Sustentável e premiada, esta casa só tem a aparência antiga

A construção reaproveitou matérias-primas do próprio terreno e reduziu em 50% as emissões de gás carbônico

Por Giuliana Capello Atualizado em 9 set 2021, 12h51 - Publicado em 5 jun 2017, 14h51

À primeira vista, esta casa pode parecer tão antiga quanto as que estão ao seu redor, na pequena Ayerbe, província de Huesca, nos Pireneus espanhóis. Na verdade, o projeto da arquiteta catalã Àngels Castellarnau, do Edra Arquitectura km0, tem apenas três anos.

O imóvel, sua atual residência, tem 80% do seu peso representado por taipa, palha e pedras da região, e foi inspirado nas antigas construções locais feitas de terra, seu objeto de pesquisa há mais de dez anos.

As paredes de taipa com palha (prensada em compressor elétrico) receberam acabamento de argila, seguindo uma técnica vernacular. Xavier d’Arquer/Doblestudio/Xavier d’Arquer/Doblestudio

“Procurei seguir a mesma orientação, morfologia e uso de materiais daqui com o intuito de resgatar técnicas sustentáveis que, desde o século passado, estavam desaparecendo”, conta Àngels, vencedora do Terra Award, prêmio internacional de arquitetura contemporânea com terra no qual ela concorreu com mais de 350 projetos do mundo todo.

Para garantir mais conforto térmico, o piso de pínus foi instalado em toda a casa sobre placas de cortiça natural e a marcenaria apresenta vidros duplos com câmara de ar interna, forma de armazenar calor. Xavier d’Arquer/Doblestudio/Xavier d’Arquer/Doblestudio

Além de valorizar a cultura na qual se insere, a morada de 276 metros quadrados destaca-se por ter reduzido em 50% as emissões de CO2 na análise de ciclo de vida graças ao intenso uso de matérias-primas naturais consideradas quilômetro zero (isto é, obtidas no próprio território), uma marca do escritório de Àngels.

Na lista, estão ainda cal, telhas, madeira e lã de ovelha, todas oriundas de um raio máximo de 150 km. “Acredito que materiais locais e pouco processados na indústria ajudam a reconectar o homem com a natureza e suas origens”, afirma Àngels.

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