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Casa chinesa emprega o bambu em painéis, armários e estantes

Casal transforma sua casa nos arredores de Beijing num templo de tranquilidade, cheio de luz e boas ideias realizadas com um material típico da China: o bambu

Apesar de a capital chinesa estar entre as mais fascinantes da Ásia, a poluição e a superlotação opressoras de suas ruas se fazem presentes em cada esquina, em cada hutong  tradicionais vielas típicas da metrópole). Nesse contexto urbano um tanto caótico, o segundo endereço dos arquitetos Li Hu e Huang Wenjing cresce ainda mais aos olhos de quem o visita pela primeira vez. Fundador do renomado escritório OPEN Architecture, o casal vive com seus dois filhos num apartamento em Beijing, porém há quatro anos decidiu comprar uma casa mais afastada do centro. É lá, em meio a plantinhas, ar fresco e uma atmosfera elegantemente minimalista, que a família passa alguns dias da semana, desfrutando de pequenos prazeres que a cidade já não consegue mais oferecer.

Com 471 m², a residência fica num tranquilo condomínio a 30 minutos de carro do trabalho dos dois. Assim que Huang abre a porta para receber seus convidados com um sereno sorriso no rosto, é possível compreender por que o casal planeja um dia viver ali o resto da vida. O “pulmão” da morada, como ela explica, é o átrio que une os ambientes. Configurado a partir da integração de uma parte do jardim à sala principal, esse espaço central ganhou no térreo amplas portas de vidro que deixam a luz natural entrar com generosidade. Todos os cômodos estão voltados para ele, e uma claraboia no teto permite que tanto a luminosidade do dia quanto o céu estrelado da noite possam ser apreciados de praticamente qualquer lugar. “Dessa forma, sempre estamos conectados uns aos outros. Da abertura de vidro na parede do meu escritório vejo as crianças assistindo TV ou brincando no quarto, e vice-versa”, diz Huang.

Contudo, o grande charme da reforma se deve ao bambu, estrela principal do projeto. Essencial nos jardins chineses imperiais, ele compõe estantes, armários e, principalmente, o belíssimo painel que acompanha a escada. “Talvez a escolha desse material se deva a uma vontade de trazer ao máximo a cultura do nosso país para dentro de casa”, explica ela.

Numa cidade com sérios problemas de espaço, Huang e Li reconhecem a dádiva de ter uma casa com jardim (ainda que pequeno), um subsolo para reunir os amigos ou praticar ioga e até mesmo um sótão no qual as crianças podem brincar. Nada mais prazeroso para a dupla que ouvir os pássaros, ver os filhos crescerem e tomar um chá de oolong no fim da tarde. Para eles, isso, sim, é pura paz.

Bambu: opção sustentável

 

Ao explorar o bambu – importante recurso nas construções locais –, os moradores encomendaram um projeto original aos marceneiros que trabalham em seu escritório. Pediram que lixassem, cortassem e tratassem a matéria-prima sem esconder seus veios – característica natural muitas vezes vista como imperfeição. “Para nós, eles são a parte mais bonita do bambu”, conta Huang, que escolheu o material também por uma questão de sustentabilidade. “Madeira é escassa na China e importá-la custa extremamente caro. O bambu, por sua vez, é abundante aqui e tem propriedades incríveis, como resistência e maleabilidade.”

 

Espaços para todos

O layout original passou por adaptações para o surgimento do átrio, conectado a quase todos os ambientes. Subsolo e sótão se tornaram áreas reservadas às atividades de lazer do casal e dos filhos.

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