Aprenda a ter mais paciência

Sem ela, não enxergamos o mundo com clareza. Não deixe que a aceleração do dia-a-dia acabe com o seu bom-humor

Por Raphaela de Campos Mello 24 Maio 2012, 17h53 • Atualizado em 20 dez 2016, 15h56
  • paciencia

    Não conseguimos encerrar o dia sem demonstrar, pelo menos uma vez, falta de paciência e irritação perante situações que contrariam nossa ânsia por eficiência. Alguns bufam, outros dão ataques teatrais.

    “Em meio à correria, não olhamos para dentro de nós para descobrir o que realmente nos deixa feliz”, comenta a professora de ioga e terapeuta floral Gisele Herzeg.

    A sensação de que falta espaço na agenda para o lazer, os amigos, a família e para as nossas tarefas, cedo ou tarde, vira um veneno para a alma. Segundo M. J. Ryan, autora de O Poder da Paciência (ed. Sextante), essa opressão pode nos tornar pessoas grosseiras e mal-humoradas, além de comprometer o nosso desempenho.

    “O medo de não termos tempo para nada diminui nossa eficiência e capacidade de atuação. Quanto mais conseguimos nos manter tranquilos ao estarmos sob pressão, mais capacidade temos de agir, porque usamos a parte racional da mente para nos ajudar”, ela escreve.

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    É como se fôssemos crianças mimadas. “Perdemos a paciência porque não aceitamos os fatos como são. Exigimos, inconscientemente, que tudo seja como planejamos. Isso é uma ilusão”, aponta o psicólogo paulista Milton Paulo de Lacerda, autor de Paciência: Ter ou Não Ter? (ed. Vozes). “O imediatismo é próprio da personalidade imatura, incapaz de identificar as verdadeiras dimensões da realidade”, diz.

    Para Eleonora de Almua Perez, terapeuta transpessoal, o destempero camufla a rigidez interna e a crença de que só seremos felizes dentro de um molde. Apelar para o plano B é o mesmo que fracassar. “Toda pessoa impaciente é controladora e quer reger a si própria, ao outro e ao mundo. Na verdade, o controle é o caminho mais curto para a frustração”, define Eleonora.

    É por isso que, diante de um desafio ou aprendizado, os impacientes costumam desistir na primeira dificuldade. Mais fácil abandonar o barco do que sustentar a incerteza. Na visão da terapeuta, desapegar-se do controle é um gesto de entrega. “Ausentar-se do comando pressupõe acreditar que respostas e ideias surgem quando menos esperamos”, diz ela.

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    3 passos para ter mais paciência

    Se você não consegue se controlar quando tudo foge do planejado e inveja secretamente a calma daquela amiga “zen”, não desista. A paciência é fruto do trabalho de autoeducação, do aprimoramento de nossa personalidade. Só a teremos em situações maiores se a tivermos treinado nas coisas pequenas. E, muitas vezes, é um trabalho para toda a vida.

    01. Inspire e expire

    Ao realizar exercícios respiratórios, alteramos padrões de pensamento e comportamento. Bastam três repetições diariamente para acalmar e aumentar a autoconsciência.

    02. Tenha um espaço vazio na rotina

    Saia para dar uma volta e admire a beleza do mundo. O belo desperta sentidos anestesiados pela correria insana de todos os dias. Abra um espaço para pensar em nada, nem que ele tenha a duração de uma xícara de chá à beira da janela. Assim você digere o que tem vivido.

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    03. Extravase

    Dependendo do grau de irritação, apenas respirar ou caminhar podem não ser suficientes para conter os sentimentos irracionais. Nessas horas, o melhor a fazer é extravasar a cólera. Chore, grite se sentir vontade. De preferência, poupando quem não tem nada a ver com a história.

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