Casa com estrutura metálica paira sobre a lagoa

Claramente assumida, a moldura de aço confere a esta casa uma linguagem gráfica que convive bem com seu entorno – a imensidão de águas da Lagoa da Conceição, em Florianópolis

Por Texto Silvia Gomez | Produção Deborah Apsan | Projeto Marchettibonetti+ arquitetos associados Atualizado em 9 set 2021, 14h09 - Publicado em 16 dez 2015, 09h00

Relativamente estreito (15 m de largura) e com vizinhos dos dois lados, este poderia ser mais um terreno comum, como muitos outros tipicamente urbanos. Mas o lote de 667 m² está num lugar nada prosaico: era um dos últimos disponíveis naquele endereço especial de Florianópolis, a Lagoa da Conceição, trecho da ilha querido por moradores e também por turistas. “Ele ocupa bem a ponta da península”, conta o proprietário, um administrador de empresas. Vantagem essa que o projeto não poderia trair. “Por isso, orientamos todos os cômodos para a paisagem, nos dois níveis principais. O fechamento se dá com grandes portas de vidro”, diz o arquiteto Giovani Bonetti, autor do desenho ao lado de Taís Adriana Marchetti Bonetti. 

A fim de conseguir tais aberturas generosas – com vãos de até m de extensão –, a construção de 796 m² optou pela estrutura metálica, assumida visualmente no exterior como uma espécie de moldura livre. “Essa escolha também se deu pela urgência por uma obra mais rápida. Usamos fundação e pilotis de concreto para apoiar o esqueleto. Todo o resto da vedação emprega alvenaria”, detalha Giovani. O resultado é uma feição movimentada, um jogo entre cheios e vazios pronto em meses. 

Lá dentro, o propósito era não obstruir a vista conquistada. Por isso, predomina a integração. “Na área social, as salas de estar, TV e jantar se misturam e parecem continuar no terraço. Quando necessário, a cozinha pode ser camuflada por painéis de correr de madeira.” No pavimento superior, a situação se repete quando a suíte principal se vê aberta para uma agradável varanda. Esse desfrute do entorno acontece novamente na laje da cobertura, convertida em mirante. “Giovani deu à residência o nome de casa-deck, pois o tempo todo você sente como se estivesse num barco ancorado, observando o mar”, revela o morador. Embaixo, outro deck aparece, desta vez circundado pela piscina. “A raia de 25 m era um desejo. Para viabilizar essa extensão toda, a solução foi posicioná-la do início ao fundo do terreno, no sentido do comprimento. Assim, o térreo parece banhado pela água”, afirma Giovani. Nessa lateral, o muro cobriu-se de espelho, truque a favor da sensação de amplitude, reforçada pelo reflexo do paisagismo e das árvores em volta. “Dependendo do ângulo, essa superfície reflete também a lagoa.” Talvez para lembrar, mais uma vez, que esse cenário não tem nada de comum.

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