Fotógrafo registra as casas criativas dos moradores de favelas

Iwan Baan fotografou o cotidiano de quem vive em prédios abandonados, palafitas e túneis. Moradores decoram suas casas com poucos recursos, boas ideias e personalidade

Por Por Nilbberth Silva, com informações do TED Blog Atualizado em 14 dez 2016, 12h04 - Publicado em 21 out 2013, 12h12

O fotógrafo Iwan Baan nasceu na Holanda, um país onde as cidades são cuidadosamente planejadas. Especializado em fotografar construções, ele viaja pelo mundo registrando obras de arquitetos famosos – entre eles os vencedores do prêmio Pritzker Zaha Hadid, Herzog & de Meuron, Rem Koolhaas e Toyo Ito.

Mas a paixão de Baan é retratar as construções que nascem sem a ajuda dos arquitetos. Quando viaja, além de fotografar edifícios sofisticados, ele aproveita para registrar como comunidades pobres ocupam prédios abandonados, terrenos vazios das grandes cidades e até cavernas. Não falta material: no mundo todo, 827,6 mi de pessoas vivem em favelas, segundo dados da ONU de 2010. No Brasil, são 11,5 mi, segundo o IBGE.

Os cliques de Baan ressaltam como essas pessoas constroem suas casas com materiais baratos ou jogados fora. Sem recursos, os moradores praticam valores pregados pelos manifestos de design: economia de materiais, adaptação ao ambiente, criatividade.  O resultado são moradias precárias, mas cheias de soluções adaptadas a cada família.

“Hoje em dia você vê grandes empreendimentos que oferecem soluções uniformes de moradia para enormes quantidades de pessoas”, afirmou Baan na conferência TEDCity2.0, que aconteceu em setembro e foi divulgada aos internautas em outubro. “Da China ao Brasil, esses projetos tentam fornecer o máximo de casas possível, mas são completamente genéricos e simplesmente não funcionam como resposta às necessidades individuais das pessoas”.

Entre os espaços fotografados por Baan está a Torre David, um prédio de 45 andares em Caracas, Venezuela. Quando o construtor morreu, em 1993, o arranha-céu ficou inacabado. Pessoas sem casa afluíram e construíram divisórias nas lajes nuas, decoraram os espaços e abriram buracos para ventilação. A comunidade ainda não tem elevadores, mas conta com lojas em cada piso, academia de ginástica e uma organização que permite aos idosos morarem nos pisos mais baixos.

“Imagine o que essas comunidades já engenhosas poderiam criar por si mesmas e como suas soluções seriam altamente particulares se eles recebesse uma infraestrutura básica da qual pudessem se beneficiar”, provoca o fotógrafo.

 

 

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