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Encontre sua vocação dentro de você mesma

Despertar sua verdadeira essência é o caminho mais seguro para ser feliz e realizada em todos os aspectos da vida

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Para o psicólogo americano James Hillman, todas nós temos dons inatos que precisam ser identificados e desenvolvidos ao longo da vida. Essas características, também chamadas de vocação, destino, caráter ou imagem inata, são o que determinam nossa singularidade, quem somos realmente. “Mais cedo ou mais tarde alguma ‘coisa’ parece nos chamar para um caminho específico”, explica.O tal chamado, ou dedo do destino, de acordo com Hillman, vai além das características genéticas ou da influência do meio. É um mistério que nos leva a buscar a trama básica de nossa história. Reconhecer o tal chamado é primordial para a existência humana e conseguir alinhar a vida a ele é a melhor maneira de encontrar a felicidade. “O chamado pode ser adiado, mas com o tempo ele aparece”, afirma.De acordo com os seguidores de sua teoria, é na infância que os primeiros sinais da vocação aparecem. “Não existe alguém que não saiba fazer nada e já vemos isso na criança. Se formos capazes de dar os estímulos certos, o ‘gênio’ irá florescer”, afirma a terapeuta Lúcia Rosenberg, de São Paulo. “Nesse sentido, a família, a escola, os valores e a cultura interferem, pois, se a semente é plantada em solo árido, ela não germina.”

Como saber se estamos no caminho certo?Para a psicóloga junguiana Sâmara Jorge, de São Paulo, encontrar a si mesma nesse emaranhado de influências é um processo natural, e não uma escolha. “Há pessoas que têm maior facilidade para permitir que sua essência se manifeste. Mas o processo de desenvolvimento da individualidade torna-se mais difícil quando não somos capazes de perceber os sinais que a vida nos dá e perdemos a conexão com nosso universo interno. Assim, se tudo se tornou muito difícil e nada parece dar certo, pode ser um sinal de que nos desviamos do caminho”, explica.O coquetel de influências que recebemos da família, dos amigos, dos professores, das crenças religiosas, de uma sociedade que valoriza extremamente o ter em detrimento do ser, enfim, de tudo que nos rodeia, é poderoso para obstruir o desenvolvimento pleno da semente que carregamos dentro de nós.

Assim, corremos o risco de nos tornarmos pessoas alheias aos nossos desejos mais verdadeiros e totalmente enquadradas em padrões sociais em que a diferenciação é carta fora do baralho. Diante do novo, muita gente entra em crise e tende a negar sua própria vocação, pelo medo do que está por vir. “Esse movimento de defesa é comum e é a maior causa de transtornos psicossomáticos e doenças”, explica o psicólogo Waldemar Magaldi Filho, de São Paulo.A dificuldade de encontrar a si mesma pode se manifestar por meio de diferentes sintomas, como a compulsão e o consumismo. “Essa (compulsão) é a principal razão que leva as pessoas a comprarem o que não precisam, com o dinheiro que ainda não possuem, para impressionar quem não conhecem e fingir ser o que não são. O autoengano é um grande opositor do autoconhecimento e o maior aliado dele é o medo da exclusão social”, continua Magaldi.

Outro exemplo pode ser a dependência excessiva do que dita a moda, como forma de tentar se enquadrar no padrão vigente. “Na verdade, tudo o que fazemos para atender expectativas externas, coletivas ou familiares, para sermos aceitas sem levarmos em conta quais são nossos reais desejos, vontades, valores e conceitos pode ser considerado um sinal de que não estamos nos expressando verdadeiramente”, arremata a psicóloga Sâmara Jorge.

O mais doloroso, porém, é quando o distanciamento de nós mesmas provoca uma angústia ou uma resignação que nos engessa. “Dá para sentir quando se está vivendo de forma resignada, quando é difícil encontrar ânimo para levantar da cama e ir para aquele emprego que não dá prazer, é entediante e nos deixa exauridas. Ou quando o relacionamento já não nos preenche e estamos dormindo ao lado de um estranho”, diz a terapeuta Lúcia Rosenberg.

 

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