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Krishna Das: Jeremy Frindel fala do documentário sobre o famoso músico

O americano Jeremy Frindel, 33 anos, é cineasta, músico, professor de ioga e cofundador da Brooklyn Yoga School, em Nova York. É dele o documentário sobre a vida do músico Krishna Das.

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Por mais de três anos, Jeremy Frindel viajou o mundo na cola do seu ídolo, o músico americano Krishna Das, 65 anos, famoso por entoar mantras indianos com uma pegada ocidental. Um tipo de cântico devocional chamado kirtan, que, segundo ele, é a própria expressão do amor universal. Na Trilha do Coração – A História de Krishna Das, apresentado no evento Yoga pela Paz, ocorrido em agosto, em São Paulo, narra a comovente trajetória do artista. “Sua jornada de superação frente às drogas e à depressão é um poderoso exemplo para as pessoas. Já sua música é uma espécie de oração que abre os corações”, define Jeremy, que fala a seguir sobre o documentário, cujo DVD será lançado em 2013.

Leia a entrevista com Jeremy Frindel

 

BF: O que o motivou a levar para as telas a história de Krishna Das?

JF: Sonhava em mergulhar no universo de Krishna Das e compartilhar o que ele faz, pensa e sente. Muitos desconhecem que há 40 anos ele persegue um jeito de viver o amor, a verdade e a sabedoria.

 

BF: Krishna Das afirma que os cânticos devocionais o salvaram da tendência autodestrutiva.

JF: Ele teve uma experiência marcante na Índia ao lado de seu amado guru Neem Karoli Baba. A morte do guru lançou-o num enorme vazio e ele passou muitos anos deprimido. Acreditava que não seria feliz de novo. Até perceber que precisava sentar e entoar mantras como prática diária a fim de se reconectar espiritualmente com seu mestre. Com o tempo, descobriu que o poder não residia nesse ser, mas naquilo que ele emanava: amor, compaixão e sabedoria, algo que todos nós carregamos em nosso interior.

 

 

BF: Você pode explicar um pouco essa influência do guru?

JF: Todos que passaram um tempo ao lado de Maharaj-ji, como era chamado, disseram que essa experiência foi a coisa mais importante que lhes aconteceu na vida. O relato de Krishna Das no filme é uma pequena amostra dessa devoção.

 

 

BF: Por que a música produzida por ele comove tantas plateias?

JF: Porque se trata de uma prática espiritual, e não de entretenimento. Toda vez que alguém repete um mantra, está se dirigindo a esse profundo lugar dentro de si mesmo, como acontece na meditação. Quando um grande número de pessoas está focado nessa tarefa, num mesmo lugar, é uma verdadeira oração.

 

 

BF: A partir de que momento Krishna Das deixa de ser um músico interessado em questões espirituais para se tornar ele próprio um guia espiritual?

JF: A certa altura, ele constatou que estava se alimentando mais da fama do que da prática em si e parou de cantar por muitos meses. Em retiro na Índia, percebeu que era apenas o canal de uma força maior que todos possuímos. Quando alguém é tocado e transformado por algo, passa a contagiar as pessoas ao redor. E, assim, se torna um guia para que também possamos experimentar essa conexão.

 

 

BF: Como a filmagem tocou você?

JF: As pessoas com quem estive me mostraram que é possível sermos honestos em relação às nossas batalhas internas, amorosos e compassivos.

 

BF: Que mensagem Krishna Das deixa para o mundo nos seus cânticos e com sua história?

JF: Não importa o quanto nos sintamos perdidos, sempre há esperança, um jeito de viver com o coração aberto, compaixão e sabedoria. Não podemos desistir jamais.

Como Krishna decidiu seu caminho

 

O jovem músico Jeffrey Kagel não imaginava que um dia trocaria o nome de batismo pela alcunha Krishna Das (servo do amor, em sânscrito). No auge dos anos 60, ele sonhava com o estrelato à frente de uma banda de rock. Quase seguiu essa estrada. Mas o destino quis que conhecesse o mentor espiritual americano Ram Dass, que lhe apresentou o guru Neem Karoli Baba, reverenciado por “destrancar” os corações com seu olhar. Por dois anos e meio, Krishna Das viveu no ashram de Baba, entoando mantras e tocando harmônio o dia todo. Estava pleno. Mas recebeu o ultimato de retomar a vida na América. Desnorteado, vagou por muito tempo até intuir sua missão: cantar para o mestre. É o que tem feito nas últimas quatro décadas, entre altos e baixos provocados pela depressão e pela recaída nas drogas. “Cantar era a única maneira de limpar os cantos escuros do meu coração”, confessa. A beleza dessa história é que, ao se ajudar, ele toca o íntimo do próximo. ”Eu apenas distribuo a graça divina”, sintetiza.

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