto. A entrada acontece por trás, mais fechada do que a frente da obra, pois fica diante de um barranco amparado em muros de contenção de pedra.

Padrão de medida. Os ambientes são múltiplos de 4,50 m, tamanho máximo da madeira usada na estrutura. Uma exceção aparece no canto de estar, onde uma tesoura vence os 7 m de vão.

Pedras no caminho. As rochas se integraram ao projeto, ora apoiando o refúgio, ora em meio à alvenaria.

Declive Aproveitado. Valendo-se da inclinação natural, os arquitetos ainda inseriram duas suítes – uma sob a extremidade da casa e outra mais abaixo.

 

Área: 713 m²; Madeira da Estrutura: Madeireira Castilho e Madeireira Getuba; Esquadrias: Megatrio

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