Imóvel na medida certa

Grandes áreas de lazer, vários quartos, poucos banheiros? Perto do trabalho ou próximo a uma área de natureza preservada? Antes de comprar, é preciso responder algumas perguntas importantes, para escolher um imóvel que reflita o seu jeito de morar.

Por Por Joana L. Baracuhy Fotos Marcos Lima Atualizado em 20 dez 2016, 21h02 - Publicado em 14 Maio 2007, 13h59
Um título para uma foto sem titulo

Comprar um imóvel é uma tarefa que requer, primeiramente, uma boa auto-análise. Solteiros, por exemplo, preferem morar perto do trabalho. Casais com crianças pequenas costumam priorizar prédios com boa oferta de áreas de lazer. E você? Como seria o imóvel mais adequado para o seu estilo de vida? Saiba o que considerar na hora de escolher o seu imóvel.

 

Pessoas sozinhas, solteiras, recém-casados, casais sem filhos

Se a renda é apertada, prefira área comum simples e barata de manter (condomínio baixo); do contrário, invista em espaços de convivência incrementados. Avalie se o espaço interno do imóvel é fácil de manter (com poucos banheiros, por exemplo). Você prefere um local mais central ou perto do trabalho? Pense nisso. E não se esqueça de considerar se o imóvel oferece liquidez de venda.

 

Casal com crianças ou adolescentes, pai ou mãe separados com filhos

O ideal é garantir um espaço interno com vários quartos, para manter o conforto da família. Área comum (de lazer) ampla é importante para entreter as crianças. Pensar nos itens de segurança deve fazer parte do planejamento. É interessante ainda pensar num apartamento com ambientes de convivência (sala íntima, de TV) reversíveis para quando os filhos saírem de casa. A proximidade da escola dos filhos também deve pesar na escolha.

 

Separados e viúvos (sem filhos vivendo junto)

Localização é importante. Priorize um imóvel próximo do trabalho e dos filhos. Na maioria dos casos, a área comum pode ser mais simples – e, portanto, mais barata de manter (condomínio baixo), para acompanhar uma possível diminuição do patrimônio. Não deixe de pesar a segurança.

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Idosos

Nessa etapa da vida, a proximidade da família, da vizinhança e uma localização central são fundamentais. O espaço interno deve ser de fácil manutenção (poucos banheiros, por exemplo), com infra-estrutura e instalações (elétricas e hidráulicas) em bom estado. Dê preferência a área comum simples e barata de manter (condomínio baixo), para acompanhar eventual queda de renda familiar.

 

Usados também têm vez

Como o estoque de moradias vazias é grande (5 milhões nas regiões metropolitanas do Brasil) e a oferta de crédito também se estende a esse tipo de imóvel, adquirir um apê velhinho pode ser a solução para certas pessoas. A opção por um imóvel antigo – em comparação com os novos – tem como atrativo a localização, especialmente nas grandes cidades, e o preço. “Em geral, vão bem para profissionais liberais, estudantes, casais sem filhos, gente só… Quem gosta do agito da cidade”, diz a urbanista Raquel Rolnik. Considere a possibilidade se, além do itens citados, você fizer questão de espaços amplos e tiver disposição para reformar. Mas atenção: ausência de garagem, área comum simples e instalações antigas fazem parte do pacote.

“Cada degrau descido na pirâmide social representa um acréscimo gigantesco de gente, de clientes em potencial”, diz Thomaz Assumpção, da Urban Systems Brasil, empresa que faz análise do mercado imobiliário, explicando por que muitas dessas companhias estão investindo em soluções de larga escala e modos racionalizados de construção. Antônio Guedes, diretor de novos negócios da Cyrela, afirma que, “nessa faixa de preço, o ganho depende do volume”. Operar desse modo significa erguer edifícios com plantas fixas (que não podem ser alteradas pelo cliente durante a obra), grande número de unidades e paredes de alvenaria estrutural (impossíveis de reformar). A Norcon, quarta maior construtora do Nordeste, dona de um sucesso de vendas destinado à classe média, o Condomínio Reserva Atlântica, em Salvador, faz algo semelhante: tem uma fábrica de pré-moldados. “Subimos as paredes já com rede elétrica e hidráulica dentro”, explica Caroline Teixeira, diretora de marketing da empresa. “Tudo indica que o investimento das grandes incorporadoras será em condomínios- clube para a classe média”, avalia Mauricio Eugenio, consultor da área imobiliária, descrevendo o novo “queridinho” do mercado. “São imóveis pequenos, com dois ou três dormitórios, com grandes áreas comuns, afastados dos centros, dotados de inúmeros equipamentos de lazer, segurança, dispostos em torres de apartamentos totalizando ao menos 400 unidades”, resume. É bom, mas não para todo mundo. A questão é saber se as incorporadoras conseguirão atender a estilos de vida tão variados de camada tão vasta da população.

 

Cada família, uma sentença

A solução em grande escala tem lá seus poréns. “A partir de agora, o mercado vai ser de massa e de nicho e pede empreendimentos variados”, alerta Thomaz. “Se o modelo existente for repetido – apenas em versão mais barata -, esse novo público não ficará plenamente satisfeito”, argumenta. Ref lexão amparada nas mudanças ocorridas na composição da população brasileira, assim como no esgotamento de certos formatos. “Os apartamentos de quatro dormitórios lançados em São Paulo em 2006 já não têm tanta liquidez”, diz Luiz Paulo Pompéia, da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), referindo-se à modalidade de imóvel em que tantas incorporadoras investiram nos últimos anos. Outra constatação importante: “O número de pessoas sós vem aumentando, diminui o número de filhos por família e a esperança de vida subiu (a média está em 67 anos). Tudo isso muda a composição familiar”, avalia Raquel Rolnik. Como vai ficar? “Imagino que as construtoras pequenas e médias, com menor capacidade de investimento, possam, em busca de competitividade, desenvolver habitações para perfis específicos”, diz Celso Petrucci, do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). “Outra possibilidade é adaptarem prédios em zonas centrais, como já ocorre no Rio de Janeiro”, completa José Conde Caldas, presidente da construtora carioca Concal. A demanda total é de quase 8 milhões de residências novas. “Esse mercado deve se desenhar melhor em cerca de quatro anos. Mas não é uma bolha – e sim um movimento sólido”, conclui Wilson Amaral.

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