Como pintar os azulejos e renovar cozinhas ou banheiro

Dar fim às estampas antigas, disfarçar manchas do tempo ou até eliminar a aparência da cerâmica. Tudo isso é viável, desde quecom a tinta certa

Reportagem: Lara Muniz (texto) e Simone Monteiro (visual)

André Fortes

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Há duas técnicas para que o jeitão antigo do seu azulejo ganhe cara nova ou até suma. Na primeira delas, mais simples, a aplicação da tinta cobre as cores do desenho original, mas mantém visíveis os relevos tanto dos revestimentos quanto dos rejuntes. A outra opção, mais complexa, elimina de vez qualquer vestígio de cerâmica, deixando a parede lisinha, com jeito de alvenaria convencional. Em ambos os casos, um item merece total atenção: “A tinta correta é fundamental”, avalia o arquiteto Ricardo Miura, sócio de Carla Yasuda.

Conheça alguns produtos:

 

Epóxi Catalisável, da Lukscolor Oferece dois tipos de catalisador – o amida, para locais secos, e o amina, indicado para ambientes sujeitos à umidade. o kit epóxi só é vendido completo, com galão de 3,6 litros da tinta, catalisador e diluente. preço médio do conjunto: R$ 167.

 

Novacor Azulejo, da Sherwim-Williams À base de água, é monocomponente. Sai por R$ 129 na cor branca (galão de 3,6 litros).

 

Sayerdur Acqua, da Renner Sayerlack À base de água, é monocomponente. Preço sugerido pelo fabricante: a partir de R$ 160 o galão de 3,6 litros na cor branca.

 

Suvinil Epóxi Tinta bicomponente, tem as duas partes vendidas separadamente. o galão na cor branca (3,6 litros) vale R$ 130 e o catalisador (0,9 litro), R$ 32, na Tintas MC.

 

Wandepoxy, da Coral Epóxi bicomponente, vende separadamente a tinta (2,7 litros) e o catalisador (0,9 litro). Na cor branca, valem R$ 100 e R$ 25, respectivamente, na loja Império das Tintas.

 

Cuide bem As tintas para azulejo criam um filme que protege e dá cor às peças. Depois de secas, são bastante resistentes – tanto que podem ser limpas com água e sabão neutro, sem o risco de descascar ou descolorir, desde que se evitem materiais abrasivos como esponjas rígidas, escovas grossas e palha de aço.

Como fazer a pintura com o relevo aparente:

André Fortes

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Aprenda a pintura que mantém o desenho original do azulejo e o torna mais discreto.

 

1. Limpe bem a superfície com água e detergente neutro, até eliminar todos os vestígios de sujeira e gordura, tanto das cerâmicas quanto dos rejuntes (caso haja mofo, elimine-o também). Preencha as falhas com massa acrílica.

 

2. Aguarde a secagem por 24 horas.

 

3. Prepare a tinta seguindo à risca as recomendações do fabricante.

 

4. Dê a primeira demão. Dedique atenção especial aos rejuntes para que não fiquem de fora da passagem do rolo.

 

5. Espere secar (o tempo exigido é indicado na embalagem do produto).

 

6. Use lixa fina para alisar suavemente a superfície. Um pano seco elimina o pó.

 

7. Aplique a segunda demão, novamente de acordo com as indicações.

 

8. Se necessário, dê a terceira demão para cobrir as cores mais difíceis de esconder. Isso normalmente ocorre quando o azulejo original é escuro.

Como fazer a pintura lisa por completo:

André Fortes

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Saiba como deixar a parede lisa, sem vestígios das peças cerâmicas.

 

1. Com água e detergente neutro, limpe a superfície até eliminar a sujeira, a gordura e o mofo das cerâmicas e dos rejuntes.

 

2. Aguarde a secagem por 24 horas.

 

3. Para cobrir os relevos das peças e os rejuntes, aplique uma camada de massa acrílica (massa corrida não adere a essa superfície). Espere secar (entre 24 e 48 h, de acordo com o clima).

 

4. Depois de seco, é provável que o espaço do rejunte contraia. Se acontecer, aplique mais massa acrílica para nivelar.

 

5. Use lixa fina para fazer os ajustes finais. Um pano seco retira o pó.

 

6. Prepare a tinta (em locais secos, pode ser a acrílica, mais barata, já que vai sobre a massa) seguindo as recomendações do fabricante.

 

7. Dê a primeira demão e aguarde a secagem completa (o tempo exigido é indicado na embalagem do produto).

 

8. Aplique a segunda demão.

Cuidado nos detalhes:

 

Para que a solução funcione bem, as peças cerâmicas devem estar inteiras, assim como os rejuntes, e firmes na parede. Caso contrário, a tinta não se fixará adequadamente e o trabalho poderá se perder. Até o início dos anos 2000, era raro encontrar produtos específicos a esse fim. A solução consistia em improvisar com a cara tinta automotiva. “Usei esse truque para pintar os azulejos da cozinha e adorei o resultado. Ficou bonito e fácil de limpar”, fala a empresária Luciana Fuoco, de São Paulo. Hoje, o mercado dá conta de atender à demanda e apresenta opções elaboradas, como a tinta epóxi bicomponente (que se mistura a um catalisador e exige pausa de 20 minutos até estar pronta para o uso). Ela oferece grande resistência, mas tem odor forte e tendência ao amarelamento nas cores claras. “Conte com mão de obra especializada, pois esse tipo é o mais complexo de lidar”, afirma Arthur Moraes Filho, gerente de desenvolvimento de produtos da Lukscolor. As epóxi monocomponentes são mais simples – com baixo odor e variedade de tons. Acrílicas mais resistentes se fixam bem em paredes de locais não sujeitos à umidade. “O mais importante é seguir à risca as indicações do fabricante. Elas servem para que a tinta cumpra sua função da melhor forma”, orienta Eginaldo Frazão, gerente de produtos da Sherwin-Williams.

 

O odor forte da tinta atrapalhou a rotina da pedagoga paulista Maria Helena Fuoco, mãe de Luciana. “Copiei a ideia da minha filha, mas tive problemas com uma tinta epóxi de má qualidade. Precisei retirar tudo e investir em outro produto, o que deu muito trabalho”, lembra. Ainda assim, ela viu vantagens na pintura depois de uma reforma na hidráulica do apartamento que quebrou algumas cerâmicas. “Não precisei ir a cemitérios de azulejos procurar peças idênticas às originais. Comprei algumas da mesma medida e cobri tudo com tinta”, detalha.

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