Belém Novo: clima de praia

Na zona sul, dois mundos dividem as margens do rio Guaíba

Por Um condomínio de luxo compõe um mundo à parte da realidade do bairro periférico de classe média baixa Atualizado em 14 dez 2016, 10h52 - Publicado em 18 jan 2007, 14h01

Muito verde, pouca gente, um cenário deslumbrante – os bairros Belém e Belém Novo são locais privilegiados na capital gaúcha. E acabaram se tornando refúgios para quem prefere tranqüilidade e segurança, apesar da distância em relação ao centro da cidade (cerca de 40 km). Considerado periférico, o bairro sempre concentrou uma população de classe média baixa. O grande vetor de mudança é um empreendimento luxuoso e de grande porte, o Terra Ville (http://www.terraville.com.br). Com mais de 170 ha e dividido em 13 vilas, o condomínio fechado é quase uma cidade, com escola de inglês, unidade de pré-escola, campo de golfe, UTI móvel, recreação infantil, padaria, videolocadora, salão de beleza, clínica veterinária e armazém. Além da infra-estrutura, há fartura em áreas verdes: são 700 m² por proprietário de lote. “Não temos preocupação, é como se estivéssemos na praia e isso compensa a distância”, diz a técnica de tênis Niege Dias, que mora e trabalha dentro do condomínio.

Mas, do outro lado do muro, a realidade é outra. Sem infra-estrutura, o bairro concentra famílias de classe média-baixa. Apesar da convivência pacífica, há tentativas de aproximar as duas pontas da pirâmide social, a exemplo da ONG Núcleo Comunitário Cultural de Belém Novo, nascida de uma parceria entre o condomínio e a Brigada Militar há cinco anos. “O núcleo oferece cursos profissionalizantes, aulas de música, de inglês para os jovens mais carentes”, conta Índio Tadeu dos Santos, diretor operacional da ONG e morador do bairro há mais de 30 anos.

Belém Novo é uma variação do nome do arraial, cuja primeira sede foi o Bairro.

Belém Velho. Em 1867, um grupo de moradores solicitou a mudança da freguesia, que passou para uma área às margens do Guaíba após concessão obtida em 1873. Em 1876 tem início a construção da Igreja local, finalizada 8 anos depois e denominando-se Nossa Senhora do Belém Novo. No decorrer da construção, em 1880, o presidente da Província efetiva a transferência da freguesia, denominando-a de “Arado Velho”. Porém, enquanto o entorno do centro de Porto Alegre passava por processo de modernização e urbanização, Belém Novo, em conseqüência de seu difícil acesso, manteve uma caracterização agrária, principalmente pelo grande número de chácaras mantidas por pequenos agricultores e famílias de classe alta, que possuíam casas de veraneio junto à tranqüilidade bucólica que o local apresentava. Somente em 1933, com a conclusão de uma rodovia que o ligava ao centro, Belém Novo passou a ser um local de fácil acesso. Apesar de seu histórico, Belém somente veio a integrar-se oficialmente, enquanto bairro, no ano de 1991. No entanto, a região desenvolveu importante função pela localização às margens do Guaíba, garantindo para região o desenvolvimento da pecuária e agricultura e o estabelecimento de sede campestre para inúmeras instituições.

Pontos positivos

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Segurança

Tranqüilidade

Pontos negativos

Distância dos bairros centrais

Pouca oferta de lazer e serviços

A grande maioria dos 13 mil moradores dos bairros Belém e Belém Novo pertencem à classe média baixa, em que os responsáveis têm renda em torno de 4 salários mínimos. Dentro dos limites do condomínio Terraville, a realidade é outra – ali se encontram famílias, que desembolsam entre R$ 140 e R$ 600 mil por um lote, atraídas pela tranqüilidade e beleza do local.

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