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Guto Requena fala sobre sua viagem ao Líbano

Em meio à tensa convivência entre cristãos e muçulmanos, Beirute busca sua identidade num processo de reconstrução assinado por algumas grifes da arquitetura mundial

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“Ao visitar uma feira de design em Dubai, conheci a dona de uma galeria de arte em Beirute. Dessa conversa surgiram lembranças muito agradáveis. Amo a cultura e a culinária libanesas e tenho alguns amigos que vivem lá. Não resisti e mudei meus planos na hora. Decidi passar quatro dias naquela cidade do Líbano. Foram momentos intensos. A princípio, a considerei muito parecida com São Paulo: trânsito infernal, ruas tomadas por carros, barulho constante de buzinas, concreto de mais, verde de menos, edifícios abandonados. De cara, me lembrou o Brasil. Passada a impressão inicial, porém, pude descobrir um local enigmático, com as rezas das mesquitas ecoando pelas ruas, e me encantar com a deslumbrante arquitetura de origem otomana e francesa.  Vi prédios interessantes, da época em que Beirute tinha a fama de a Paris Oriental, uma cidade de vanguarda, o maior polo cultural do mundo árabe. O auge da arquitetura modernista local coincide com esse boom econômico e cultural, com sua era de ouro. Muito autoral (assim como a arquitetura moderna brasileira), rigorosa, formalista, marcada por características próprias. No centro, um prédio simbólico desse período, conhecido como Te Egg, que abrigava um cinema, foi devastado pela guerra civil. Beirute vem passando por uma reconstrução, é verdade. Mas, sem regras, esse processo de revitalização está desconfigurando a rica herança arquitetônica libanesa. Criticada por arquitetos como Bernard Khoury, filho de um grande modernista, a transformação tem permitido à especulação imobiliária devastar prédios históricos. Em contrapartida (e a exemplo de um movimento que está surgindo em São Paulo), muitos dos novos edifícios estão sendo projetados por arquitetos de renome internacional: Rem Koolhaas, Foster & Partners, Herzog & de Meuron e Jean Nouvel são alguns deles.”

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Da primeira metade do século passado, as linhas modernistas do tradicional Mercado de Beirute (acima, à esq.) contrastam com o edifício residencial contemporâneo projetado pelo escritório suíço Herzog & de Meuron.

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