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Os mitos e a influência no erotismo

Na mitologia sempre existe um capítulo para explicar a atração sexual e as maneiras de amar. Conheça histórias sobre a eterna busca do prazer

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Os mitos sobre a sexualidade divertem, educam e até cumprem algumas funções. “Ajudam a entender as fontes do desejo e a descobrir o que fazer com ele. As histórias também amenizam os tabus da sexualidade”, acredita a psicoterapeuta junguiana Lúcia Rosenberg, de São Paulo.

Um dos mitos mais conhecidos vem da Bíblia: o Gênese. A história de Adão e Eva e Lilith. Não se trata de um triângulo amoroso. Na verdade, a primeira mulher foi Lilith, que veio do mesmo barro e na mesma época que Adão. A questão é que ela não aceitava as regras impostas pelo parceiro – como ficar por baixo na relação sexual. Adão falou com Deus e ela foi banida. Uma mulher ao gosto do masculino surgiu: Eva.

Mulheres como donas do pecado

 

A mulher, aliás, costuma aparecer como a principal transgressora na mitologia. Talvez porque seja papel dela criar, transformar. É o caso de Eva, que mordeu a maçã. “A árvore guardava o segredo de que somos finitos e incompletos. Quando esse segredo é revelado, instala-se a angústia”, analisa Lúcia.

No mito, a serpente é a voz interna, que diz “vá, experimente”. “A felicidade resulta do equilíbrio entre ousadia e limite, que é algo redimensionado o tempo todo. Algumas coisas você pode mais, outras menos…”, diz Lúcia.

Outras culturas têm sua versão para o primeiro homem e a primeira mulher, sem definir superioridades. Os gregos falavam do ser humano primordial, que não tem nome e é composto por duas metades, uma masculina e outra feminina.

“O psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) dizia que não somos metade de nada. Somos masculino e feminino, e o casamento desses opostos é que nos torna um só em espírito”, explica. “Mas fisicamente”, acrescenta, “somos incompletos.” Para um bom entendedor…

Os significados do corpo

 

Muitos mitos nascem para dissolver tabus relacionados aos órgãos genitais, com freqüência tidos como feios, sujos, vis. Precisamos dessas histórias, que lembram que essas partes dão prazer e vida.

No hinduísmo, a vagina (chamada yoni) e o pênis (lingam) são sagrados. Tanto é que o casal espalha pétalas de rosa um sobre o órgão sexual do outro, considerados portas do êxtase sexual.

O lingam representa a força presente na origem do Universo e está associado ao deus Shiva. A yoni é símbolo da energia criadora feminina e significa grão. O Universo está representado pela yoni, que rodeia o lingam, numa analogia de que para haver vida é preciso as duas energias em equilíbrio.

Sexualidade e orgasmo

 

Para os indianos, um dos quatro objetivos da vida é o kama, ou seja, prazer. O Livro do Prazer, ou Kama Sutra, é inteiramente dedicado à arte de estender esse bem-estar pleno o máximo de tempo possível. “O orgasmo é uma forma de alcançar o maior nível de consciência e uma maneira de libertação”, diz o terapeuta Caio Kugelmas, de São Paulo.

Há a interpretação zen-budista para o sexo. “É permitir que a natureza se expresse por todos os nossos atos, e o sexo é um deles”, afirma Philip Toshio Sudo em seu livro Sexo Zen (ed. Sextante). Uma ode ao sexo despreocupado com número de orgasmos ou performances, o livro faz uma ponte entre o corpo, o desejo e o espírito.

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