Haddad pede apoio do mercado imobiliário para o Plano Diretor

Tom amigável marcou a  primeira apresentação que Fernando Haddad fez ao Secovi depois de eleito prefeito

Por Por Nilbberth Silva Atualizado em 20 dez 2016, 20h53 - Publicado em 21 mar 2013, 14h11
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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, almoçou com empresários do mercado imobiliário paulista na terça-feira (19). O convite veio do Secovi, o poderoso sindicato das empresas que compram, vendem, alugam ou administram imóveis no estado de São Paulo – e exercem uma considerável influência sobre os destinos da capital paulista. Foi a primeira apresentação que o prefeito fez ao sindicato.

O tom da conversa foi amigável. O almoço na sede do sindicato teve tabule, quibe de forno e berinjela com queijo – as comidas fazem menção às origens libanesas do prefeito. Na abertura do evento, o presidente do sindicato, Cláudio Bernardes explicou a visão do Secovi para o futuro da cidade: quadras com prédios altos devem estar próximas a outras com edifícios de menos pavimentos; e entre as quadras faixas de árvores formariam fronteiras verdes. Bernardes também lembrou os problemas causados pelo trânsito paulistano – que trazem à cidade um prejuízo de R$ 50 bi por ano, segundo a Fundação Getúlio Vargas. É o dinheiro perdido com as riquezas que deixam de ser produzidas enquanto as pessoas estão paradas nos engarrafamentos sem trabalhar ou consumir; também entram na conta os gastos com combustível e os prejuízos à saúde causados pela poluição.

Haddad pediu apoio para rever o Plano Diretor Estratégico de São Paulo, a lei municipal que determina como a cidade deve se desenvolver, aprovada em 2002. O plano precisa ser atualizado e incluído na lei o Arco do Futuro, que é o plano urbanístico para São Paulo criado pela sua equipe de governo. O projeto prevê qualificar vias importantes fora do centro expandido – os bairros da cidade construídos entre as marginais Pinheiros e Tietê que concentram as vagas de emprego. As ruas urbanizadas da periferia seriam ocupadas por empresas, comércio, centros de pesquisa, universidades e prédios residenciais. A prefeitura planeja atrair esses empreendimentos com incentivos ficais. Assim as pessoas trabalhariam mais perto de casa, o que diminuiria os deslocamentos e o trânsito.   

No encontro, o prefeito deixou claro que tem pressa para mudar o plano diretor e que queria apoio do setor privado para isso. “Sinto no Secovi um parceiro importante. Embora possamos ter visões divergentes, trabalhamos para um objetivo comum”, disse Haddad. “Nossa grande preocupação é combinar urgência de um lado e a vontade da sociedade de discutir o marco regulatório”, acrescentou mais tarde. O prefeito também deixou claro que os interesses dos empresários seriam levados em conta. “O executivo não terá uma posição imperial – a participação de vocês, empresários, é muito bem-vinda”.

Além disso, Haddad foi amigável ao tirar das empresas imobiliárias a culpa pela desordem urbanística de São Paulo. “O grande problema do setor imobiliário é quando ele não tem direcionamento claro da orientação política. A vontade do empresário é seguir regras”, diz Haddad.  “Quando o setor público não regula a atividade empresarial adequadamente, surge a sensação de que a cidade não está se desenvolvendo de forma positiva”.

O prefeito também abordou a necessidade de pleitear as verbas disponíveis nos governos federal e estadual. E aproveitou para propagandear que tem experiência no assunto: “Quando presidi o Ministério da Educação, aprendi que, no Brasil de hoje, o que falta é bom projeto. Se você colocar um bom projeto na mesa do governador ou presidente, ele será realizado”. Haddad espera atrair para a capital investimentos estaduais e federais da ordem de R$ 20 bi.

 

 

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