Kintsugi: a beleza das cerâmicas quebradas

As peças restauradas acabam revelando cicatrizes de sua história e, desta forma, se tornam mais valiosas que a original. O motivo? Peças intactas existem aos montes. Cerâmicas remendadas são únicas - não há uma que seja igual a outra

Por Texto: Nádia Sayuri Kaku Atualizado em 20 dez 2016, 21h21 - Publicado em 25 abr 2016, 21h00
kintsugi

Quando uma peça de cerâmica se quebra, o primeiro intuito de muitos é consertá-la tentando esconder as rachaduras ao máximo ou ainda comprar uma nova para substituí-la. No entanto, para os adeptos da técnica japonesa do kintsugi, o objetivo buscado é exatamente o oposto: com uma mistura de laca e pó de ouro, as peças são restauradas e as rachaduras viram linhas douradas, que acentuam as imperfeições.

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As peças restauradas acabam revelando cicatrizes de sua história e, desta forma, se tornam mais valiosas que a original. O motivo? Peças intactas existem aos montes. Cerâmicas remendadas são únicas – não há uma que seja igual a outra.

@6jigen01

O nome kintsugi (金継ぎ) é composto pelas palavras kin (“ouro”) e tsugi (“conectar”) e a técnica existe há mais de 400 anos no Japão. Ganhou muito espaço na mídia em 2011, após o grande terremoto de Tohoku, quando Kunio Nakamura, gerente de uma galeria em Tóquio, pediu para as pessoas não jogarem cerâmicas de família quebradas fora – eles podiam mandar para sua loja para reparação. Alguns desses trabalhos continuam até hoje. O mesmo pedido foi feito para as vítimas do terremoto que atingiu a província de Kumamoto no começo deste mês: as cerâmicas serão restauradas e mostrarão as lembranças dos abalos sísmicos.

Para quem quiser conhecer um pouco mais da técnica, o vídeo abaixo mostra um workshop que aconteceu em Londres promovido por Muneaki Shimode e Takahiko Sato, dois artistas de Quioto.

E, se quiser tentar a técnica em casa, é possível encomendar kits com a pasta semi pronta pela internet, como mostra o vídeo abaixo.

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