Uma casa sem muro, mas com brises e parede de mosaico
Apesar de ser um terreno plano, essa casa tinha alguns desafios a serem vencidos. Nas fotos abaixo, você vê cada um dos desafios e como eles foram vencidos
Os olhos dos arquitetos Frederico Andrade e Guilherme Ferreira, do escritório mineiro Skylab, brilharam enquanto os ouvidos registravam como os empresários Raquel e Carlos Henrique Nogueira imaginavam sua futura casa, em Juiz de Fora, MG: uma estrutura plana, aberta, pouco compartimentada. “Depois de viver por vários anos num espaço recortado, com escadas e muito sobe e desce, tínhamos em mente algo bem arejado, com áreas social e de lazer integradas, abertas para um pátio e moldadas para nossos dois flhos, de 20 e poucos anos, receberem os amigos. Compramos dois lotes justamente para nos espalhar”, conta Raquel. Com esse conceito, os profssionais partiram para o desenho, decididos a agarrar a oportunidade de desenvolver um projeto fora dos padrões convencionais e dentro da estética modernista que tanto apreciam.
Juliano Colodeti - MCA Estúdio
Implantado num terreno de 28 x 44 m, o imóvel está muito próximo da rua. Por isso, elementos como a parede de mosaico português (Minas Ardósia) e os brises de madeira vedam alguns trechos da fachada.
Desafio: Caixa-d'água aparente. Nesta casa sem telhado, seria impossível esconder o reservatório, que, para garantir a boa pressão, precisava estar a 6,50 m do piso e 2,50 m acima dos chuveiros. A composição da fachada teve que lidar com essa questão. Solução: revestimento de mosaico. Assumiu-se a presença do reservatório. Mas os arquitetos optaram por embuti-lo numa caixa de alvenaria (com laterais de 15 cm de espessura). Esse caixote foi revestido de pedras portuguesas, como na parede logo abaixo dele.
Desafio: Ausência de muros. O condomínio não permite muros frontais, que protegeriam a fachada envidraçada pedida pelos moradores. Dessa forma, era imperativo estudar maneiras de tornar a área interna mais privativa, sem barrar a claridade. Solução: Brises de madeira. Tratadas com uma demão de stain acetinado, as réguas de cedro maciço, de 5 cm de espessura e 25 cm de largura (execução da Madeireira Gonçalves), localizam-se 1,50 m à frente dos painéis de vidro da fachada (Alunobre).
Estruturais, as laterais de concreto aparente são duplas, formadas por duas paredes de 15 cm com um vão de 20 cm entre elas. “No encontro com a laje, o chanfro suaviza o visual reto da fachada”, explica Frederico, que revestiu todo o piso com porcelanato da linha City Cement (Portobello).
Na planta em L, os ambientes se voltam para o jardim, onde fca a área de lazer, com churrasqueira, forno de pizza e piscina. “separamos a ala social, que ocupa todo o bloco da frente, dos quartos, na lateral. assim, eles têm mais privacidade. Chega-se lá por um corredor voltado para o quintal”, descreve o arquiteto Frederico andrade. Área: 580 m2. Ano do projeto: 2008. Conclusão da obra: 2010. Projeto: Skylab Arquitetos. Projeto estrutural: Paulo Henrique Scafutto. Projeto elétrico e hidrossanitário: Primus. Construção: Elson Clemente de Oliveira. Paisagismo: Painel Verde.
Desafio: Cozinha quase integrada. A proprietária pediu que esse ambiente, apesar de separado da sala, tivesse abertura para o jardim e uma circulação confortável. “Ela não queria se sentir isolada ali, mas preferiu evitar uma integração total”, diz o arquiteto Guilherme Ferreira. Solução: porta de correr generos. Quatro painéis de 1,50 x 2,50 m, de MDF com acabamento de tauari (Madecolar), separam a cozinha do jardim em frente e da área de lazer. “Quando aberta, ela permite uma boa visão de todo esse pátio interno”, revela Guilherme.
Na cozinha planejada (Marcato), as bancadas empregam granito preto são gabriel (Bra Itália). Acoplada à ilha central, está a mesa de refeições rápidas. As janelas que cercam o ambiente e dão para a fachada, em frente, e para a garagem,
na lateral, foram protegidas pelos brises de cedro maciço.
Desafio: localização da piscina. “A princípio, ela fcaria entre a área de lazer e a sala de estar”, conta Frederico. Mas, ao estudar com mais cuidado a insolação do terreno durante as quatro estações do ano, esse não se mostrou o lugar mais adequado. Solução: ocupação dos fundos. A porção mais ensolarada do lote era também a mais afastada. O deck de cumaru faz a ligação dela com o corredor externo que leva aos quartos e com a área de lazer. Pastilhas de porcelana (Cerâmica Atlas) revestem a piscina.
Desafio: acesso aos quartos e ao lavabo. Com a planta em L, a circulação para as quatro suítes se dá por um comprido corredor ao longo da lateral do jardim. “Queríamos tornar esse espaço mais iluminado e menos afunilado”, diz Guilherme. Solução: jardim interno entre os blocos. O vão de 1,90 x 3,20 m que separa a área social da íntima deu origem a um minijardim. Sua cobertura de vidro laminado (2,10 x 3,80 m) protege o acesso ao corredor que leva aos quartos, cuidado sempre festejado em dias chuvosos.
Com 120 m2, o espaço de lazer se abre de um lado para a piscina e do outro para o jardim em frente à sala de estar. O piso acompanha o mesmo padrão do porcelanato de toda a área externa. No teto, a opção foi o forro de lambri de cumaru.