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Casa Cor Trio 2010: todos os ambientes da Casa Office

Conheça as boas ideias para home-office, escritórios e espaços coorporativos nos 19 ambientes da mostra Casa Office.

De 8 de Novembro a 30 de Novembro no Jockey Club de São Paulo, acontece a Casa Cor Trio, com três mostras simultâneas: Casa Boa Mesa, Casa Office e Casa Festa. Conheça nesta galeria as boas ideias para home-office, escritórios e espaços coorporativos nos 19 ambientes da mostra Casa Office.

 

Confira uma entrevista com a arquiteta pesquisadora da área há 20 anos, Claudia Andrade, da Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa.

Por Samira Almeida

Arquiteta atuante e pesquisadora da área há 20 anos, Claudia Andrade, da Andrade Azevedo Arquitetura Corporativa, conhece profundamente as mudanças sociais que trouxeram para os escritórios de todo o mundo uma série de conceitos de ocupação diferentes ao longo dos anos. Sua atuação híbrida – entre a pesquisa aplicada (doutora pela FAU-USP e professora no Instituto Belas Artes Belas Artes e no MBA em gerenciamento de Facilidades da Poli- USP) e a atividade no mercado (responsável pela área de projetos a Andrade Azevedo), possibilita uma visão ampla do mercado e alta capacidade de inovação. Nesta entrevista ela fala sobre o surgimento de conceitos e sua mudança, do que se apresenta como imperativo para os escritórios na atualidade e da difícil relação do brasileiro com a ecologia e a acessibilidade, além de produtos que prometem novas possibilidades criativas nesse mercado.

Pode-se dizer que há, de fato, uma cultura de arquitetura corporativa no Brasil?

Sim, a arquitetura corporativa ganhou força a partir do final da década de 80, quando começou a entrar tecnologia de informação nas áreas de escritórios. Em 1990 surgiu a NR 17, a legislação de ergonomia do Ministério do Trabalho, que obrigava as empresas a se adequar num período de 4 anos. E isso tudo fez com que houvesse uma demanda grande por modernização no ambiente de trabalho. Mas apesar de a arquitetura de espaços corporativos ser reconhecida no mercado, o que se vê é que não tem uma formação voltada para o tema e o arquiteto é ainda formado um generalista, que sabe fazer projeto, mas não tem especialidade. Muitos escritórios de arquitetura residencial fazem também arquitetura corporativa. São poucos os que são especializados nessa área, como nós.

Com relação a esse período inicial, que mudanças tem se encontrado no modo de planejar os espaços corporativos?

A partir da segunda metade da década de 80, quando a tecnologia da informação foi para o escritório, as empresas iniciaram processos de reestruturação de negócios por conta da automatização de processos e da terceirização, que excluiu do ambiente de trabalho tudo o que era periférico ao negócio. Mas se na década de 80 as pessoas não estavam preparadas pra isso, eram dependentes desse face-to-face, hoje não é mais assim.

A primeira coisa naquela época foi a tentativa de se criar o home-office. Quando se viu que existia tecnologia para que as pessoas trabalhassem fora dos domínios da empresa, a primeira coisa que se pensou foi em mandar o contingente para casa e reduzir espaços e custos operacionais, aumentando o lucro. Houve aumento do número de divórcios nos Estados Unidos, aumento de licenças por depressão (porque as pessoas se isolaram) e até problemas de lesões ósseo-articulares porque o ambiente de casa não era adequado ao trabalho. Além disso, muitos trabalhadores que precisavam de mais dinheiro, começaram a trabalhar pra outras empresas também, inclusive para a concorrência. Então, o que parecia ser a solução se mostrou um grande problema e as empresas quiseram trazer de volta esse contingente, mas já não se podia dizer “esquece tudo, eu te dou uma mesa e você volta a trabalhar aqui”.

Criaram-se os conceitos do hotelling (compartilhamento de salas reservadas por executivos), do free adress (compartilhamento de estações de trabalho para o staff e a média gerência) e do red carpet club (ambientes de integração e troca de informação para executivos que passavam mais tempo fora da empresa), que também tiveram resistência muito forte por questões comportamentais. Foi a partir da existência desses novos conceitos que se verificou realmente a dimensão social do escritório: as pessoas criam círculos sociais ou pelo menos tentam criar.

Então geralmente se criavam cafeterias, espaços de descompressão e para reuniões informais, mas esses conceitos eram bem compartimentados e não usados juntos. Várias empresas usaram esses conceitos. Algumas foram mais bem-sucedidas e outras não foram bem-sucedidas. Naquele momento o mundo saiu do século XX. Houve uma ruptura nas relações de trabalho, nas relações sociais e na familiar porque a divisão de “espaço de trabalho, espaço de família, espaço de lazer” se miscigenou e a família foi reduzindo.

Quais são as demandas atuais para os escritório?

Todo mundo quer saber o que é importante para um escritório. Mas cada empresa é uma empresa, então não existe uma regra. O que precisa, sem dúvida nenhuma, é entender da empresa. Eu faço até uma analogia com o médico: você vai ao médico e ele faz a anamnese – pergunta tudo. Na arquitetura corporativa é a mesma coisa; eu até criei o termo “anamnese do espaço”. Faço todas as perguntas em relação a empresa, às suas necessidades, ao tipo de negócio em que atua, à missão, aos valores, à cultura, às sinergiais, às especificidades… e depois a gente entra com o conhecimento pra dar um diagnóstico e propor uma solução.

Mas é a minoria das empresas no Brasil que tem essa maturidade quanto ao seu DNA.

Sim, às vezes a gente até monta a missão e a visão junto com a empresa. A gente diz “ah, sua empresa é isso, não é?!”. Acontece também.

E como surgem essas soluções?

Depois disso o escritório entra com o expertise para elaborar um diagnóstico e propor a melhor solução. Esse é o grande diferencial do nosso escritório. Estamos há 20 anos no mercado e, nesse período, atuamos também com pesquisa aplicada. Isso permite que você acesse e crie melhores procedimentos metodológicos; vc cria esse arcabouço de conhecimento que vai exatamente permitir uma melhor atuação, mais inovadora. Então você conhece a empresa, mas para inovar com aquilo, tem que ter o conhecimento.

Mas existem conceitos que sejam aplicáveis a todos os projetos e outros que sejam tendências ligadas à mudança natural da sociedade? O que se observa mais recentemente é que as empresas – mesmo as brasileiras – atuam no mercado global, onde a informação e as oportunidades são extremamente voláteis (o que faz da agilidade fundamental). Então a empresa precisa de uma estrutura que permita competitividade em diversos mercados e precisa de profissionais com essa característica também, essa resiliência para o negócio e flexibilidade pra atender diferentes oportunidades.

Outra característica é a tecnologia. Desde aquela mudança toda, e hoje cada vez mais, as atividades num escritório são as de “base intelectual”, porque existe de fato mobilidade e, se naquele momento a fragilidade estava nas pessoas, hoje essa mobilidade começa a fazer sentido, com a entrada no mercado de trabalho da chamada geração Y.

Desde 2005, as pessoas que nasceram na década de 80 e experimentaram todas aquelas mudanças (a chamada geração Y) estão entrando no mercado de trabalho e hoje já representam 44% da mão de obra. Essas pessoas já nasceram com a tecnologia, se divertem com a tecnologia e formam suas relações sociais com isso. São pessoas mais irriquietas, multitarefas, que gostam de criar e precisam ser estimuladas o tempo inteiro. Então o espaço de trabalho tem que suprir essas necessidades.

Falamos de flexibilidade, mobilidade, das pessoas que são integradas, familiarizadas com a tecnologia e não dependem mais do olho no olho como as gerações anteriores. Elas exercem uma atividade de base intelectual que demanda uma série de tarefas diferenciadas ao longo do dia, com requerimentos específicos. Como são várias as atividades, não faz mais sentido ter um ambiente uniforme, cartesiano, racional e hierarquizado.

Hoje, há 10 anos em média, o ambiente de trabalho no Brasil é um ambiente anacrônico. Ele não reflete mais a dinâmica das organizações, não reflete a mobilidade que a tecnologia dá e nem a dinâmica do trabalho propriamente dita. Nesse sentido, a tendência é exatamente entender que no escritório se exercem diversas atividades e que se precisa dimensionar, mobiliar e iluminar diversos ambientes de acordo com as atividades, como numa casa. E quem muda são as pessoas. Eu mudo de lugar. Agora estou aqui e já vou na minha sala fechada e vou escrever um e-mail. Depois vou receber uma pessoa; eu posso ir tanto pra uma área de integração, convivência, como para uma sala de reunião fechada. Esquecendo o aspecto cultural, toda empresa hoje pode trabalhar assim. Sem exceção. O que varia muito é a cultura da empresa. Aqui voltamos ao princípio. Tem que entender a empresa.

O quanto o projeto reforça ou cria a personalidade da empresa, seu posicionamento e etc?

As empresas têm três áreas de suporte, pilares físicos. Primeiro as pessoas, então recursos humanos é fundamental; vai estabelecer a regra do jogo para a contratação, vai capacitar, remunerar e tal. Depois nós temos os recursos tecnológicos, que é toda a ferramenta de trabalho e também o que define a execução dos processos. E tem a área de real state, de facilities, de recursos físicos e prediais da organização. São essas áreas que vão dar o suporte para que essa empresa atue no mercado e elas têm que estar integradas no processo de mudança. E com certeza o espaço influencia na produtividade e no comportamento. É ele que agrega tudo e cada vez mais a nossa forma de comunicação com o mundo passa a ser mais visual, então o espaço cria a atmosfera.

Fala-se muito de ecologia, eficiência econômica e acessibilidade. Isso já é realidade no Brasil ou ainda estamos longe, apenas cumprindo exigências?

Mais ou menos. No campo da ecologia temos um caminho longo a percorrer. Ainda estamos lidando com aspectos de perfumaria e indo menos ao cerne da questão por diversas razões: primeiro porque ainda é mais caro ser ecológico aqui no Brasil; depois porque é um traço da nossa cultura, que é baseada em custo, ainda mais na área de gestão de recursos físicos e prediais. Então o Facility (pessoa que cuida dos recursos físicos e prediais) acaba optando por fazer o que vai atender a lei e só. E existe um entendimento equivocado do mercado de que a lei é o suficiente, mas sabe-se que se legisla pelo mínimo. Então quanto a empresa atende a lei, ela está atingindo o mínimo necessário para que se tenha salubridade, segurança, conforto, dentro daquele determinado ambiente, não mais que isso.

O mesmo acontece com a acessibilidade. A eficiência energética ainda tem um apelo mais claro de economizar a médio prazo, mas mesmo assim, o custo inicial de um sistema eficiente do ponto de vista energético é alto e no nosso mercado imobiliário de escritórios corporativos, o projeto é concebido muito longe do usuário; ele é baseado no investimento – o empreendedor contrata o arquiteto para fazer o projeto e depois ele vende o imóvel para o investidor que vai alugar para o usuário final. Por isso as preocupações com conforto, segurança, salubridade, qualidade, eficiência… estão longe da sua origem. Há uma grande distorção. Para a acessibilidade, existe a lei, mas o que se faz é seguir de forma burocrática. Não é uma questão de bom senso, é burocrático; e quem fiscaliza, faz também de maneira burocrática.

Existe alguma espécie de “prazo de validade” para um ambiente projetado?

Eu entrei nesse mercado em 1989 e, naquela época, a gente mudava um banco uma vez por ano, o que é muito. Mas isso era assim porque nós tínhamos uma economia instável.

Aí teve a onda da reestruturação, com novas divisões em áreas de marketing, por exemplo, havia a necessidade de se criar os ambientes abertos, integrados… mas dentro desse novo conceito de mudar as pessoas em ambientes preparados para determinadas atividades, o projeto é mais perene. E isso tem, inclusive, uma contrapartida de mercado. Se você muda as pessoas de lugar e não mais o layout, você precisa de menos espaço que antes e ainda pode absorver o crescimento aumentando o índice de compartilhamento das estações de trabalho.

Mas por outro lado, estamos numa sociedade que muda muito rapidamente. Então também não há mais aquela preocupação de investir no que seria um mobiliário sólido, num projeto pra 10, 20 anos. Hoje é até bom que o mobiliário mude para empresa sempre se atualizar, modernizar, estar mais conectada com o mundo.

Qual a importância do projeto de iluminação na arquitetura corporativa?

Hoje arquitetura e iluminação são aliados indissociáveis, porque juntos, mais a cor (que está agregada à arquitetura), fazem com que o ambiente seja de fato diferenciado. Ainda mais hoje, com as possibilidades de automatizar os sistemas, usá-la simulando a iluminação natural e variando ao longo do dia – entendendo que ela é um componente fundamental para a saúde e o bem-estar das pessoas, que altera o ritmo do nosso corpo.

Quais são os materiais do futuro?

O LED é, sem dúvida nenhuma, um deles. Hoje ele é caro, mas é um produto que, do ponto de vista de eficiência energética, tem muito mais durabilidade com a mesma qualidade de iluminação e ainda não tem componentes que agridam o meio ambiente, o que possibilita um descarte descomplicado, que não cria problemas ecológicos. E a flexibilidade do LED é impressionante; vai chegar o momento em que se vai pedir na loja dois metros de LED e o vendedor vai fazer que nem com tecido, cortar e entregar, porque ele é flexível e se adapta.

Agora existem muitos outros produtos que a gente poderia citar. A arquitetura lá fora tem muita pesquisa nessa área de inovações para mobiliário e acabamento. Existem tecidos auto-limpantes, biodegradáveis, tecidos feitos de pet, de material reciclado, as telas das cadeiras, isso é inovação… os componentes plásticos de cadeiras também já utilizando o que é post-consumed, a indústria de carpetes, cadeiras, persianas, o próprio forro… há produtos que utilizam já na composição do produto, materiais reciclados e o restante é reciclável. Há diversas empresas com políticas de fechamento do ciclo ecológico, de receber o produto e adequar o descarte para criar um ciclo.

Existem materiais que são bem maleáveis, que podem agregar à arquitetura, que se expandem quando está calor e se retraem no frio. É como se fosse uma espuma, como uma bolha, e tem íons que se movimentam. Pode ser usado na arquitetura e permite, por exemplo que se dispense ou se use menos energia elétrica para aquecer, é natural do material, além de oferecer aconchego para o ambiente e amplitude para ventilação. Usa-se o corian também, porque as áreas de integração estão ganhando muita importância e o corian permite fazer balcões e etc.

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