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Home office e vida doméstica: como organizar a rotina no dia a dia

Dicas para conseguir dar conta dos cuidados com a casa, a família e para ter um expediente de trabalho produtivo sem pirar

Se depois da pandemia, você teve a possibilidade de trabalhar em casa, sinta-se privilegiado. Mas, apesar de todos os benefícios que o home office traz, também é preciso ter uma boa dose de organização para não enlouquecer em meio às atividades profissionais, à rotina da casa e às necessidades da família.

“O home office é diferente de home office na pandemia. Em um cenário normal, as crianças estariam na escola, quando cansados poderíamos ir até um café espairecer e investiríamos com antecedência em uma mesa e cadeira ergonômicas. O que estamos vivendo hoje é o trabalho em um espaço improvisado, líderes e funcionários sem processos estabelecidos, crianças que precisam mais do que nunca do amparo paterno, cachorro latindo, internet caindo”, afirma Carol Ferraz, consultora de organização e pós-graduada em psicanálise.

E, para as mulheres, que chefiam cerca de 40% dos lares brasileiros, a situação costuma ser ainda mais complicada. “Segundo pesquisas publicadas pelo Think Eva, as mulheres dedicam normalmente 23h semanais ao trabalho doméstico, enquanto homens dedicam cerca de 9h a 10h para o mesma função”, explica Carol.

Dividir as funções é fundamental

 (reprodução/Pinterest)

Por isso, é importante organizar a rotina doméstica e distribuir funções para os moradores da casa. Assim, não pesa para ninguém. Segundo Carol, atitudes simples já ajudam (e muito!). “Isso não significa um cozinhar enquanto o outro lava a louça, por exemplo, porque cozinhar demanda não só o tempo do preparo do alimento, mas a compra e escolha de ingredientes, definição de cardápio, higienização e congelamento”, avalia a consultora. 

Mas, qual a melhor forma de fazer essa divisão? Segundo Carol, é prestar atenção ao tempo despendido em cada atividade, assim como a habilidade de cada um. “Se um gosta mais de cozinhar, pode ser o responsável pela atividade, enquanto o outro fica responsável pelos banheiros, por exemplo, que demandam bastante energia”, ensina.

As crianças a partir de oito anos também podem ajudar pontualmente, colocando e retirando a mesa, pendurando as roupas em varais de chão, ligando a máquina de lavar. Os mais velhos podem ser responsáveis por parte da louça ou por tirar pó.

“Não podemos esquecer de nos perguntar sempre também: quero investir meu tempo tirando pó de tantos objetos, lavando tanta louça ou posso simplesmente desapegar de alguns desses itens? Tudo que a gente tem, a gente administra e a pandemia escancarou isso”, diz.

Cuidados com a família 

Hush, de Freyja Sewell

Hush, de Freyja Sewell (divulgação/Casa.com.br)

E, com tanta convivência, acabam surgindo alguns percalços, principalmente em relação à privacidade. “Por isso, é importante estabelecer um horário sozinho para cada integrante da família. Em casas maiores isso é mais fácil, já que cada um pode trabalhar e estudar em locais diferentes. Em casas menores, é preciso agendar um horário para que cada um possa assistir um filme sem companhia, por exemplo, ou ler um livro fora do quarto”, explica Carol.

Para os pais, fazer um revezamento no cuidado dos filhos pode ser uma boa.  “Um pode se dedicar ao bebê enquanto o outro toma um banho mais longo”, sugere Carol.

Quanto às atividades, o ideal é tentar reduzir as telas ao mínimo possível porque a fadiga cognitiva é real com elas. Como nosso cérebro perde estímulos externos com a tela, o cansaço é mais forte porque a concentração na voz durante uma reunião ou aula online precisa ser maior. “Por pelo menos três vezes por semana, no mínimo, incentive momentos de lazer em família que lembrem brincadeiras antigas: como dança, quebra-cabeça, corda, amarelinha, jogos de montar, tabuleiro e livros. Isso vai ajudar tanto crianças quanto adultos a descansar de forma mais efetiva e rápida”, indica a consultora.

Home office

 (reprodução/The Design Files)


Para o dia a dia de trabalho em casa, Carol sugere três fórmulas de rotinas que podem ajudar:

  • Crie rituais de início e encerramento de atividades usando objetos, como guardar o notebook fora do alcance do olhar depois do expediente e só pegá-lo no outro dia, ter uma caixinha com material de escritório exclusivo para o trabalho ou vestir-se com as roupas que usava no escritório. “Cada vez que você se deparar com o dresscode específico ou baixar a tampa do notebook seu cérebro vai virar a chave para o modo ‘empresa’ ou modo ‘casa'”, afirma. A mesma coisa pode ser feita com objetos para exercícios físicos e a louça do brunch do fim de semana, por exemplo. Isso vai diminuir a ansiedade e acabar com aquela impressão de “não fiz nada hoje!”.

 

  • A segunda aliada é a criação de micro rotinas. Se você tiver horários flexíveis, é um ótimo momento para observar em qual período rende mais e colocar as atividades complexas nesse espaço de tempo. Agora, caso precise seguir uma dinâmica restrita, mantenha pelo menos uma atividade de entrada e saída do escritório. “Como um banho antes e um banho depois, por exemplo. Atividade física sempre pela manhã ou à noite. Também é importante criar pausas para simular os momentos do escritório e não esgotar a mente”, explica Carol. Em vez de ter uma garrafa de água na mesa, vá buscá-la no filtro e ande mais pela casa para ajudar na ergonomia e circulação. Estabeleça pausas diárias para rir por alguns minutos com sua família ou pet, isso ajuda espairecer. Tome o cafezinho da tarde olhando o céu pela janela e busque elementos da natureza ao seu redor para trazer conforto à mente. Prestar atenção em cheiros, sabores e texturas ao seu redor, além de alongar-se por alguns minutos prestando atenção na respiração nos traz sensação de conforto e prazer. 

 

  • Por último, tenha autonomia sobre o seu tempo. “Algumas empresas começaram a implementar uma política de um dia sem reuniões, que está mostrando um resultado interessante, assim como altos executivos de multinacionais brasileiras estão bloqueando o horário do almoço, por exemplo para conseguir realizar a refeição com calma”, conta. Essa independência sobre a agenda, ajuda a diminuir o estresse. Uma forma de fazer isso é incluir atividades pessoais na agenda, como atividade física, tomar um pouco de sol na janela. Não é porque a atividade é pessoal que não pode ser agendada (mesmo que na sua pessoal). No fim da semana, olhe o que conseguiu cumprir e o que não e reveja para a próxima semana o que precisa mudar. É uma ilusão pensar que conseguiremos ser estáticos em um período de tanta mudança.

 

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