A casa de lazer de Glória Kalil fica em SP e tem até raia na cobertura

Uma casa que não quer ser casa, talvez um spa, quase um clube, um lugar para escapar. Ou melhor, uma casa na cidade que gosta de imaginar que está no campo. Ou na praia

Por Por Silvia Gomez | Projeto Angelo Bucci | APBR Arquitetos | Fotos Nelson Kon Atualizado em 19 jan 2017, 15h52 - Publicado em 11 dez 2013, 18h30

Faça um passeio pelo projeto e veja a entrevista com o arquiteto Angelo Bucci.

Angelo Bucci fala sobre o projeto da casa de Glória Kalil

Na véspera do último feriado antes do Natal, no dia 14 de novembro, São Paulo viveu o maior congestionamento de sua história: 309 km de filas. “Hoje, a ideia de pegar estrada aqui é desestimulante. Pensei: por que não uma casa de fim de semana no meio de tudo?”, conta a jornalista e consultora de estilo Gloria Kalil. Claro, por que não? Melhor era achar logo um terreno. “Ah, e tinha mais: queria que fosse perto do meu escritório e do meu apartamento.” Ela e o marido, o professor de filosofia Sérgio Cardoso, saíram procurando. Encontraram, de repente, um sobrado abandonado numa ruazinha inesperada entre grandes avenidas e prédios comerciais. Um pedaço da cidade na rota dos aviões que ali cortam o céu a 800 m de altura, a cada cinco ou sete minutos. “Era um lote pequeno, de 10 x 25 m, mas a gente só sonhava com uma piscina. E um pouco de jardim. E uma laje para tomar sol”, revela Sérgio. Melhor achar logo um arquiteto. Angelo Bucci. “Na primeira reunião, eles trouxeram um desenho muito claro. Gosto de pensar que fui fiel àquele rascunho”, afirma Angelo. Bom, mais ou menos. No esboço, a piscina aparecia no chão, o que limitava sua exposição à luz em função das residências vizinhas. “Então elevei a raia a 6 m do piso, o limite de altura permitido na região pela legislação. Isso porque se tratava de aproveitar a superfície disponível da melhor forma”, explica o arquiteto. Com essa subversão, a obra distribuiu seus ambientes em camadas. Uma sala fresca e aberta para o jardim no térreo, um quarto reservado para o casal no primeiro andar e uma pequena “praia” em cima, onde o sol é pleno. “Acho bárbaro como o projeto proporciona temperaturas distintas em cada nível”, diz Gloria. Tal solução também permitiu criar um ciclo de águas, com tanques e espelhos dispostos pelos andares que se comunicam. Melhor agora tratar de achar tempo para curtir o espaço – regar as plantas, ficar descalço e nadar de costas, o olhar acompanhando o trajeto dos aviões, lá em cima. “A graça é pegar uma malinha e imaginar: estou indo ao campo”, brinca Sérgio. Em plena metrópole.

Projeto vertical

Para dispor de bastante área externa, a construção tem poucos cômodos. Pelos pontos azuis nas plantas e no corte, percebem-se as várias piscinas ao longo dos andares.

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planta

Térreo: salas de estar, jantar e cozinha são uma coisa só e se abrem inteiramente para o jardim.

Primeiro pavimento: este bloco contém dois módulos com saleta, quarto e banheiro. O da frente, voltado para a rua, é do caseiro.

Cobertura: ao lado da raia, há uma espécie de solário com rampa. O acesso à piscina se dá por duas passarelas.

pavimento

Área: 183 m²; Acompanhamento da obra: José Antonio Queijo Félix; Sondagem: Engesolos; Fundação: Apoio Assessoria e Projeto de Fundações; Estrutura: Ibsen Puleo Uvo; Construção: Theobaldo Bremenkamp e Reinaldo Francisco Ramos; Instalação: JPD Projetos de instalações; Serralheria: Carlos Augusto Stefani; Marcenaria: Móveis Aeme; Iluminação: Reka; Paisagismo: Raul Pereira.

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