GILMAR NUNES DA COSTA
16:15 - 04 de Abril de 2013
O barulho afeta as pessoas, interferindo em suas atividades diárias, na escola ou no trabalho e também em casa durante o tempo de lazer; não é somente um incômodo, mas uma séria ameaça para a saúde, sendo responsável também pelo estresse, fadiga auditiva, dores, distúrbios do sono, agressividade, efeitos cardiovasculares, entre muitos outros sintomas de risco à saúde.
E como amenizar o problema, já que não temos como acabar com o barulho? A solução está na utilização de materiais de construç... veja mais
O barulho afeta as pessoas, interferindo em suas atividades diárias, na escola ou no trabalho e também em casa durante o tempo de lazer; não é somente um incômodo, mas uma séria ameaça para a saúde, sendo responsável também pelo estresse, fadiga auditiva, dores, distúrbios do sono, agressividade, efeitos cardiovasculares, entre muitos outros sintomas de risco à saúde.
E como amenizar o problema, já que não temos como acabar com o barulho? A solução está na utilização de materiais de construção que possam contribuir para barrar a transmissão das ondas sonoras. Versátil, o vidro se apresenta como forte aliado no combate ao problema que já se tornou uma questão de saúde pública mundial: o ruído nas áreas urbanas.
Hoje em dia já existem diversos materiais que ajudam a barrar o ruído para dentro das residências, mas aqui damos destaque ao vidro, por ser um material fácil de ser encontrado e devido a sua principal característica: a transparência, que o diferencia de todas as outras opções para conforto acústico. Essa vantagem está na possibilidade de barrar o ruído, de forma eficaz, sem prejudicar a visão entre os ambientes ou com a área externa, aliando beleza e bem-estar no mesmo projeto.
“O vidro é um excelente isolante acústico por suas características fisico-mecânicas, associado ao seu bom desempenho térmico, sendo de extrema utilidade para as soluções arquitetônicas que demandem estética, transparência, iluminação, isolamento térmico e acústico”, afirma o engenheiro Davi Akkerman, proprietário da Harmonia Acústica – escritório de consultoria e projetos acústicos.
Ao encontrar um obstáculo, o som transmitido no interior é reduzido devido à reflexão do material, mas é importante ressaltar que o bom isolamento acústico não depende somente do vidro, mas também da qualidade do caixilho (janelas, portas, fachadas) e da vedação. As portas e janelas convencionais geralmente têm performance acústica compromissada com o sistema de vedação, pois as juntas entre os batentes e portas e as esquadrias das janelas são pontos críticos de “vazamento” de ruídos.
De acordo com Carlos Henrique Mattar, engenheiro e gerente de desenvolvimento de mercado da Cebrace – maior produtora de vidros planos e espelhos da América do Sul -, “janelas e portas acústicas são componentes fundamentais para evitar a propagação de ruídos, principalmente os externos”. Segundo indicações do profissional, “para uma performance acústica perfeita, as portas devem ser vedadas nos batentes e rodapés e as janelas devem ter dupla ou tripla camada de vidro e esquadrias especialmente projetadas e tratadas a fim de evitar vazamentos”.
A performance acústica depende do produto, do sistema e da fixação; se algum deles falhar, o desempenho será comprometido. Por isso, não adianta ter um vidro excelente se os outros componentes não estiverem no mesmo nível de atenuação do som. A escolha de esquadrias de alta qualidade ou acústicas (sem frestas) é fundamental, visto a relação de interdependência entre os materiais (vidro e caixilho) para o bom resultado acústico.
Já para a escolha do vidro mais adequado para barrar o som, é preciso conhecer as características do ruído, pois a especificação depende diretamente da identificação da frequência (medida em Hertz – Hz) e da intensidade do som (medida em decibels – dB), além de levar em consideração também o local de aplicação e, principalmente, o desempenho acústico desejado. Segundo Akkerman, “os fabricantes disponibilizam uma série de ensaios de isolamento, realizados em laboratórios acreditados pelo mundo, para diversas tipologias de vidros” e são esses ensaios que possibilitam a especificação do vidro realizada pelos consultores técnicos.
A especificação correta dos vidros para acústica leva em conta propriedades físicas básicas como: a “lei das massas”, ou seja, quanto maior for a espessura, maior será o“isolamento” à onda sonora; a ”lei da rigidez” que limita o uso indiscriminado dos vidros mais espessos devido a frequências críticas de modos de vibrar e, a “lei de massa, mola, massa”, na qual as ondas sonoras perdem transmissão pelos painéis de vidro pela natureza do sistema isolante duplo, exemplo dos vidros duplos ou insulados com câmaras de ar ou gases inertes.
“Os vidros acústicos isolam boa parte do som, chegando a barrar em média 40 dB, enquanto vidros comuns barram 24 dB; eles isolam os ruídos basicamente por reflexão acústica, processo físico similar à reflexào ótica. Dentre os diferentes tipos de vidro, destaco três que oferecem um excelente desempenho acústico: o duplo, o laminado com PVB (polivinil butiral) e o laminado com PVB acústico”, explica Carlos Henrique Mattar.
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