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Aprenda a praticar a meditação chinesa chan

Levada da Índia para a China, essa corrente meditativa tem provado que a prática purifica a mente e, assim, torna a realidade muito mais tranquila e fluida.

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Como assinala o Venerável Mestre Hsing Yün, fundador da ordem budista Fo Guang Shan, sediada em Taiwan, “quando estamos constantemente em desavenças com nossas mentes, o sofrimento é inevitável”. Portanto, a meditação chinesa chan (termo originado de dhyana, em sânscrito, que significa estados aprofundados da consciência), surge como pacificadora do indivíduo, que, uma vez lúcido para a realidade tanto concreta quanto sutil, pode beneficiar a si próprio e a um maior número de seres. Concebida pelo Buda Shakyamuni, na Índia, e levada à China, no século VI d.C., pelo monge Bodhidharma, tal compreensão é praticada no templo Zu Lai, em Cotia, na Grande São Paulo. A entidade tem suas raízes no budismo maaiana, segundo o qual a natureza búdica é patrimônio de todos. Seus seguidores empenham-se em aplicar esse legado na forma de pensar, falar e agir no dia a dia. Daí a denominação budismo humanista. Numa quinta-feira ensolarada, BONS FLUIDOS visitou o belo complexo cercado por jardins, pátios e estátuas. Além da farta vegetação, há um lago no local. A poucos minutos da capital, o cenário atrai muitos curiosos, principalmente, nos fins de semana. Mas naquela manhã o santuário estava vazio e silencioso. Num salão repleto de mesinhas, ouvimos a vice-abadessa do templo, reverenda Jue Xuan, de Taiwan. Ela e a mestra Miao You, da Malásia, sorridente tradutora, ofereciam e bebiam chá enquanto conversavam. Sem pressa, a religiosa retornou aos primórdios da linhagem, encadeou a sucessão de mestres até elucidar, por meio de metáforas singelas, a essência da meditação chan. “Como um lago, a mente revolta não permite ver as coisas a fundo, com a devida transparência”, compara. Motivo pelo qual precisamos acalmar essas águas valendo-se da atenção plena para, então, enxergarmos a sabedoria que reside em nossa essência e passarmos a agir sob sua influência, libertando-nos da ignorância e do sofrimento.

Qualquer pessoa pode aderir à modalidade meditativa, mas é preferível, explica a reverenda, que se esteja familiarizado com o princípio dos três treinamentos: meditação, moralidade e sabedoria. “Contemplar a respiração, em perfeita paz, denomina-se meditação. Cessar o mal denomina-se moralidade. Sobrepujar o mal para compreender a verdade denomina-se sabedoria”, ensina ela. O mal, para os budistas, é representado pela ganância, raiva, ignorância ou a combinação deles. Trocando em miúdos, Buda ensinou que o cultivo da moralidade nos liberta de imperfeições como a ganância e a raiva; a meditação conduz à paz; e a sabedoria permite que o aprendizado se converta em benefícios.

Esse é o tripé que orienta a conduta do radialista mineiro Aristides dos Santos Dias. Atual relações públicas da entidade e discípulo, ele se livrou de uma dor de cabeça crônica que o levou “à beira de um colapso” graças à prática diária da meditação, pela manhã e à noite, paralelamente ao estudo dos ensinamentos budistas. Experiência consolidada ao longo do curso de dois anos, de 2006 a 2008, em regime de semi-internato, chamado vivência monástica, hoje ofertado em módulos com duração de um mês. “Em 60 dias, a dor desapareceu”, conta. Sem qualquer envolvimento prévio com o budismo, ele largou emprego, família e amigos para ir atrás da cura. Eis o que encontrou: “Eu estava me sabotando sem perceber. Minha doença era meu modo de pensar e agir. Era refém da ansiedade, da autocobrança e do perfeccionismo. Ao mudar a mente, muda-se o corpo e tudo ao redor”, afirma. “A meditação traz clareza e aprofunda a autopercepção. Com isso, o praticante faz descobertas incríveis sobre si mesmo e sobre o mundo. Consegue inclusive desviar do que não lhe serve mais”, acrescenta.

Como praticar

A postura de lótus – sentado com as pernas cruzadas e os pés sobre as coxas – ou meio-lótus – apenas um pé sobre a coxa – são as mais indicadas, pois dão estabilidade ao corpo e, por tabela, à mente. É possível ainda sentar-se em uma cadeira ou banquinho de meditação, desde que a coluna permaneça ereta, assim como a cabeça e o pescoço.

Repouse as mãos no colo, com o dorso da mão direita sobre a palma da esquerda. A ponta dos polegares se tocam levemente e os ombros se mantêm abertos, de maneira que o peito relaxe e deixe a respiração fuir com suavidade.

Os maxilares e os lábios devem fcar levemente cerrados; a ponta da língua, atrás dos dentes superiores.

Fixe os olhos, ligeiramente abertos, em um ponto imaginário à sua frente numa distância de no máximo 1 metro. Assim, evita-se a sonolência.

Iniciantes podem se dedicar aos poucos. Cinco ou dez minutos por dia está de bom tamanho. o importante é manter a regularidade. Adiante, recomenda-se cerca de 20 minutos pela manhã e à noite.

 

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