Tom Dixon quer fazer design para todos

Ontem (22/08), o famoso designer britânico Tom Dixon participou do seminário "As várias faces do design", ocorrido na feira Casa Brasil.

Por Por Nádia Simonelli Atualizado em 21 dez 2016, 00h39 - Publicado em 23 ago 2007, 21h10
Um título para uma foto sem titulo

Entre suas considerações, Dixon contou sobre sua trajetória auto-didata, sua experiência como produtor e da sua preocupação em fazer design para todo tamanho de bolso. Confira um papo exclusivo com o Casa.com.br e os principais destaques da palestra.

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Casa.com.br: Durante a palestra, você mencionou sua pesquisa com artesãos na Índia. Conte um pouco mais sobre isso para a gente.

Tom Dixon: Na Índia os artesanatos estão desaparecendo porque os consumidores estão substituindo essas peças por objetos que vêm da China por um preço menor. Eu tenho trabalhado com pequenos grupos – de cinco profissionais indianos no máximo para resgatar essa tradição. É mais fácil do que parece, quando você sai de dentro das salas de aula a criação acontece de maneira mais natural. Eu os convido a entrar em contato com a realidade em que vivem para se inspirar.

 

Casa.com.br: De onde vem a sua inspiração?

Tom Dixon: Eu gosto de ver como as pessoas trabalham nas linhas de produção. Adoro visitar fábricas, sejam elas pequenas ou grandes. E não me limito somente às fábricas de móveis ou objetos. Costumo circular por vários mercados, como moda, música e gastronomia.

 

Casa.com.br: O que você acha do design brasileiro?

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Tom Dixon: Conheço principalmente o trabalho dos Irmãos Campana. Eles são, inclusive, meus amigos pessoais. Mas estou disposto a aprender ainda mais. Estou, inclusive, aproveitando a visita à feira para conhecer mais. E estou gostando do que estou vendo.

 

PALESTRA

Carreira

Sua trajetória não se deu em nenhuma escola formal. Auto-didata, ele busca sua inspiração nas mais diversas áreas: gastronomia, música e outras artes e tem um particular apreço pelos processos de produção em geral. “Cresci em Londres em uma época que não havia cultura. Fazia as soldas de meus carros e motos, acho que a partir daí comecei a me interessar por design”, explicou.

Preocupação com o meio ambiente

Na época de soldador, sua matéria-prima preferida era sucata. Hoje, ele mantém uma preocupação com materiais que causem menos danos ao meio ambiente. Por isso, a pesquisa para industrializar o bambu, madeira de rápido crescimento. Outro queridinho na lista é o plástico – uma escolha que gera polêmica, uma vez que ele não se degrada com facilidade. Para o profissional, essa é justamente sua vantagem. “O plástico é um material de grande durabilidade e desenho peças que as pessoas não descartem com facilidade, mas usem por muito tempo”, disse Dixon.

Design duradouro

Como a palestra era direcionada a empresários e designers do setor moveleiro, Tom Dixon dividiu sua experiência na construção da identidade visual das linhas de produtos. “As marcas têm poder”, disse Dixon. “É preciso atenção e repetir certos detalhes para que o público leigo reconheça um produto com assinatura própria.” Ele acabou de adquirir uma tradicional empresa de design, a Artec, e conta sobre seus planos para o novo negócio: “Meu maior desafio será criar novidades que agradem aos clientes fiéis a essa marca”.

Filosofia Robin Hood

Ele também falou sobre sua preocupação em desenhar peças que possam ser comprados por todos. “Eu acho importante fazer peças de altos valores, pois isso me possibilita produzir outros produtos mais acessíveis”, disse. “Quando vendo uma cadeira de 50 mil, isso me permite usar esse dinheiro em outras ações como a distribuição de 50 outras peças gratuitamente.”

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