Vila Olímpia: agito noite e dia

Novas avenidas atraíram a chegada de espigões comerciais, que agora se somam às torres residenciais. Em pouco mais de uma década, o bairro mudou completamente

Por Da redação Atualizado em 14 dez 2016, 13h02 - Publicado em 4 dez 2006, 16h55

Mal dá para crer que até a década de 1990 a paisagem da Vila Olímpia se compunha de sobrados, pequenas fábricas e comércio local. Hoje, casas de shows, danceterias, bares e restaurantes fervilham à noite. Multinacionais, agências de publicidade e empresas de internet movimentam o dia. Em verdadeiras ilhas de paz, algumas vilas com sobrados acomodam famílias que prezam a tranqüilidade. E, agora, chegou a vez dos apartamentos – para quem trabalha na região e valoriza vida noturna agitada. “A tendência é o bairro se tornar cada vez mais residencial, com a consolidação de um perfil misto”, aposta Ubirajara Freitas, diretor de incorporações da construtora Cyrela. Resistindo à verticalização, as vilas acolhem sobrados de médio padrão. Apesar de faltar opções culturais, há entretenimento de sobra. À noite, formam-se filas para estacionar os carros perto das baladas. Durante o dia, o trânsito é caótico pelo excesso de edifícios comerciais. Para melhorar o fluxo, idealizou-se uma articulação entre sistemas viários entre a avenida Faria Lima e a Luís Carlos Berrini. Paralisadas desde 2005, as obras na ruas Gomes de Carvalho e Olimpíadas serão retomadas em janeiro de 2007, com previsão de conclusão para o segundo semestre do mesmo ano. No início do século passado, uma porteira, onde hoje é o final da avenida Brigadeiro Luís Antônio, separava a “cidade” das pequenas chácaras e terrenos alagados da atual Vila Olímpia. “Ali se produzia leite, flores, frutas e verduras para abastecer os moradores dos Jardins e da avenida Paulista”, conta o teatrólogo Waldemar Sillas, que prepara um livro sobre a região. O lugar começou a ser loteado nos anos 1930, com as primeiras casas de imigrantes portugueses e fábricas de médio porte. Nas décadas seguintes, a área cresceu lentamente, na contramão dos nobres vizinhos Moema e Itaim Bibi. “Há poucos anos, ainda era uma ilha de tranqüilidade cercada por lugares movimentados. Poucos sabiam onde ficava a Vila Olímpia. Era preciso dar referências”, lembra a moradora Maria Cecília Chiari. Porém, a região virou de cabeça para baixo em 1996 com a construção das avenidas Hélio Pellegrino e Nova Faria Lima. Logo a fama se espalhou, atraindo torres comerciais, hotéis, casas de show e danceterias no lugar das antigas indústrias. Positivos Localização estratégica

Fartura de comércio e serviços

Negativos

Trânsito complicado

Barulho do agito noturno

Poucas opções culturais

De bem com a noite Há alguns anos, a arquiteta Laura Uchôa e sua filha, Giuliana, encontraram uma casa de vila para morar. A reforma foi inevitável, mas mesmo assim valeu o esforço. “Vivo num oásis neste bairro agitado. Escuto até o canto dos passarinhos”. O escritório fica a 15 minutos, de carro, e Laura costuma ir a pé aos restaurantes, ao supermercado, à academia de ginástica e ao parque Ibirapuera. “Bares e danceterias causam barulho e incomodam muita gente, mas fico tranqüila ao caminhar pelas ruas movimentadas”.

De mal com a noite Para a comerciante Rosângela Lanzara Ianni, a localização privilegiada e a abundância de serviços facilitam a vida de quem mora na região. Mas alguns poréns logo vêm à tona. “Sair ou chegar em casa no sábado após as 10 da noite é uma dificuldade. Os carros param em frente aos bares e os manobristas não dão conta da fila. Resultado: o trânsito empaca”, reclama Rosângela. “Vejo muitas irregularidades, mas estamos impotentes, pois há um jogo de empurra-empurra entre os órgãos responsáveis pela fiscalização”, desabafa.

As vilas ainda preservam a calmaria dos tempos antigos e têm muitos moradores idosos, que permaneceram na região mesmo com as vertiginosas transformações. O novo perfil do bairro, entretanto, estimulou a chegada de executivos, casais jovens e estudantes das universidades Anhembi Morumbi e Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), instaladas nas cercanias.

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