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Experiências de vida podem transformar seu cotidiano

Três mulheres relatam situações - planejadas ou inesperadas - que mudaram suas vidas. Inspire-se nos depoimentos

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Pode parecer só mais um dia comum, mas, de uma hora para outra, sem que a gente espere, o Universo nos traz um presente: uma experiência que vai funcionar como uma espécie de divisor de águas. O sinal de que devemos dizer SIM para aquela oportunidade pode vir por meio de uma pessoa que conhecemos muitos anos antes, de uma exigência profissional, um desejo que não sabemos exatamente de onde vem ou de uma viagem inesperada. As possibilidades são infinitas, mas uma coisa é certa: depois daquele momento, jamais seremos iguais. Veja, a seguir, o depoimento de três mulheres que vivenciaram experiências radicais e nunca mais foram as mesmas:

 

Mira Joy Vivant, presidente da empresa norte-americana Vision-in-Action, viajou ao Nepal

 

Há dez anos, trabalhava como executiva na Holanda e a única coisa que me preocupava era quanto sucesso eu poderia alcançar. Um dia, um amigo, que era piloto de avião, me ligou contando que estava indo para o Nepal e disse que eu deveria conhecer aquele lugar. De tão ocupada, não dei muita atenção para a sua proposta. Não se passaram duas semanas e uma amiga me ligou, dizendo que tinha um convite para mim. A companhia aérea em que trabalhava precisava mandar um avião vazio para o Nepal e ofereceu a viagem gratuita aos membros da empresa. Para mim, isso era um sinal de que eu deveria ir até lá.

 

Depois de alguns dias em Catmandu, alugamos um jipe para passear pela fronteira indiana, até a selva. Como a estrada era muito estreita, a viagem foi uma grande aventura. Quando olhei para aquela paisagem, tive a sensação de haver sido teletransportada em uma máquina do tempo para milhares de anos atrás. Tudo parecia acontecer muito devagar, estávamos cercadas por uma natureza intocada, povoada por animais. Para passear pela selva, montamos elefantes enormes, até que chegamos próximo a um rio, onde homens, mulheres e crianças brincavam nus na água. Às vezes eles pegavam algo para comer e estavam sempre rindo.

 

Comecei a filmá-los e percebi, pela câmera, que nunca tinha visto expressões de tanta felicidade em toda a minha vida. Eles não sabiam o que era eletricidade, o que era viajar, pagar contas, eles simplesmente acordavam com o nascer do Sol, iam dormir quando o Sol se punha e desfrutavam daquela natureza maravilhosa. E eu me dei conta de que nunca tinha experimentado algo assim. Fiquei profundamente triste e pensei: eu sou uma mulher muito bem-sucedida, achava que tinha uma vida feliz, mas nunca experimentara a alegria tão pura de ser apenas eu mesma.

 

Fomos embora, mas a experiência deixou em mim grandes questionamentos: o que eu estou fazendo da minha vida? Qual é o propósito de tudo isso? Meu único objetivo, a partir daquele momento, foi o de experimentar essa felicidade verdadeira. Decidi que aquele seria meu novo parâmetro de sucesso. Deixei meu emprego, vendi meu apartamento e tirei dois anos para pensar em algo que me trouxesse aquele estado de alegria. Mudei-me para Nova York e ali desenvolvi minha própria filosofia, que chamo de “Joyology”, a arte e a ciência de viver uma vida realmente feliz. Sou uma apaixonada pela ideia de que todo ser humano não só tem o direito, mas a responsabilidade de perseguir e alcançar a mais elevada realização de seus sonhos e objetivos. Por isso, hoje, meu trabalho é estimular as pessoas a criarem uma vida cheia de propósito e significado, que seja prazerosa e feliz.

 

Rajany Freixo, terapeuta, ficou 21 dias em silêncio

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Foi há uns três anos que me bateu uma vontade muito forte de passar pela experiência de “viver de luz”, ficar 21 dias em silêncio, sem celular, sem internet e sem comer absolutamente nada. Eu, que já era vegetariana, inicialmente optei por uma alimentação viva (apenas alimentos naturais, que não passam pelo fogo nem são congelados), à base de saladas, sucos e grãos germinados. Em maio do ano passado, surgiram o tempo e o dinheiro necessários para a vivência. Fui para uma comunidade em Minas Gerais e, durante três semanas, tive apenas alguns livros como passatempo, pois a ideia ali era mesmo não se distrair. O dia ficava oco, porque, fora a oração à noite, que durava uma hora e reunia todos os participantes, no restante do tempo era só eu comigo mesma. Assim, passávamos a maior parte do dia deitados em camas, redes, tomando sol ou meditando. Minha cabeça ficava a mil e prestar atenção em minha respiração era a única maneira de estar presente e não me deixar levar pelos pensamentos.

A primeira semana foi a mais difícil, porque, além de não comermos, ficávamos também sem água, o que no começo parecia um despropósito, e nossa atenção devia estar focada no corpo físico. No quarto dia, senti muita dor de cabeça e ânsia de vômito e pedi água para uma das facilitadoras. Ela me disse que a escolha era minha, pois era eu quem estava criando aqueles sintomas em meu corpo por meio de minhas crenças. Nesse dia, senti o quanto nossos pensamentos determinam o que nos acontece no mundo físico e resolvi que eu escolheria sair do sofrimento. Não passei mal de novo. Na segunda semana, revi minhas relações e muitas pessoas e lembranças me vieram à mente. Nos últimos sete dias, me deparei com minhas crenças sobre família, dinheiro, futuro e sobre mim mesma.

Apesar de muita gente imaginar que vamos ficando cada vez mais fracos, a sensação é exatamente oposta. Ao longo dos dias, fui ganhando mais energia e me sentia parte do todo, plena, em comunhão com Deus e com a natureza. Ali, aprendi que a felicidade não depende de nada externo. Um chuveiro elétrico, uma cama e uma escrivaninha eram tudo de que eu precisava. Na volta, fui recomeçando minha alimentação vegetariana. Hoje, sinto que minha relação com a comida é completamente outra. Especialmente porque nós, mulheres, comemos muito em função do nosso estado emocional. Eu aprendi a não ter mais essa dependência. Antes, vivia de regime, insatisfeita com meu corpo e emocionalmente cheia de “altos e baixos”. Depois dessa experiência, nunca mais engordei, porque como apenas o que preciso, e comecei a ter pensamentos mais positivos e emoções espiritualmente mais elevadas. No início deste ano, lá estava eu de novo para mais uma vivência. Acho importante, sempre que posso, fazer uma faxina interna anual.

 

Eliane Brum, jornalista e escritora, ficou 10 dias meditando

 

Nunca tinha ouvido falar do assunto quando fui pautada para fazer uma reportagem sobre meditação Vipassana. Traduzindo: dar um grande mergulho dentro de mim mesma. Para tanto, precisaria ficar dez dias em absoluto silêncio. Essa era a parte que não me dava medo. Acho que as pessoas falam muito e escutam pouco. O que me assustou foi saber que teria de me manter 12 horas por dia na mesma posição. Com intervalos, mas, ainda assim, seriam mais de cem horas sentada, com a coluna ereta e os olhos fechados. Apesar disso, fui.

Lá, acordávamos às 4 horas da manhã, com um sino. Às 22 horas, era dado o toque de recolher, com o mesmo sino. Passei o primeiro dia observando o ar que entrava e saía do meu nariz. No segundo dia, comecei a observar o pequeno toque do ar entrando no nariz. No quarto, observava sensações no exíguo centímetro de pele acima da minha boca, abaixo do meu nariz. Minha mente passeava por todos os lugares que não devia. Tive de resgatá-la milhares de vezes antes de conseguir domá-la. Comecei a perceber a textura de cada folha e as nuances da luz do Sol ao passar pelas nuvens. Memórias esquecidas emergiam sem aviso.

Só então começou de fato a Vipassana. Fui instruída a observar as sensações de cada milímetro do meu corpo, começando pelo topo da cabeça e descendo até os pés. E, depois, fazendo o caminho oposto. Era como ter passado a vida olhando o mar da praia para, enfim, mergulhar nele. Um mundo fascinante morava dentro de mim. Logo, porém, vieram as dores nas costas. Cada vez mais terríveis. Então tive de realmente aprender Vipassana. A chave da meditação é observar a realidade sem interferir nela. Não sentindo apego pelo que parece prazeroso, nem aversão pelo que parece desagradável. Apenas observando com equanimidade, sabendo que tudo é efêmero. Só assim seria possível me livrar do sofrimento.

Até parar de sofrer, sofri muito. No final, eu observava a dor sem sentir nada por ela. Quando tivemos autorização para falar, eu preferi ter continuado em silêncio. A Vipassana produziu uma mudança profunda na minha vida, de várias maneiras. Deixei o retiro com problemas na coluna cervical que se tornaram crônicos. Mas tornei-me mais atenta aos detalhes: passo um tempo maior no presente que enrolada no passado ou antecipando o futuro, e consigo dar um tamanho mais real ao que antes parecia enorme e eterno

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