Concentre-se em viver o presente

Descubra quão precioso e importante pode ser desfrutar do agora e deixe de viver no passado e futuro

Por Thays Sant'Ana Atualizado em 20 dez 2016, 18h33 - Publicado em 10 Maio 2012, 13h10
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Enquanto executamos nossas atividades diárias, é muito comum encontrarmos a mente remexendo algo do passado ou projetando inúmeras expectativas para o futuro. Não é que haja, necessariamente, algo de errado com isso, mas, ao agirmos de tal maneira, nos esquecemos de olhar para o que está se passando aqui e agora, dentro e fora de nós.

Para o mestre espiritual Eckhart Tolle, autor do livro O Poder do Agora (ed.Sextante), dessa forma “a jornada da vida deixará de ser uma aventura, será apenas uma necessidade obsessiva de chegar, de alcançar, de fazer algo”. Mas por que será que é tão difícil ficar inteiramente focada? “Quando projetamos o futuro, a tentativa é de controlar o desconhecido, evitando qualquer surpresa desagradável, o que nada mais é do que uma remontagem do passado, com tudo o que gostamos e sem o que não gostamos”. É o que pensa o terapeuta coordenador do Instituto de Renascimento de São Paulo, Khalis Chacel.

Contudo, estar no presente demanda uma tremenda aceitação de quem somos. “Não importa quão bom sejamos, convivemos com uma exigência de sermos sempre melhores. Assim, nos deparamos com uma frustração acerca do que poderíamos ter sido e não fomos, ter feito e não fizemos, e com uma expectativa do que podemos nos tornar”, defende a instrutora de ashtanga ioga do estúdio Dai-me Yoga, em São Paulo, Patrícia Varela. “Precisamos pesquisar nosso interior e nos perguntar: por que esse momento não me basta?”

Seja qual for o seu mecanismo para fugir do aqui e agora, o mestre espiritual Eckhart Tolle adverte: a falta de presença pode gerar doenças. “Mal-estar, ansiedade, tensão, estresse e preocupação – todas as manifestações de medo – são causados por um excesso de futuro. Culpa, arrependimento, ressentimento, injustiça, tristeza, amargura e outras formas em que há ausência de perdão são provocadas por um excesso de passado.”

Abra espaço para coisas novas

 

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Eckhart Tolle sugere uma pergunta para checar se estamos vivendo ou não no momento presente: “Há alegria, bem-estar e leveza naquilo que estou fazendo?”. Caso a resposta seja negativa, é sinal de que, mais uma vez, nossa mente anda perdida em diálogos internos. O mais interessante é que, segundo o autor, nem sempre é necessário mudar o que estamos fazendo, e sim o modo como fazemos. “Ao agir com consciência do momento presente, tudo o que você fizer ficará cheio de qualidade, de cuidado e de amor, até mesmo o ato mais simples”, orienta o mestre espiritual.

 

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Também é no presente que temos a oportunidade de fazer algo diferente do que vínhamos fazendo até então. Tolle diz que “o único lugar onde uma mudança verdadeira pode ocorrer e onde o passado pode ser desfeito é no Agora”.

A terapeuta Katia Daher, de São Paulo, explica que nossa mente costuma catalogar as experiências de modo que, da próxima vez em que houver uma situação parecida, ela já saiba como agir. No entanto, se respirarmos fundo algumas vezes e trouxermos nossa atenção para o instante atual, poderemos nos surpreender com nossas escolhas. É isso o que nos permite ir a um restaurante e provar um prato completamente diferente dos que são conhecidos do nosso paladar. Ou mesmo o que abre espaço para uma conversa civilizada com alguém que, até então, só funcionava na base do “quem fala mais alto”, diz Katia.

 

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A tradição budista acredita que a mente está contaminada com três venenos: a cobiça, o ódio e a ignorância. O primeiro deles é o nosso velho hábito de correr atrás dos nossos desejos; porém, mal os realizamos e já estamos perseguindo novos. Já o ódio seria uma espécie de outro lado da moeda da cobiça: as reações que temos diante daquilo que não gostamos ou aceitamos. A ignorância é considerada a raiz dos dois venenos anteriores, pelo fato de nos impedir de ver as coisas como elas realmente são. É ela que não nos deixa perceber a impermanência de tudo o que existe e nem as pseudofelicidades às quais nos agarramos.

 

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Libertar-se desses três venenos é atingir a iluminação, um estado de felicidade plena. Eckhart Tolle diz que a aceitação do momento é o que pode, de fato, transformá-lo no que desejamos. “No estado de rendição, você vê nitidamente o que é preciso fazer e pode tomar as providências necessárias, concentrando-se em uma coisa de cada vez. Se a sua situação global for insatisfatória, renda-se ao que esse instante é. O seu estado de consciência deixa de ser controlado por condições externas. Você deixa de reagir e de resistir”, diz Tolle. Feito isso, é hora de se perguntar o que pode ser feito naquele instante. “Pode ser que planejar seja a única coisa a fazer agora. Se não puder tomar quaisquer providências ou se retirar da situação, então renda-se profundamente ao agora. A vida torna-se útil e coopera com você.”

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