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Ongs que mudam o mundo

O verbo transformar prova sua valentia e alcance no trabalho de ONGs que atuam em prol de pessoas, antes, sem perspectiva de vida. Conheçatrês exemplos desse comprometimento

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Qual é o seu sonho?”, perguntou Dagmar Garroux – ou Tia Dag, como é carinhosamente chamada – a um garoto recém-chegado à Casa do Zezinho, entidade por ela fundada em 1994 no Parque Santo Antônio, periferia da zona sul de São Paulo. “O que é isso?”, ele retornou, atiçando, naquele instante, a indignação há tempos incrustada no peito da educadora. O inconformismo com o abandono da população, entretanto, se somou à fé no potencial de cada indivíduo, levando-a a acolher as demandas locais – falta de teatro, cinema, quadras esportivas, centros de saúde, emprego. A ONG atende, anualmente, mais de 1 200 Zezinhos, crianças e jovens de ambos os sexos, com idade entre 6 e 29 anos, inscritos nas mais de 60 escolas públicas da região. Ali, são envolvidos em atividades de educação, arte, cultura e formação geral e em oficinas de capacitação profissional. Famosa por esbanjar garra e amor, Tia Dag ganhou notoriedade ao criar um modelo de desenvolvimento humano e social batizado de pedagogia do arco-íris. Ancorada em quatro pilares – ser (espiritualidade), conhecer (ciências), saber (filosofia) e fazer (arte) –, a metodologia educativa visa a autonomia de pensamento e de ação. O aprendiz entra aos 6 anos na sala lilás e vai avançando por sete estágios até chegar à sala vermelha, aos 21 anos.

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“Procuramos desenvolver o talento de cada um, oferecendo muitos estímulos. Se a criança começa a trabalhar desde cedo, pula fases de aprendizado. Perde um direito”, diz ela, que desafia: “Por que a única opção do jovem de periferia é fazer um curso profissionalizante?”. Com orgulho, a educadora conta que, entre os “filhos” emancipados, há físicos, musicistas, profissionais das mais diversas áreas, inclusive atuando na própria ONG – 60% dos funcionários. Jack Arruda Bezerra é um entre milhares de Zezinhos crescidos e bem formados. No começo da adolescência, enquanto testemunhava a luta do pai desempregado para criar cinco rebentos e se fazia surdo aos chamados da criminalidade, ele foi conhecer a Casa, que mudaria seu destino.

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“Depois de muitos cursos e reforço escolar, passei no vestibular e me formei bacharel em turismo. Meu pai nem acreditava que tinha um filho na faculdade. Isso só foi possível graças à Tia Dag”, conta Jack. Nesse reduto do respeito e da inclusão, o engajamento dos familiares é crucial. Além de frequentar reuniões, eles participam de oficinas de prevenção à violência, de geração de renda e atividades culturais e de lazer. Para contribuir: Interessados podem colaborar doando material escolar e de limpeza ou por meio de depósito bancário e do voluntariado. Site oficial.

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Riqueza da terra

 

 

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A sabedoria popular está restaurando hábitos no semiárido brasileiro. Com o incentivo da ONG Visão Mundial, entidade humanitária cristã, parceira da World Vision International, presente em mais de 100 países, famílias em situação de risco têm aprendido a tirar proveito dos alimentos e a preparar receitas medicinais com plantas e ingredientes regionais, melhorando a qualidade de vida a baixíssimo custo. Criado em 2008, o projeto Saberes e Sabores beneficia mais de 200 famílias de 15 municípios rurais do Rio Grandedo Norte, da Paraíba, de Alagoas e do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais. Nessas áreas, a desnutrição decorrente das péssimas condições de vida preocupa, assim como, em alguns casos, a obesidade infanto juvenil, reflexo de vícios alimentares, em especial o consumo excessivo de refrigerantes e biscoitos. O programa tem crescido graças a uma virtuosa rede que inclui: agentes comunitários e de saúde, secretarias municipais, médicos locais, escolas, creches, merendeiras e, claro, as famílias. O esforço conjunto visa o resgate de técnicas agroecológicas e fitoterápicas típicas de cada região, bem como a valorização dos produtos locais, ricos em nutrientes e, ainda assim, tantas vezes ignorados no quintal. Dessa forma, espera-se não só reeducar os hábitos alimentares da população como incutir nela uma nova relação com a terra. Além do atendimento individual, da distribuição de cartilhas de receitas e do cultivo de hortas comunitárias e sustentáveis, a entidade atua em escolas e creches, capacitando mães e merendeiras e instruindo a criançada por meio de oficinas, feiras gastronômicas, teatro, gincanas e jogos. “Essa cadeia de ações educativas permite que se instaure a autonomia em cada indivíduo, base do processo de transformação de qualquer comunidade”, destaca Neilza Costa, assessora de saúde da Visão Mundial. O sucesso já se faz notar. Moradora de Carnaúba dos Dantas, no Rio Grande do Norte, Ana Célia Lima, mãe de Alessandra, de 8 anos, e de Gabriel, de 5 meses, aderiu ao programa por sugestão do pediatra. “Na correria do dia a dia, preparava sopa e macarrão instantâneos sem saber que estava prejudicando a saúde deles”, diz. Nas oficinas, aprendeu que receitas saudáveis podem ser descomplicadas. Vanuzia Januária, mãe de seis filhos, moradora de São José da Tapera, em Alagoas, passou a aproveitar a casca de frutas e legumes. “Antes jogava fora essas partes, pois não sabia o quanto eram nutritivas”, conta.

Para contribuir: Qualquer pessoa pode fazer doações mensais de 50 reais por criança apadrinhada e, caso queira, trocar correspondências, como cartas e fotos, com ela. Se desejar, o padrinho ou madrinha pode ainda agendar uma visita mediante o acompanhamento de representantes da ONG. Site oficial.

 

De mãos dadas

 

 

 

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O Natal de 1993 foi um marco para a empreendedora social Alcione de Albanesi, seus amigos e, sobretudo, para os habitantes do sertão nordestino, semiárido mais populoso do mundo. Seguindo o exemplo de solidariedade da mãe, Guiomar de Oliveira Albanesi, fundadora de 11 creches em São Paulo, ela organizou um mutirão e presenteou a população carente com a visita de médicos e dentistas, além de distribuir cadeiras de roda, alimentos, roupas e brinquedos. “A miséria e o abandono do lugar provocaram em nós uma transformação e, a partir de então, nunca mais deixamos de fazer esse trabalho”, lembra. Assim nasceu a ONG Amigos do Bem, que luta para suprir lacunas fundamentais para a sobrevivência e a dignidade dos sertanejos: falta de água, alimento, atendimento médico e dentário, moradia, emprego, estudo, lazer e cultura. “Nossos desafios são grandes, pois nosso projeto possui grandes dimensões”, enfatiza Alcione. Os esforços já resultaram na construção de quatro Cidades do Bem, nos estados de Alagoas, Pernambuco e Ceará. Os vilarejos possuem completa infraestrutura – casas de alvenaria, saneamento básico, rede elétrica, sede administrativa, horta comunitária, escola, consultórios médico e odontológico e alguns estabelecimentos de comércio e serviços – e ainda sediam projetos autossustentáveis de geração de renda, como a fábrica de beneficiamento do caju, a fábrica de doces e o núcleo de artesanato, além de atividades educativas e culturais. Outra frente importante são os centros de transformação, que recebem mais de 10 mil crianças do sertão, ofertando ensino regular, aulas de dança, esporte e informática, e também oficinas profissionalizantes para os jovens. Mais de 60 mil pessoas são atendidas regularmente, sem falar na arrecadação de 185 toneladas de alimentos por mês, graças ao envolvimento de cerca de 5 mil voluntários. “Não é fácil fazer o bem. As dificuldades são muitas, mas é possível transformar vidas. Nós acompanhamos essa transformação”, encoraja a empreendedora social. Dalvanira Ramos da Silva, conhecida como Pequena, moradora da Cidade do Bem de Pernambuco há nove anos, teve a chance de se reinventar e de garantir um futuro digno às suas crianças. “Morei 17 anos com meu sogro e tive sete filhos na casa dele. Já passamos fome. Aqui aprendi muito, coisa que eu nunca tinha sonhado. Alcione e os Amigos do Bem mudaram a minha vida”, diz ela.

Para contribuir: É possível adquirir produtos com a marca Amigos do Bem na loja localizada em São Paulo, fazer doações financeiras ou ser um voluntário. Site oficial..

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