Três perguntas para: Philip Yang

Mestre em administração pública pela Universidade de Harvard, Yang fala sobre os desafios enfrentados por grandes cidades como São paulo

Por Por Lucila Vigneron Villaça Atualizado em 9 set 2021, 13h28 - Publicado em 2 fev 2017, 13h05

Philip Yang já atuou como diplomata brasileiro em vários países, tendo morado em Pequim, Genebra e Washington. O urbanista é apaixonado pela capital paulista e busca soluções para ela por meio do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole, ONG conhecida como URBEM.

Comparando com as grandes cidades em que você viveu, o que avalia como bom e ruim em São Paulo? 

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O que fascina em São Paulo é o dinamismo, a pujança econômica, a diversidade social e a riqueza de manifestações culturais. A lista de problemas é enorme e sentida na pele de todos. De forma geral, acho ruim o grande desequilíbrio entre as ofertas de áreas públicas e privadas, entre o verde – não construído – e o cinza – construído –, além das grandes assimetrias nas ofertas de bairros que conjuguem moradia e trabalho. Pontualmente, o que tem me preocupado muito é a degradação do extraordinário atrimônio que temos no centro. 

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De todas essas questões, qual você considera mais urgente?

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Creio que os problemas mais graves enfrentados por São Paulo hoje são a segregação socioespacial e a ausência de uma base de bens públicos e de valores agregadores que garantam a coesão social: valores de convívio que permitam a cidadãos de diferentes origens econômicas e culturais compartilhar um espaço urbano comum. Quando dispomos de um bem público inestimável, como é o caso do Parque Ibirapuera, em São Paulo, da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, ou do Central Park, em Nova York, as diferenças se tornam difusas e as pessoas se congregam – ou ao menos se toleram – para celebrar a vida. 

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É possível a uma megalópole ser sustentável e oferecer qualidade de vida a seus habitantes? 

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Isso já aconteceu no passado em volume suficiente, mas o crescimento da população e a era digital nos impõem novos desafios. A luta por uma megalópole sustentável é ainda uma busca em curso. Não há uma resposta definitiva e a literatura está dividida entre os céticos e os arautos das grandes cidades, entre aqueles que acreditam que as metrópoles caminham irremediavelmente em direção à favelização, como Mike Davis, autor de A Planet of Slums, e os que olham para as cidades como a maior invenção da humanidade, ponte para um futuro de prosperidade, caso de Ed Glaeser, escritor de O Triunfo das Cidades.

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