Por que devemos ficar de olho no Serpentine Pavilion 2019?

Todos os anos, um célebre arquiteto internacional é selecionado e elabora um pavilhão temporário, rico em experimentação e vanguarda

Por Marianna Gualter Atualizado em 17 fev 2020, 16h02 - Publicado em 1 jul 2019, 16h25

O arquiteto japonês Junya Ishigami é o grande nome por trás da 19ª instalação do Serpentine Pavilion, em Londres. Há quase uma década, a renomada iniciativa oferece para arquitetos internacionais, que ainda não tenham construído no Reino Unido, a oportunidade de mostrar seu talento em um dos eventos mais conceituados do segmento.

Laurian Ghinitoiu/Casa.com.br

Criado na virada do século, em 2000, por Julia Peyton e Hans Ulrich Obrist, o Serpentine Pavilion propõe uma interpretação vanguardista e experimental da arquitetura. A cada ano, seleciona um profissional para elaborar em seis meses uma estrutura temporária, localizada nos Kensington Gardens e aberta para visitação durante o verão no hemisfério norte.

Em 2003, Oscar Niemeyer foi o primeiro brasileiro escolhido: usando aço, alumínio, concreto e vidro, construiu um pavilhão simples e engenhoso, uma ode a era de ouro do modernismo.

Serpentine Pavilion 2003, assinado pelo brasileiro Oscar Niemeyer Sylvain Deleu/Casa.com.br

Já em 2019, com exposição até 6 de agosto, a instalação de Ishigami reflete a tradição do profissional japonês. Vencedor do Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2010, o arquiteto é conhecido por elaborar projetos com qualidades oníricas, mas que incorporam elementos do mundo real.

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A ressignificação da humanidade e de suas convenções arquitetônicas é a figura central de seu trabalho, e justamente esta premissa é incorporada ao pavilhão. A ardósia, usada como matéria-prima de telhas pelo mundo todo, surge ainda rústica, preenchendo uma grande superfície que emerge do solo e, sustentada por pilotis, transforma-se em cobertura. O vazio embaixo remete a um espaço cavernoso, um refúgio ideal para a contemplação.

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O projeto de Ishigami exemplifica sua filosofia de “espaço livre”: a busca constante de harmonia entre as estruturas feitas pelos homens e as já existentes. “Meu design para o Pavilion joga com nossas perspectivas do ambiente construído contra o pano de fundo de uma paisagem natural, enfatizando uma sensação orgânica, como se tivesse crescido do gramado, parecendo uma colina feita de rochas”, explica.

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