Artista transforma em tronco de árvore colunas de museu em Paris

Conheça a instalação <em>Baitogogo</em>, do brasileiro Henrique de Oliveira no Palays de Tokyo. Artista criou com compensado o tronco brotando de colunas falsas 

Por Por Nilbberth Silva Atualizado em 20 dez 2016, 16h10 - Publicado em 5 ago 2013, 13h05
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As colunas de uma das salas do Palais de Tokyo, um museu de Paris, brotaram e transformaram-se em troncos de árvore que sobem, descem e cruzam-se desordenadamente. Essa é a sensação de quem visita a escultura Baitogogo, obra do brasileiro Henrique de Oliveira.

O nó de galhos cresce a partir de colunas e vigas falsas, mas idênticas às da sala de exposição. O seu formato parece aleatório, mas foi inspirado nos tumores da literatura médica. Henrique e seus auxiliares construíram tudo com tapumes retirados das ruas de São Paulo, tratados até se tornarem flexíveis e parafusados uns aos outros.

Uma das interpretações é que, ao transformar o compensado dos painéis em um grande nó retorcido, o artista criou uma metáfora para o crescimento da cidade de São Paulo. Os tapumes cercam os prédios em construção e depois se transformam em paredes de barracos nas favelas. Como a Baitogogo, as cidades brasileiras são feitas por tapumes. E misturam as linhas ordeiras dos bairros planejados com o caos das favelas (e até bairros nobres) construídos sem zoneamento. “Ao usar esses materiais, Oliveira destaca a natureza endêmica e parasitária dessas construções”, diz o texto sobre a mostra, no site do Palays de Tokyo. Tudo resulta em uma cidade estranha – mas atraente, como a própria instalação.

Baitagogo é o nome de um herói mitológico do povo indígena Bororo, que mata sua mulher, depois que ela é estuprada.  Ele acaba castigado pelo próprio filho, que se transforma em pássaro e, sem querer, deixa cair suas fezes sobre o ombro do pai. Uma árvore enorme começa a crescer no local onde as fezes caíram. No final da história, Baitagogo faz surgir a água na terra, a árvore diminui até desaparecer. Sem a árvore, Baitagogo aparece de volta na aldeia e acaba reconhecido como herói do seu povo. A história é contada no livro O cru e o cozido, do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss.

A instalação levou três meses para ficar pronta e faz parte da série Nouvelles Vagues, com mais de 200 exposições criadas por jovens curadores. A série fica no museu até 9 de setembro. Conheça outras obras do artista no site de Henrique de Oliveira. Assista o making off da Baitogogo, gravado pelo site francês My Art Agenda

 

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